“A arte paga limita muito”, defende Ndu Carlos da associação Gota d’Arte

Com sede em Achadinha, a Gota d’Arte é uma associação que há 11 anos tem atuado no ramo da educação e partilha de conhecimentos e experiências culturais para crianças.

A ideia da criação da associação Gota D’Arte partiu de Betty Fernandes, coreógrafa da companhia de dança Raiz di Polon, que sentiu a necessidade de ter um espaço de partilha cultural sempre com a premissa de que a arte deve ser acessível a todos.

Em entrevista ao Balai, o responsável artístico da associação, o percussionista angolano Ndu Carlos, explica que a Gota d’Arte trabalha por projeto e não é uma escola convencional, mas sim um espaço de partilha cultural, no qual os alunos interagem e partilham conhecimentos artísticos.

A Gota d’Arte conta atualmente com 36 crianças e jovens inscritos, com idade compreendida entre os 6 e os 17 anos.

O representante da associação explica que as aulas são sempre ministradas em grupo para que as crianças possam perceber o papel delas no conjunto, incutindo princípios como ferramentas de capacitação. O objetivo é que “a experiência seja positiva para o crescimento das crianças e para que elas consigam interagir”.

“A ideia é reunir artistas com experiência e que queiram partilha-la com os mais jovens, daí o nome (Gota D’Arte) já que o intuito é ‘regar o talento’ das crianças”, diz.

“Em Cabo Verde existem muitos artistas com experiência de palco. O Raiz di Polon é um grupo internacional, já participou de vários eventos, viajou por quase todo o mundo. E nisso as experiências dos artistas servem de apoio ao crescimento das crianças e dos jovens, que serão os homens e as mulheres de amanhã”, acrescenta.

Segundo o entrevistado, a sustentabilidade financeira é um desafio para a Gota d’Arte. “Ainda há coisas a melhorar, há falta de materiais e apoio técnico”, explica.

Um dos mentores do projeto realça que “a arte paga limita muito” e que a associação procura sempre a melhor forma de viabilizar a situação, tornando a arte acessível a toda gente, podendo os pais que não possuem condições financeiras colaborar com serviços.

“A arte ajuda a melhorar a comunicação”, frisa também Ndu Carlos.

O responsável artístico afirma que a instituição conta com o apoio de particulares, mas também de algumas empresas e músicos.

A Gota D’Arte já tem três álbuns de músicas infantis lançados – “Nôs é tudu pikinoti”, “No olhar das crianças” e “Konbersu di amigus” mas também desenvolve projetos noutras áreas culturais como o teatro, a dança e as artes plásticas.

“Zul Alves” é o mais novo projeto musical que está a ser trabalhado para sair no início do mês de setembro. É produzido pela editora “Xintidu” que divide o mesmo espaço físico com a associação e vai contar com a participação de alguns elementos que já passaram pela Gota d’Arte.

O representante da Associação situada na Praia avança ainda que a Gota D’Arte pretende lançar em meados de setembro uma campanha para apadrinhamento de crianças.

Em jeito de conclusão, Ndu Carlos considera os resultados obtidos pela associação até agora como positivos, mas salienta que a Gota D’Arte ambiciona crescer cada vez mais, criando condições humanas, técnicas e físicas para os seus educandos, e enaltece “o empenho e a motivação das crianças e jovens que têm participado sempre nas atividades”.

Cátia Gonçalves/ estagiária

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