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Após uma longa pausa na carreira e de 18 anos sem atuar em Cabo Verde, a cantora de origem cabo-verdiana Márcia regressa ao país para a gravação de um vídeo de uma das faixas que vai fazer parte do seu próximo trabalho, um EP intitulado de “Benvinda”. A artista também vai apresentar neste sábado, 6, um show na Praia.
Em entrevista ao Balai, Márcia revela que vai lançar dois singles que vão integrar o novo EP, um intitulado “Nka Kre Mas” e o outro que vai prestar uma homenagem a todas as mulheres, ambos previstos para o mês de junho.
“‘Nka kre mas’ é um single cantado na minha perspetiva. É uma mensagem para todas as mulheres e homens também que estão numa relação na qual não se sentem satisfeitos e precisam de ter a coragem de escolher em primeiro lugar a si mesmos”, explicou.
Segundo a artista, o próximo EP vai ser intitulado “Benvinda” e engloba uma sonoridade diversa, desde dos temas e géneros mais antigos até aos mais modernos, de forma a manter o equilíbrio entre gerações.
“O nome é Benvinda é o meu segundo nome. O meu primeiro álbum é “Márcia” e “Benvinda” encaixa com a minha história. É uma forma de celebrar essa nova fase e quem é a Márcia hoje. Também é uma homenagem à minha avó que também se chama Benvinda”, explica e afirma que “o novo EP tem algo para aqueles que já a conhecem há muito tempo, mas também algo mais contemporâneo (…) para agradar os dois lados”.
O show deste sábado, 6, no espaço INK Lounge, em Achada Grande Frente, na Praia, marca o início de muitos futuros regressos ao país, diz Márcia, além de ser “uma forma de se reconectar após vários anos longe do cenário musical” em Cabo Verde.
“Essa é uma forma de me conectar novamente e espero que esta vinda desperte o público, os promotores porque na indústria musical a demanda é que gera o convite e aos poucos também me permita conectar com o povo e relembrar-lhes de quem é Márcia, porque muitos conhecem a música mas não conhecem a cara, principalmente o público mais jovem”, acrescentou.
Para a artista, o show no sábado vai ser uma celebração da música, uma viagem ao passado, onde almeja uma vibração intensa do público como anos atrás quando participou do Festival de Estrela.
Após a colaboração com o artista Kaysha em 2024, da qual resultou o single “Let it go”, este ano e em 2027, a artista pretende lançar diversos EP em que o principal objetivo é fazer colaborações com artistas, desde os menos conhecidos até aos mais célebres do cenário musical, principalmente com mulheres já que na visão da cantora, as mulheres enfrentam muitos desafios na gestão da carreira neste mercado.
A artista que interpreta os singles “Vida”, “Je t’aime encore” e “Let it go”, sucessos que marcaram a trajetória da artista no cenário musical, almeja ainda pisar os diferentes palcos das outras ilhas do arquipélago e cita exemplos como São Vicente, Santo Antão, Brava e Maio.
Autora da maioria das suas canções, a inspiração para Márcia tem como base as vivências e a realidade à sua volta. “A música para mim é como uma terapia, tenho de sentir, e quando sinto, a melodia sai, porque a melodia é parte comunicativa da música em que cada nota emite um som. Para mim é muito importante sentir as letras”, reforçou.
Para além dos EP que a cantora pretende lançar, Márcia conta que quer implementar um programa com o objetivo de ajudar as mulheres da indústria musical a se organizarem, a terem conhecimento dos seus direitos enquanto autoras e a mostrar-lhes formas de se protegerem e de gerirem formas de colaboração com outros artistas ou labels.
A artista revela que pretende ainda se especializar em Inteligência Artificial (IA).

Questionada sobre o que motivou a pausa de cerca de duas décadas na carreira, a artista cita desilusões na indústria musical, bem como a falta de convites para atuar em festivais.
“Passei por diversas decepções enquanto artista. Quando lancei o primeiro álbum não recebi os meus direitos autorais, os meus direitos enquanto artista. Na altura era um álbum físico, onde se faziam impressões do CD e a produtora fez mais cópias do que relatou. A minha label recebeu a sua parte, mas eu não recebi nada, então foi algo que me decepcionou bastante, também passei por várias ameaças, e constrangimentos que levaram a decidir me afastar da musica”, desabafou.
Sobre a indústria musical cabo-verdiana, a cantora diz que se encontra num bom caminho, principalmente com o surgimento de novos ritmos, mas também apelou por mais união no ambiente musical.
“Estou feliz em ver esse progresso na indústria musical de Cabo Verde, porém devemos ter mais união num mercado tão pequeno quanto o nosso. É essa desunião que muitas vezes nos coloca em desavença, porque se não nos organizamos e compartilhamos a nossa sabedoria, cada um fica na sua luta, mas se nos unirmos podemos juntar os nossos conhecimentos e nos organizarmos melhor, além de ajudar o país em termos do conhecimento dos seus direitos. Estamos todos fragmentados, por isso estamos nessa situação”,concluiu.

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