Apresentador considera que Obra sobre Manel d’Novas pode ajudar ainda mais a se conhecer a música de Cabo Verde

O apresentador do livro “Música e sociedade cabo-verdiana – múltiplos olhares sobre o perfil e obra de Manel d’Novas”, de César Augusto Monteiro, considerou hoje que a obra pode ajudar ainda mais a se conhecer a música cabo-verdiana.

A apresentação do livro aconteceu no Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), em parceria com a Associação Cabo-verdiana do Seixal, e esteve a cargo e Joaquim Saial e Humberto Ramos.

“Este livro pode ajudar-nos ainda mais a conhecer a música de Cabo Verde (…). Muitos confundem os géneros musicais cabo-verdianos e neste livro acabamos por encontrar muitas respostas”, frisou Humberto Ramos.

Segundo ele, o livro traz uma questão da padronização da música de Cabo Verde, algo que “é urgente fazer”, porque “não basta ser músico para fazer esse trabalho”, que deverá ser longo, frisando que é preciso “fazer mais” nesta área, nomeadamente através do ensino.

Por sua vez, Joaquim Saial lembrou que a obra de César Augusto Monteiro é “muito completa, tendo o autor entrevistado mais de duas centenas de personalidades, para além de pesquisas realizadas por 18 anos.

“O livro é um dos mais completos da literatura musical cabo-verdiana”, considerou o apresentador da obra, acrescentando que se poderá entender no livro que o trabalho de Manuel d’Novas “extravasa” o campo musical para chegar à linguística, mas precisamente o crioulo de São Vicente que é muito divulgada nas composições do autor.

Por sua vez, o autor César Augusto Monteiro explicou que o livro faz uma análise da música cabo-verdiana nas suas múltiplas dimensões e à obra artística do compositor Manel d’Novas, falecido em Setembro de 2009 e insere-se num contexto “mais lato de muitos outros estudos”, que debatem as músicas nacionais e populares do mundo inteiro.

“É um livro interactivo, baseado na técnica de análise de conteúdo”, sustentou, acrescentando que durante a sua pesquisa percebeu que Cabo Verde tem “gigantes” que inovaram a música cabo-verdiana, entendendo que é preciso fazer um trabalho sobre o contributo da diáspora cabo-verdiana na música do País.

Subdividido em quatro partes e 17 capítulos, o livro de 793 páginas faz o enquadramento teórico e conceitual e, logo de seguida, nas duas primeiras partes, debruça-se sobre a música na sociedade cabo-verdiana com enfoque sobre os diversos géneros que caracterizam o universo musical e um conjunto de questões concretas e de interesse.

Seguidamente, debruça-se sobre a vida e a obra de Manel d’Novas, nas suas múltiplas facetas, partindo de múltiplos olhares de mais de 250 entrevistados, numa estreita ligação entre as dimensões teórica e empírica, sendo que na quarta parte da obra faz a vocação, o percurso musical e o contributo de Manel d’Novas.

César Augusto Monteiro é embaixador de carreira aposentado, tendo desempenhando o cargo de embaixador de Cabo Verde na República do Senegal até 2017, altura em que se aposentou.

Investigador a tempo inteiro nas áreas da Sociologia da Música da Cultura e das Migrações, desde 2017, tem várias obras publicadas, entre elas, “Comunidade imigrada. Uma visão sociológica: o caso da Itália” (1997), “Recomposição do espaço social cabo-verdiano” (2001) e “Manel d’Novas: música, vida, cabo-verdianidade” (2003).

“Música migrante em Lisboa: perfis e trajectos de músicos cabo-verdianos”, tese de doutoramento nas áreas da Sociologia da Música, da Cultura e das Migrações (2011) é outra obra publicada, estando em preparação o volume II do livro “Música e sociedade cabo-Verdiana. A Morna na ilha de Santiago, a imagem social do músico e a música cabo-verdiana no futuro”.

Além dos livros já referidos, organizou uma obra de cariz biográfico intitulado “Guilherme Dias Chantre: um educador e líder carismático. Homenagem de antigos alunos da Escola Técnica do Mindelo” (2010).

Inforpress

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