Artista plástico Délio Leite apresenta exposição “Des-crimi-narre” no Palácio da Cultura Ildo Lobo

O artista plástico Délio Leite tem patente ao público, desde o dia 20 de Julho e até 10 de Agosto, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, a sua primeira exposição intitulada “Des-crimi-nare – Não é crime ser diferente”, apelando ao respeito por aquilo que é diferente.

Em declarações esta quinta-feira, 21, à Inforpress, o artista plástico santantonense avançou que a exposição “Des-crimi-nare” contém 21 obras, divididas em três subtemas, nomeadamente, “sete nu arte”, “Sete labuta” e “Sete Animal”.

“A exposição “Des-crimi-nare, separada propositalmente, vem da palavra descriminação, e as vinte umas telas exibidas estão subdivididas em três subtemas, chamando atenção às pessoas que têm a tendência de descriminar, de ter preconceito sobre aquilo que lhe é diferente, para respeitarem as diferenças porque ser diferente não é problema nenhum e não é crime ser diferente”, explicou Délio Leite.

Conforme indicou o artista plástico, o subtema designado de “Sete nu arte” é composto por sete modelos nuas mostrando que o nu é belo, sem ser vulgar, e que as pessoas que trabalham com a nudez devem ser vistas com respeito, com profissionalismo, isto é, não se deve incriminar a pessoa só por que está trabalhando.

O segundo subtema “sete labuta”, labuta que no seu entender significa o trabalho que exige algum esforço físico e normalmente a tendência é dizer que os trabalhos desta natureza devem ser realizados pelos homens. E as sete pinturas são de mulheres fazendo esses tipos de trabalhos para mostrar que as mulheres também podem trabalhar naquilo que querem.

O terceiro é o “Sete animal”, que conforme explicou Délio Leite, para o ser humano tudo o que é diferente dele é “inferior a ele” por ser o animal racional e inteligente. Daí que surge o desrespeito pelos outros animais.

Por isso, a ideia é mostrar com as sete pinturas dos animais que o ser humano pode analisar o significado de cada animal e entender a si próprio através do animal, por via da leitura de animais de poder. “

O animal deve ser visto com admiração, respeito e equilíbrio”, argumentou.

O autor assinalou ainda que o objetivo principal da exposição é dar a conhecer a sua arte que esteve muitos anos “escondida”, bem como chamar atenção para esta questão de discriminar o que é diferente, promovendo mudança de paradigma.

Délio Leite, também arquiteto, disse que sempre teve paixão por pinturas, mas refugiou-se em arquitetura, uma das áreas convencionais para poder se enquadrar no mercado, uma vez que em Cabo Verde ser artistas é difícil, pois o mercado não aceita e não atribui o devido valor ao artista plástico.

Com 39 anos de idade, o autor revela que só veio aceitar e admitir que é um artista plástico e que esta é a sua profissão primária, há quatro anos.

“Neste momento, abraçada a minha paixão pela arte, tenho conseguido me sustentar com a arte e acabei por deixar a arquitetura como uma profissão secundária”, disse.

No entanto, precisou que 90% dos seus clientes estão nos estrangeiros, e a rede social tem sido o meio para divulgação e venda das suas obras.

“O mercado em Cabo Verde é muito difícil e o poder de compra também é limitado, mas é um processo e os artistas vão conquistando seus espaços paulatinamente”, finalizou o autor.

Inforpress

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