Aurus da Ilha da Reunião ‘traz’ chuva e segundo dia do AME na Praia termina mais cedo

Com os primeiros pingos de chuva que se fizeram sentir, a organização da 8ª edição do Atlantic Music Expo decidiu adiar para esta quarta-feira, 15, a atuação do cantor e compositor June Freedom, que estava previsto encerrar o segundo dia do festival na capital do país.

Após a abertura oficial da 8ª edição do Atlantic Music Expo na Assembleia Nacional, foi a vez do Plateau voltar a receber o festival após dois anos de paragem. A noite foi marcada pela atuação de vários artistas nacionais e internacionais, pela chuva mansa que se fez cair e que obrigou a organização a encerrar o AME antes do horário previsto e com uma atuação ainda por realizar.

O segundo dia dos showcases na capital do país começou no final da tarde desta terça-feira, 14, na Rua Pedonal com a atuação da artista Sandra Horta, natural da ilha de Santiago, que apresentou o seu novo EP “Primavera” composto por três temas que irão integrar o seu primeiro álbum de originais.

“O projeto no fundo são quatro estações do ano, porque eu tenho várias facetas dentro de mim como mulher e artista. Quero mostrar em cada estação uma cor e uma faceta dessa mulher e artista. Agora primavera, uma mulher ingénua, mas ainda há a misteriosa, a audaciosa e a feliz para mostrar (risos), diz a artista que interpretou temas como “Wake Up Now” e “Carta”, da autoria de José Araújo, pai da Teresinha Araújo.

Atuar em casa foi para Sandra Horta uma partilha muito especial. “A energia maravilhosa que o público mostrou fez qualquer coisa aqui dentro e fez-me explodir ainda mais. Foi maravilhoso e, realmente, é algo de especial podermos ir juntos nesta viagem que tenho que levar a cada concerto”.

Seguiu-se a atuação do cantor e compositor Bob Mascarenhas, natural de Calheta de São Miguel, que já marcou presença em outras edições do AME. O artista esteve acompanhado pela banda no palco da Pracinha Escola Grande onde brindou o público com temas como “Naia”, “Dizaforu di Mar”, que dedicou aos pescadores e peixeiras que desafiam o mar todos os dias, e ainda “Nha Terra Santa Catarina”.

“Foi muito bom atuar no AME após dois anos da sua paragem devido à pandemia. Pensei que estava enferrujado (risos), mas pelos vistos Bob ainda está novo. Esta edição veio dar-nos um grande impulso para continuarmos a divulgar o nosso trabalho para o mundo. Se não me engano, esta é minha terceira ou quarta vez no palco do festival e todos esses momentos foram produtivos para mim e tenho estado a fazer mais espetáculos fora do país do que cá, por causa deste mercado de música que nós os artistas temos que tirar proveito”, diz o artista que brevemente vai lançar um novo single no mercado.

O relógio já passava da 20h20, quando o público regressou ao palco da Rua Pedonal para receber o músico e compositor maiense Adê Costa com o seu novo EP “Hello Cabo Verde”, lançado em finais de 2021 e que tem recebido críticas positivas da revista britânica especializada em World Music Songlines.

O artista, que subiu ao palco do AME pela segunda vez, levou o público ao rubro do início ao fim com temas como “Karabiloke”, “Branco na Preto”, tema que o trouxe pela primeira vez a capital do país, “Txeru Pitada” e encerrou com “Tabanka Santa Cruz”, “que é uma grande manifestação cultural da ilha do Maio”, para o delírio do público.

“Extraordinário” é assim que Adê Costa define a sua atuação na 8ª edição do Atlantic Music Expo. “O AME é um excelente palco, mas é uma pena que as atuações sejam breves – 30 minutos. Houve atrasos, mas o público recebeu-me de forma espetacular que nem estava à espera. Houve muita adesão das pessoas e é isso que é o mais importante. Acredito que conseguimos transmitir a mensagem”, diz o cantor que no próximo sábado tem um concerto intimista no Palácio da Cultura Ildo Lobo.

Depois de ritmos nacionais, foi a vez da Kanazoé Orkestra, que se destaca como um dos pilares da música da África Ocidental, levar o público numa viagem aos ritmos de Burkina Faso e ao som do balafon.

“O show foi esplêndido e maravilhoso” diz o multi-instrumentista Seydou Diabate, ‘’Kanazoé ‘’, que atua pela primeira vez em Cabo Verde. “A música de base é a tradicional de Burkina Faso. A minha intenção é misturar a minha música com jazz, onde o balafon tem um papel importante. A minha intenção é tocar todas as pessoas”.

No meio do público encontramos, uma cidadã da Burkina Faso que veio em missão de trabalho ao arquipélago. Longe de casa, encontrou no AME sons da sua terra que a fizeram sentir-se em casa. “Quando vi que tinha a festa da música aqui, entrei e deparei-me com o grupo do meu país. Para mim, foi como se estivesse no paraíso. Foi maravilhoso o espetáculo. Não tenho palavras para descrever. Senti-me em casa”.

“Maloya”, o ritmo que fez chover na capital

É a primeira vez que está a pisar Cabo Verde e o palco do AME, e já ficou conhecido como Aurus, o artista que fez chover na Praia.

Natural da Ilha Reunião, Aurus cativou o público do início ao fim com a sua música que evoca o “Maloya” das suas raízes (música tradicional da Ilha de Reunião), com pop e música eletrônica, e pela sua ousadia em falar um pouco em crioulo cabo-verdiano.
“Foi bom. Saímos do palco e o público enlouqueceu e sentimos o calor das pessoas. Sentimos uma calorosa receção. (…) Aqui há coisas que me lembram a minha ilha e uma delas é a energia verdadeira. E eu sei que aqui é um país com muitos ritmos e artistas. Estou orgulhoso de vir cá tocar a minha música para os cabo-verdianos”, diz e acrescenta que espera que o AME seja uma oportunidade para tocar em outros lugares no mundo com forma de divulgar a sua música.

Após apoiar outros artistas da noite no palco, a banda mindelense Pret &Bronk, composta por Khaly no piano, Vando no baixo, Enos Oliveira na guitarra e Bruno na Bateria, subiu ao palco para mostrar um pouco do seu trabalho instrumental.

“A banda tem uma longa história. É originária de outras bandas que tivemos no Mindelo, mas Pret & Bronk tem cerca de 1 ano e meio de existência. Para nós, o AME é uma grande janela de oportunidade e estamos com vontade de gravar e tocar em todos os palcos do país”, afirmou Khaly Angel no final da apresentação.

O relógio passava das 23h30, quando Augusto “Gugas” Veiga subiu ao palco para anunciar o adiamento do show de June Freedom para esta quarta-feira, 15, em hora a indicar, devido à chuva que estava a causar alguns estragos nos equipamentos no palco.

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