Batuco ganha Dia Nacional e passa a ser assinalado a 31 de Julho

O projecto de lei que institui o Dia Nacional do Batuque foi hoje aprovado, na especialidade, no Parlamento, embora a data escolhida não tivesse merecido a concordância de todos.


Uns, no caso do deputado Moisés Borges (PAICV – oposição), corroborado pelos seus pares do partido, entenderam que a data devia ser o 18 de Julho, coincidente com o nascimento de Nha Nácia Gomi, uma das mais proeminentes figuras do batuque.

A deputada da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID – opoder), Dora Oriana Pires, também defendeu o 17 de Julho, dia em que nasceu Nha Nácia Gomi.

 

Entretanto, depois de alguma discussão, vincou a proposta original apresentada pelo parlamentar eleito nas listas do Movimento para a Democracia (MpD – poder), José Soares, ou seja, o Dia do Batuco deve coincidir com o Dia da Mulher Africana, 31 de Julho.

 

A instituição do Dia Nacional do Batuco visa promover e garantir a defesa dos direitos humanos, da população, direitos das mulheres, e do género musical cabo-verdiano, tradicionalmente executado por mulheres, que se baseia na percussão e no canto e dança, principalmente na ilha de Santiago.

 

O propósito é valorizar e exaltar o batuco como um dos géneros musicais mais antigos de Cabo Verde, reconhecendo a sua importância como património nacional.

 

A instituição do Dia Nacional do Batuco visa ainda louvar os intérpretes e aqueles que ajudaram na criação do universo cultural diversificado que expressa no batuco a alma cabo-verdiana e o reconhecimento aos direitos humanos, aos direitos dos cidadãos, das populações e das mulheres.

 

“Gerado a partir do saber popular, da oralidade, redunda numa prática social, simultaneamente, ritual e acto festivo, prenhe de conteúdo cultural, expressão de uma identidade própria”, diz o Instituto do Património Cultural (IPC), na sua página oficial da rede social Facebook.

 

O IPC lembra ainda que o batuco foi “proibido, repelido pelo poder colonial, que o considerou lascivo, pernicioso, ofensivo à boa moral”.

 

“As sessões aconteciam sempre tarde da noite, quando o escravo dava por terminado o dia de trabalho, num acto de resistência”, acrescenta.

 

Inforpress/Fim

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