Cabo-verdiano Marilson Pereira aposta na personalização de sapatilhas como forma de expressar a criatividade  

Jovem encontrou na arte a forma de expressar a criatividade tendo começado a dar os primeiros passos a desenhar em pedras e a fazer caricaturas em papel.

Natural de São Lourenço dos Órgãos, Santiago, mas a residir na localidade da Várzea, na Praia, Marilson Pereira é um jovem empreendedor de 23 anos de idade que encontrou na personalização artística de sapatilhas uma forma de expressar a sua paixão pela arte.

Em entrevista ao Balai, o artista partilhou um pouco da sua história entre a aprendizagem e a criatividade.

“Comecei em São Lourenço dos Órgãos a fazer desenhos em pedras, depois comecei a fazer caricaturas de pessoas no papel. As pessoas da minha localidade acompanhavam sempre o meu trabalho e incentivam-me a seguir com a minha paixão.”

Explicou que a sua primeira experiência surgiu através de um amigo que queria personalizar uns ténis. “Como ele queria deixar os ténis com outro aspecto, decidi fazê-lo e ele foi publicar depois nas redes sociais.”

O jovem, afirma que em 2022 começou a trabalhar numa empresa intitulada “Sem Cor” onde trabalhavam na personalização de vestuário e outros acessórios.

“Esta experiência serviu de base, posso dizer que foi aí que aprendi a pintar e a fazer outras coisas. ”

Mais tarde fez uma formação de pintura em 2023 em Palmarejo. “Foi uma forma de aprender e obter conhecimento porque de alguma maneira precisava obter um pouco de prática. Com o tempo vi que estava a desenvolver habilidades com a pintura mas acabei por desistir. ”

Com o objetivo de seguir por conta propria, o mesmo ainda afirmou que decidiu trabalhar na cidade da Praia, em vez de ficar no interior, para expandir o negócio. “Praticamente, estou há 4 anos a trabalhar neste ramo.”

Personalização de sapatilhas uma forma de expressar a arte

Explicou que faz diferentes tipos de desenho, nomeadamente caricaturas de famosos, desenhos sobre as ilhas e a bandeira de Cabo Verde visto que são os símbolos que mais têm apresentado procura.

“Tenho clientes que pedem para personalizar umas sapatilhas na íntegra, o que em média pode durar 5 horas para finalizar, já que os desenhos são feitos à mão”.

Antes de realizar todo o processo é essencial fazer um esboço no papel, explica o mesmo.

“A ideia de realizar um desenho até chegar à fase final parte da escolha de cada cliente ou seja é importante perguntar ao cliente o que pretende fazer e qual as cores que gosta.”
Quanto aos materiais utilizados, Marilson diz que usa pinceis, lâminas, fita isoladora, airbrush (uma pistola com ar comprimido), uma variedade de tinta americana e um secador de ar.

Em relação aos preços, o jovem explica que variam entre 5 mil e os 16 mil escudos, dependendo da extensão do trabalho e que aceita encomendas e faz envios para qualquer país.
Para conseguir os produtos destacou que tem que procurar em várias papelarias na cidade da Praia porque há materiais de difícil acesso em Cabo Verde. “Uma das dificuldades que tenho é de encontrar tintas”, lamenta e diz que quando nesses casos compra online ou recorre a um cliente dos Estados Unidos da América que lhe ajuda no acesso aos materiais.

Experiência como empreendedor

“Ao longo desta jornada tive que aprender sobre o papel da economia e do marketing num contexto em que é importante para o ramo do empreendedorismo”, conta Marilson.

“Uma das aprendizagens que fiz foi tornar-me organizado, saber lidar com os prazos apertados, lidar com as críticas e a pressão dos clientes e acima de tudo ter foco, paciência e concentração”.

Tem vários clientes em Cabo Verde como também em Portugal, França, Brasil e EUA. “Tenho estado a participar em vários tipos de eventos com o objetivo de partilhar a arte através de vários desenhos feitos nuns ténis.”

Entre as suas referências, cita o artista plástico e pintor cabo-verdiano Joaquim Freire Semedo, que se vem destacando na arte e um dos responsáveis do projeto “Viagens nas Tintas“, e também o artista Helder Cardoso, que também vem-se destacando na arte urbana e na pintura.

Redes sociais para promover o negócio

O jovem talento contou que tem apostado na página pessoal intitulada “Arte D’Nox Crioulo.“

Segundo o mesmo, o foco neste momento é conseguir completar a página com nome de todos os artistas cabo-verdianos, internacionais e influencers com os quais já trabalhou com o objetivo de atrair clientes e de se expandir.

“A página é de livre acesso e tem como propósito mostrar cada trabalho realizado por mim”.

Ao longo da entrevista, foi questionado ainda se o negócio está legalizado tendo mencionado que este ano pretende avançar com os processos para abrir a sua própria empresa.

“A ideia é caminhar por outros horizontes. Tenho planos para fazer a minha própria marca de roupa, personalizar objetos e abrir um espaço dedicado à pintura.“

Para finalizar apontou que o negócio tem ajudado financeiramente destacando que tem aprendido com a experiência o que também está a ser importante para a carreira artística, destacando que atualmente personaliza cerca de três ténis por dia.

 

Balai Notícias

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