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O artista multidisciplinar Christian Lima lançou esta quinta-feira, 14, o seu mais novo projeto fotográfico “Ékus Di Izisténsia”, na cidade da Praia. Trata-se de um projeto colaborativo onde Christian é tanto diretor artístico como modelo e que remete ao existencialismo tendo em conta o imaginário cabo-verdiano e aborda “cosmovisões africanas”. A exposição vai estar na capital até final de novembro.
Conhecido pela sua atuação nas áreas de teatro, artes performativas, instalações, artes visuais e, mais recentemente, fotografia e audiovisual, Cristian Lima é bacharel em História pela Universidade do Mindelo, e de momento está a fazer uma licenciatura em Filosofia e Política pela Universidade de Cabo Verde, Uni-CV.
Em entrevista ao Balai, Christian Lima, de 39 anos, revelou que este ano assinala 20 anos de carreira artística de forma oficial, embora já tenha começado a sua trajetória há muito tempo. “Desde criança eu despertei esse interesse pelas artes performativas, e comecei, de certa forma, a dar saída a esta pulsão, de criar, de querer saber mais, e de criar na escola, em eventos”.
O artista referiu que cresceu nos anos 1990, altura em que Cabo Verde encontrava-se na Segunda República. “Foi uma época muito especial, com muitas sugestões e muitos estímulos. Cresci num ambiente familiar, posso dizer, propício, onde a educação e a arte pululavam, a minha mãe é professora, inclusive foi a minha do primeiro ano até ao sexto ano”, afirmou.
Ter nascido na cidade de Mindelo, onde na altura havia uma vivacidade e se estava a viver o auge da era da globalização, bem como ter um pai com alma de artista, também influenciou o jovem.
Christian explicou que o projeto “Ékus Di Izisténsia” de certa forma já existia, tendo agora decidido tirar o mesmo da gaveta. “Eu escrevo muito, tenho muitos projetos escritos em áreas diversas, projetos de fotografia e para o teatro”.
“Anualmente eu lanço um projeto, o último foi o “Torna Atxa”, em 2022. Em 2023, deveria ter lançado uma peça de teatro na Praia, mas devido a compromissos da universidade não consegui”, frisou.
“Ékus Di Izisténsia remete imediatamente para o existencialismo, que é uma corrente filosófica que aplico imensamente nos meus projetos, particularmente nos estudos de Jean Paul Sartre, mas há outros como Gabriel Marcelo, Nietzsche, Martin Heidegger”, sublinhou.
“Estamos a falar de uma perspetiva existencialista tendo em conta o imaginário cabo-verdiano, o lendário folclórico, e a realidade cabo-verdiana, foi o que eu tentei fazer”, explicou sobre a mensagem que pretende transmitir com as fotografias. “Quero que as pessoas vejam, contemplem, identifiquem, e revejam as suas vidas e histórias suas e das suas gentes e do nosso povo e que as pessoas as observam”, afirmou o criador sobre a exposição.
“Tem muito a ver com a tal objetividade do ser, como nos relacionamos com nós mesmos e com o outro, e essa necessidade de compreender a mim mesmo e tendo em conta o outro”, explicou. “O processo de criação é muito intenso para mim, muito sugestivo , privado. Quando eu partilho, já passei por um processo imenso. O que chamo de autoconhecimento, auto-avaliação, contemplação, reflexão (…) acho que o motivo pessoal pelo qual faço este projeto é exatamente para me conhecer. Conhecendo a mim mesmo, conheço o outro. Amando a mim mesmo, amo o outro”.
Segundo o artista, os dois projetos têm em comum o fato de em ambos Christian ser tanto diretor artístico como modelo, além de ambos abordarem “cosmovisões africanas”, nomeadamente “a concepção de Deus para algumas etnias e civilizações africanas (como Egipto, Sudão, entre outros)”.
Em contrapartida, Ékus Di Izisténsia é um projeto colaborativo com várias pessoas envolvidas incluindo seis modelos e uma equipa de produção, uma gestora de projeto e dois fotógrafos.
O artista revela o desejo de expandir o projeto para outras ilhas e explica que em 2022 o projeto ‘Torna atxa’ esteve em São Vicente. Por isso, espera que com mais apoios consiga levar o atual projeto para outras ilhas, nomeadamente para a Sal e de São Vicente, por causa do turismo cultural.
Até o final deste ano ou no início do próximo ano, Christian diz que vai estrear na Praia a peça de teatro ‘Persona’, que é o primeiro monólogo da sua autoria e a primeira peça de teatro a solo.
“Após a dissolução do meu antigo grupo de teatro, a Companhia de Teatro Solaris, da qual fui membro por 10 anos (2004 a 2014) e que representou Cabo Verde, entre 2009 e 2012, em vários festivais internacionais (…) sigo com outros projetos, no audiovisual, cinema, curtas metragens e escrita”, explica.
É de salientar que a exposição do projecto Ékus Di Izisténsia vai estar uma semana no Salão Nobre da Câmara Municipal da Praia, CMP, e no dia 24 vai para o Palácio da Cultura Ildo Lobo, PCIL, na e por último vai estar na Universidade de Cabo Verde(Uni-CV).
Cátia Lopes- Estagiária
ARTIGO ATUALIZADO

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