Cinco anos após a gravação, Fattú Djakité anuncia lançamento do primeiro álbum em novembro

Cinco anos após a gravação, Fattú Djakité anuncia lançamento do primeiro álbum em novembro

Aos 32 anos, a artista guineense, radicada em Cabo Verde, prepara-se para realizar o sonho de lançar o seu primeiro álbum intitulado “Praia Bissau” no mercado.


Fattú Djakité nasceu na Guiné-Bissau há 32 anos e há 26 anos que deixou a terra natal com a família rumo a Cabo Verde, país onde se tem dedicado à música.

Durante o seu percurso artístico, participou no concurso de talentos Estrela Pop, tendo ficado em terceiro lugar, foi corista, fez parte do grupo Azagua e já pisou vários palcos do país.

O seu primeiro single “Bendedera di Sol” foi lançado em 2015. Dois anos depois viajou para a cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, para gravar o seu primeiro trabalho discográfico, com o produtor, músico e diretor musical Maurício Pacheco.

Devido aos vários constrangimentos o álbum não chegou a ser lançado no mercado, enquanto isso Fattú foi atuando um pouco pelo país com vários artistas e com o Azagua, grupo que formou com outros artistas.

“Houve muitos contratempos, como por exemplo, no que tange aos direitos autorais. Na altura não sabia posicionar-me e eram muitas coisas que tinha que resolver à distância. Mas agora estou a sentir que realmente é a hora de lançar o disco. Estou preparada para defender a história do CD”, explica e diz que apesar de ter sido gravado há cinco anos, trata-se de um álbum “atualizado e fresco”.

Após anos de espera, Fattú Djakité já tem “Praia Bissau” nas mãos e está ansiosa para lançar o CD no mês de novembro no mercado.

“ ‘Praia Bissau’ é uma viagem onde convido as pessoas a conhecerem a minha essência e as minhas raízes. (…) Considero-me cabo-verdiana e guineense. A minha alma é essa mistura da minha história, das minhas raízes e da união que quero trazer desses dois povos separados, mas que nunca deveriam separar-se”, salienta e diz que apesar de viver em Cabo Verde há vários anos nunca perdeu a sua identidade. “Vim pequena, mas ainda tenho o meu crioulo de Guiné fresco e sei muito sobre a minha cultura.”

O álbum é composto por 12 faixas (onze músicas e um remix) cantadas no crioulo da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. As faixas “kumakê” e “Minina d’our” são da autoria de Fattú Djakité.

“Tenho um samba de um grande compositor baiano, tenho a participação de músicos da Guiné-Bissau, do Israel e dos cabo-verdianos Kaku Alves, Jorge Almeida e Dieg”, diz e revela que há uma participação especial de um artista brasileiro, que para já prefere manter o nome em segredo.

Além de música, Fattú Djakité também adora desenhar e pintar, dom que descobriu quando criança e que agora estampa a capa do seu álbum. “O desenho retrata a união entre dois povos. Quero trazer toda a minha arte dentro do álbum”, conta e diz que almeja levar “Praia Bissau” para os palcos nacionais, da Guiné-Bissau e do Mundo.

Recentemente, a música “Strada” da dupla Rapaz 100 Juiz em colaboração com Fattú Djakité venceu o galardão de Melhor Hip Hop nos CVMA. Segundo a artista, o prémio é o reconhecimento do seu trabalho. “Não se trata apenas de um prémio ou reconhecimento, é ver que uma pessoa que saiu da Guiné-Bissau rumo a Cabo Verde está a conseguir (alcançar) isso também é grandioso.”

No que tange a planos para o futuro, Fattú ambiciona montar um negócio próprio na área de restauração, bem como empoderar as mulheres. “Tenho um grande sonho em abrir um restaurante de comida africana. (…) E almejo fazer algo para as mulheres, principalmente de Cabo Verde e Guiné-Bissau, no que tange ao empoderamento, autoestima, etc, para lhes mostrar que é possível. Sou uma mandjaka que veio da Guiné-Bissau e que está a conseguir (vencer na vida) então as outras conseguem também”, conclui.

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Por Aline Oliveira

Jornalista e editora de conteúdos do portal Balai Cabo Verde. Contacto: aline.oliveira@balai.cv