Covid-19: Pandemia leva Harmonia a mudar seu negócio apostando na produção digital

A crise provocada pela pandemia da covid-19 levou a Harmonia Lda, que desenvolve atividades na produção musical, na distribuição das obras culturais e na produção de ‘shows’, desde 1998, a dedicar-se à produção de conteúdos digitais.

Um ano depois do aparecimento dos primeiros casos de Covid-19 em Cabo Verde, esta empresa, que antes tinha sede na cidade da Praia, viu-se obrigada a encerrar o escritório e o estúdio do Plateau e passar a funcionar na cidade do Mindelo, na Ilha de São Vicente.

Em declarações à Inforpress o produtor José da Silva, conhecido por Djô da Silva, disse que um ano depois a situação “é terrível” a nível financeiro, pois, não houve produção de ‘shows’, não houve atividades e consequentemente não houve arrecadação de receitas, apenas houve “mais despesas”.

 

“Eu tinha quase 500 contos de despesas mensais, aguentei durante um ano, mas no fim do mês de dezembro de 2020 tomei a decisão de mudar completamente para São Vicente. O turismo caiu completamente, então, era insustentável e tive de fechar a loja de venda de discos na cidade da Praia e despedir funcionários”, disse, explicando que a Harmonia só sai fisicamente do Plateau, mas os trabalhos de produção vão continuar.

 

A ideia de transferir o centro de produção para Mindelo, explicou, é meramente por questões económicas, isto é, em São Vicente tem, há mais de 20 anos, um espaço próprio com estúdio, enquanto na cidade da Praia era um espaço alugado.

 

Para além de ter sido um ano de prejuízos, considerou que o ano de 2020 foi um ano de refletir sobre o futuro deste setor.

 

“Decidi passar para uma firma mais envergado para o futuro, ou seja, o digital, porque justamente vi que dependia demasiadamente do físico, da venda de CD nas lojas, que com a pandemia acabou por desaparecer”, disse, informando que a Harmonia sai 100 por cento (%) da venda a retalho dos CD.

 

Em relação à vasta seleções de discos de Cabo Verde que a Harmonia tinha, informou, que tiveram de abrir mão de alguns, mas guardaram algum estoque dos discos míticos que fazem parte do seu próprio catálogo, como os álbuns de Cesária Évora, Ildo Lobo, Lura, Elida Almeida, que vão continuar a fornecer as lojas.

 

O futuro deste setor, segundo Djô da Silva, está no digital, por isso é que estão a adaptar-se e a relançar esta firma para a produção de conteúdos digitais, serviços de ‘livestream’, e apostando nas plataformas digitais de venda de música.

 

“Nos Estados Unidos da América o digital representa cerca de 80% de alinhamento da música hoje em dia. Quer dizer que uma firma de música, hoje em dia, tem de concentrar-se mais nisso porque é ali que está o rendimento para o futuro”, sublinhou.

 

Neste sentido, agora, a partir de São Vicente a Harmonia, com uma equipa nova de jovens com conhecimento na área de digital e do marketing digital, vai investir num outro modelo de negócio.

 

“Este trabalho já fiz em França com a Lusafrica que há quatro ou cinco anos mudou a sua forma de fazer negócio, isto é, acabou completamente com o negócio físico e passou completamente para o digital”, salientou.

 

A Harmonia Lda trabalha atualmente com os jovens artistas Hélio Batalha, Indira, Jennifer Dias, entre outros.

 

A empresa organiza concertos e espectáculos no arquipélago, como o prestigiado Kriol Jazz Festival, realizado todos os anos na ilha de Santiago com muitos artistas de renome internacional.

 

Fonte: Inforpress

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