DJ Hebraico, de São Nicolau para uma carreira internacional nos palcos da Europa

O seu grande sonho era formar-se em Engenharia Informática. Contudo, a música entrou para a sua vida na adolescência. Depressa evoluiu depois que começou a atuar em grandes eventos e festivais nacionais. Em 2018, DJ Hebraico foi estudar na Escola ProDJ em Portugal, país onde ficou a residir e hoje atua como DJ internacional em várias cidades europeias, inclusive Ibiza.

A residir há alguns anos em Portugal, DJ Hebraico esteve recentemente em Cabo Verde para algumas apresentações. Numa entrevista ao Balai, contou sobre como começou a sua carreira como DJ bem como falou sobre as suas ambições futuras.

Andava no 8º ano do liceu em São Nicolau, ainda usava o seu nome Danny Nascimento Soares, tocava numa banda e eram os primos mais velhos do lado paterno que tinham equipamentos musicais, alguns ainda do seu pai, que gostavam de pôr música. Entretanto, surgiu uma festa de Natal na escola e o futuro DJ foi desafiado a pôr música.
Instalou um programa no computador recém oferecido pela mãe, começou a tocar e nunca mais parou.

Quando estava na ilha do Sal, com 15 anos, o pai, que atuou durante anos como DJ Hebraico, sugeriu ao filho que usasse o seu nome artístico. E assim começou como DJ Hebraico Plus.

Longe estava de imaginar que um dia seria DJ internacional, afinal era apaixonado por computadores e sonhava ser Engenheiro Informático, um sonho que ainda não foi totalmente descartado.

Contudo, foi na cidade da Praia, para onde se deslocou para terminar o secundário, que a sua carreira ganhou outra repercussão. “Foi na Praia que vi que se levasse este caminho a sério, poderia chegar longe”, diz e explica que pertencer à família Sigui Sabura (empresa de promoção de eventos situada na Praia) foi a base para o que lhe aconteceu mais tarde.

“Toquei em todas as ilhas de Cabo Verde com eles, penso que sou dos poucos DJs que fizeram isso, inclusive na Brava”, recorda.

Aos poucos chegou à conclusão de que se ficasse apenas em Cabo Verde não iria sair da sua área de conforto. “Comecei a pensar: Quero conquistar o mercado internacional, ser mais ousado e sair para fora”.

Comunicar a sua saída aos Sigui Sabura foi duro pela relação que mantinha, e até hoje mantém, com os promotores, diz Hebraico, mas em 2017 decidiu ir estudar para Portugal, decisão que contou com o suporte dos pais, principalmente da mãe. O próximo passo foi encontrar um curso adequado e o jovem escolheu a Escola ProDJ, onde ingressou em 2018.

Foi em Portugal que percebeu que já era reconhecido na área devido ao trabalho que vinha a realizar em Cabo Verde.

A música ajudou-lhe a obter a independência financeira bastante cedo, desde a altura que começou a estudar e a trabalhar na cidade da Praia e passou a viver sozinho. Ser DJ permite-lhe pagar as contas até hoje.

Depois da pandemia, Ibiza


“Passar muito tempo fechado em casa foi muito complicado para mim”, revela o jovem profissional que começou por compor temas, mas com o passar dos meses revela ter sido afetado pelo stress e cansaço.

A ansiada retoma aconteceu no ano passado na França, mas ainda de uma forma suave, recorda. Aos poucos os eventos regressaram a Portugal, numa primeira fase sem aglomerações e com pessoas sentadas. “Não tinha o mesmo prazer, mas pronto eram as condições que tínhamos”.

Por isso, o verão deste ano foi espetacular nas palavras de Hebraico. Esteve no Luxemburgo e depois no Festival Afro Beats, na Holanda. “Eu era o único DJ que nasceu e cresceu em Cabo Verde”, diz com orgulho e salienta que faz questão de mostrar as suas origens, bem como usar elementos de Cabo Verde na música que põe. “Onde quer que vá, encontro cabo-verdianos ou uma pessoa que tem alguma ligação com Cabo Verde (risos)”.

Em junho deste ano também conseguiu atuar em Ibiza (ilha espanhola reconhecida mundialmente pela vida noturna), um destino ambicionado por vários profissionais da área. “Tenho um tio, irmão do meu pai, que me dizia sempre: “Ainda não és DJ, ainda não foste à Ibiza (…) Quando regressei (de Ibiza) ele disse-me: Parabéns, agora és DJ”.

“É o destino mais procurado para festas no verão, com grandes palcos. Fui a convite de uns promotores portugueses (…) quando cheguei lá nem estava a acreditar, foi como se estivesse a viver um sonho. As pessoas vibraram muito durante o meu set, mesmo o dono do espaço disse que eles gostaram muito da minha apresentação (…) penso que agora tenho uma porta aberta”.

Questionado sobre os planos para o futuro, Hebraico diz que já teve muitas metas mas que atualmente pensa que o mais importante é ser persistente. O jovem ambiciona “tocar no maior número possível de países, levar a bandeira de Cabo Verde para o máximo de palcos no mundo, dentro do afrohouse,” e ainda “abrir as portas para outros DJs de Cabo Verde”.

“É uma profissão como outra qualquer, tive de sair para fora porque o mercado é pequeno, mas Cabo Verde permite ter uma boa base”, salienta. 
Mas afinal o que faz um bom DJ? Hebraico explica que há vários fatores e não é só a música, mas também uma boa rede de contactos, a experiência, a postura profissional, a equipa que trabalha contigo, produzir as próprias músicas e apostar nas redes sociais. “Se calhar no tempo do meu pai, era só a música que contava. Hoje já não”.

Salienta que é “importante estabelecer uma conexão com o público” e as festas e eventos onde atua não são apenas momentos, mas sim experiências. Por isso defende que ter um conceito associado as suas atuações é importante.

O público cabo-verdiano é bastante desafiante, diz. “Em Cabo Verde é mais desafiante agradar as pessoas”.

Até dezembro pretende lançar quatro músicas próprias, uma das quais com um artista de Cabo Verde, mas não revela o nome.

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