Dorianne Taw, uma dançarina que se descobriu no circo e no artesanato

Natural da Vila da Palmeira, uma localidade piscatória da ilha do Sal, Dorianne Taw é uma jovem que se expressa através da arte. Começou na dança, depois apaixonou-se pelo artesanato e circo. Atualmente, é uma das integrantes da companhia Sal&Circo.

Dorianne Tomar, mais conhecida por Dorianne Taw, tem 30 anos e é bailarina, artista circense e artesã. Começou a dançar ainda criança, um gosto que herdou da avó, e a partir dos 20 anos começou a se conectar com o circo, bem como o artesanato. Há cerca de 8 anos, juntamente com os artistas circenses brasileiros Martin Isernhagen (Mantega) e Rafael Gonçalves (PikaPau fundaram a companhia Sal&Circo.

“A minha paixão pela dança começou desde tenra idade, influenciada pela minha avó Maria Luiza, e a partir daí comecei a gostar da arte. Tenho uma boa afinidade com a dança. (…) A dança é inspiradora e libertadora (…) Cheguei a participar em algumas atividades e dos 14 aos 23 anos trabalhei na área de animação em Santa Maria”, conta e revela que foi a partir daí que começou propriamente a sua paixão pelo palco.

Através da dança a salense teve a oportunidade de conhecer diversos artistas internacionais que passaram pela ilha do Sal, como é o caso dos brasileiros Anonymous Brothers, formado por Martin Isernhagen (Mantega) e Rafael Gonçalves (PikaPau), com os quais teve o primeiro contacto com o circo, uma arte que considera “mágica” e com os quais mais tarde formou a “família” Sal&Circo.

“Na altura, tinha 20 anos e quando vi os Anonymous Brothers fiquei encantada e apaixonada, tendo os convidado a realizar um show na localidade de Palmeira. (…) Foi muito bom e desde então estamos conectados”, conta e diz que começou como assistente de mágica e, aos 23 anos, largou o emprego para se conectar com o circo, uma arte que até então tinha visto apenas na televisão. “O circo não fazia parte da nossa cultura.”

Há cerca de 8 anos, o Anonymous Brothers transformou-se na companhia Sal&Circo e fixou residência no Sal. Atualmente, é formada pelos três: Rafael Gonçalves (PikaPau), com o qual Dorianne tem dois filhos, Martin Isernhagen (Mantega) e a própria Dorianne.

Os espetáculos do Sal&Circo envolvem malabarismo, acrobacia, aéreo (dança que envolve tecido), firshow (show com fogo), magia, comédia, show de luzes, entre outros. “Trabalhamos em vários lugares, não só em palco. O show de rua é a nosso ponto forte.”

Apesar de ser uma ilha com escassez de arte, segundo Dorianne, o Sal tem sido o principal palco do Sal&Circo. “Já participamos em várias atividades, inclusive já fomos para o Mindelact. (…) A ambição é expandir para as outras ilhas e para fora do país. No dia 09 de junho, vão participar num festival de circo em Barcelona, na Espanha.

A companhia é mentora do Festival Internacional de Circo de Cabo Verde que já vai na sua terceira edição, tendo a última edição acontecido antes da pandemia. “Pretendemos retomar o festival no próximo ano.”

Apesar de ser uma novidade em Cabo Verde, Dorianne diz que a arte circense está a ser valorizada no país, principalmente, pelos artistas. Mas lamenta a falta de uma escola de arte na ilha do Sal. “O Sal é uma ilha que está bem desenvolvida, mas precisa ainda, por exemplo, de uma escola de ballet ou um espaço onde se pode encontrar de tudo um pouco.”

Dorianne também tem apostado em partilhar um pouco daquilo que tem aprendido ao longo desses anos, dá aulas de aéreo e ioga em casa e almeja ter um espaço maior. “Tenho alguns alunos que, brevemente, vão fazer parte da equipa Sal&Circo.”

 

SandyArt, transformar lixo em artigos de decoração feitos à mão

O artesanato é outra paixão de Dorianne, que é mentora do projeto SandyArt Cabo Verde (trabalho em areia), que consiste em transformar o lixo em artigos de decoração feitos à mão.
“Eu e a minha família sempre gostamos do mar e de frequentar a praia de Santa Maria. O meu filho sempre teve a preocupação de recolher o lixo e a partir daí comecei a consciencializar e decidi transformar o lixo que produzimos em casa. Trabalho com embalagens de leite, copos de iogurte, vidros, garrafas, papelão, areia (há diferentes tipos), pneus, búzios, (…)”, diz e revela que o marido também é “um grande artista” e partilham esse dom com os filhos de 13 e 10 anos

Dorianne faz vasos, espelhos, agendas, garrafas decorativas, espanta espíritos, entre outros, tem uma página nas redes sociais. “Temos uma página no Instagram onde divulgamos a nossa arte. Inove a cada dia que passa. (…) Temos uma loja de tatuagens e piercings em Santa Maria, onde também fica sediada a SandyArt. PikaPau faz as tatuagens e eu faço os piercings. Respiramos arte. A nossa vida diária é arte. (…) Queremos ajudar as pessoas a se inspirarem nas suas artes, confiar nelas próprias e deixar a arte se expressar.”

SandyArt é um hobby que se transformou em negócio. “Não falo muito em preços porque é um projeto que veio do coração. Começou como uma forma de presentear as pessoas. Gosto de oferecer peças feitas por mim e incentivo os meus filhos a fazer o mesmo. (…) Hoje ganho com as peças, mas não dou muita importância aos preços. Os produtos saem com muita facilidade não só para os locais como também por turistas. Os produtos têm um preço acessível porque são feitos com muito amor e delicadeza. (…) Cada peça é única”, diz.

No que tange a planos para o futuro, Dorianne almeja ter o seu próprio palco como forma de dar oportunidade a outros artistas circenses, bem como cantores, dançarinos, etc.

“Para mim cada momento é uma arte. Vejo tudo com olhos de arte. A arte para mim é liberdade”, conclui.

 

(Artigo atualizado no dia 05/05/2023)

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