Dynamo e June Freedom são os mais galardoados da gala dos CVMA 2022

Numa noite que se prolongou até à madrugada, a gala dos Cabo Verde Music Awards foi marcada por uma falha de energia e por vários momentos de discursos emocionados.
Dynamo

A XI Edição da gala dos Cabo Verde Music Awards, que este ano aconteceu no Dia Internacional da Música, 1 de outubro, começou com uma hora de atraso com a habitual passadeira vermelha que estava a cargo dos apresentadores Kathy Moeda e Joel Almeida.

Perante um público que foi chegando aos poucos, o red carpet foi prolongado até às 22h30, quando Josslyn subiu ao palco para a abertura oficial da gala que premeia a música de Cabo Verde. A cantora santantonense dividiu o palco com a mindelense Ceuzany Pires e a rapper praiense Indira Pires.

De seguida, entraram em cena os apresentadores Dorival Bettencourt e a portuguesa Catarina Furtado que convidaram o presidente do júri dos CVMA, Osvaldo Moura, e ainda os parceiros Mário Bettencourt e Arlinda Peixoto a subir ao palco para dar início a revelação dos vencedores das categorias técnicas – Melhor BeatMaker, Melhor Produtor e Melhor Videoclipe.

O troféu de Melhor BeatMaker foi para Platini Beatz com o tema “Ku bo te fim”. Cláudio Ramos foi eleito Melhor Produtor com o tema “Primavera” do artista salense Dynamo. Já Dieg venceu na categoria de Melhor Videoclipe com o single “Mununo”.

Na categoria Melhor Coladeira, o tema “Bo Mister” de Diva Barros foi o escolhida pelo júri. É de realçar que este ano esta música foi distinguida na categoria “World Music” nos International Portuguese Music Awards, IPMA, nos Estados Unidos da América.

O tema “Na Mei” de YuraBeatz venceu na categoria Melhor Afrobeat/Afrohouse. Já o galardão de Artista Revelação, que estava a ser disputado por Ary Kueka, Edwin Vibez e Mureno, foi para o Edwin Vibez que fez a sua estreia nos CVMA. Visivelmente emocionado, o mindelense que veio acompanhado pela mãe disse que não estava à espera. Depois passou-se para um momento musical com a finalista do The Voice Portugal 2019, a artista portuguesa Joana Alegre.

Seguiu-se a atuação de um dos nomeados da noite, o cabo-verdiano, radicado nos EUA, June Freedom.

O relógio já passava das 23h30 quando se deu um blackout, que durou cerca de 30 minutos. Segundo a organização, a falta de energia foi derivada de um curto circuito que aconteceu na zona de Achada São Filipe e afetou o bairro onde estava a decorrer a cerimónia.

Mário Marta, um dos artistas mais nomeados desta edição, venceu na categoria Melhor Funaná com o tema “Es ka ta reia”. É de recordar que, no ano passado, o músico da Broda Music levou para casa dois galardoes – Melhor Intérprete Masculino e Melhor Coladeira. “Este é o quarto prémio que recebo em 50 anos (de vida)”, frisou Mário Marta e apelou aos presentes a não desistirem dos seus sonhos.

Após o anúncio do vencedor desta categoria, segundo relatos de presentes no local, o MC Prego Prego que estava nomeado nesta, bem como noutras categorias entre as quais Música Popular do Ano, abandonou o evento.

O tema “Voei de Mim” de Dino D’Santiago, que não pode estar presente na gala, foi eleita a Melhor Música Tradicional.

Seguiu-se a entrega do prémio Melhor Hip Hop que foi para o single “Strada” de Rapaz 100 Juiz feat Fattú Djakité.

De Portugal chegou James Reis, cantor filho de pais cabo-verdianos, para mais um momento musical. Esta foi a primeira atuação do artista em Cabo Verde.

No relógio já passavam das 00h40, quando Soraia de Deus, Gisela Coelho e o angolano C4 Pedro, um dos artistas convidados, subiram ao palco para anunciar o vencedor na categoria Melhor Colaboração que foi para William Araújo, Dynamo e Djodje com o tema “Suleban”. O troféu foi recebido por William Araújo e Dynamo que além da família, agradeceram todos que de uma forma ou outra colaboraram no tema.

Já o galardão Ritmo Internacional foi para o tema “Andreia” de June Freedom. “Agradeço a Deus pelo dom. É um bocado triste porque a “Andreia” acabou por falecer vítima de cancro”, revelou o artista que chamou Mark Delman ao palco a quem entregou o troféu.

O tema “Primavera” de Dynamo voltou a ser premiado ao ser eleito como Melhor Kizomba. “Como digo sempre, tenho os maiores fãs do mundo. Obrigado!”, afirmou o artista.

Neuza recebe Prémio Ação Social

A foguense Neuza de Pina foi distinguida com o Prémio Ação Social, pelo trabalho que tem vindo a desenvolver enquanto ativista no combate à VBG e o abuso sexual. O galardão foi entregue pela presidente do ICIEG, Marisa Carvalho, e pela coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, Ana Graça.

“Obrigada! Vejo que as minhas lutas que tenho dedicado têm chegado a todos. Já que temos aqui membros do Governo e de pessoas que podem fazer alguma coisa por Cabo Verde pergunto: Quando vão dar às mães deste país uma forma de não ficarem em silencio no que diz respeito ao abuso sexual?”, frisou Neuza.

Seguiu-se mais uma atuação musical com outro convidado especial, o sueco-congolês Mohombi, que é vencedor de vários prémios internacionais e cuja atuação foi resultado de uma parceria com o Mansa Musik Group.

Ceuzany e Big Rasta subiram ao palco do evento para cantar “Mundo Maguado”.

Nenny foi distinguida com o galardão Melhor Intérprete Feminina com o single “Tequila”. A cantora não pôde estar presente e o prémio foi entregue a uma tia que agradeceu pelo reconhecimento.

O tema “Andreia” também rendeu a June Freedom o troféu de Melhor Intérprete Masculino. O artista dedicou o prêmio a “Andreia”, jovem que inspirou o tema e que faleceu vítima de cancro.

De Angola directamente para o palco dos CVMA, C4 Pedro fez o público dos CVMA tirar os pés do chão, inclusive o Presidente da República, José Maria Neves, e primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

Nancy Vieira foi distinguida na categoria Melhor Morna com o tema “Sabu”, um poema que foi escrito pelo Presidente da República, José Maria Neves, e musicado pelo Kaku Alves.

Já “Resiliente” de Batchart foi eleito o Melhor Álbum do Ano. O artista que recebeu o prémio das mãos do Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, agradeceu a todos que participaram deste trabalho e enalteceu os que se mantém resilientes perante as adversidades da vida.

De seguida, a apresentadora Catarina Furtado desafiou o Chefe de Estado para uma dança ao som de Khaly Angel.

Prémio Carreira foi para Antero Simas

O Prémio Cesária Évora foi entregue a título póstumo ao compositor e músico Antero Simas que faleceu este ano vítima de doença prolongada. O galardão foi entregue pelo PR ao filho do malogrado, Kaunda Simas, que estava visivelmente emocionado e recordou a generosidade que era característica ao pai.

O artista foi recordado com o “hino” Doce Guerra”, “uma das mais de 100 composições do artista”, interpretado por Mário Marta, Nancy Vieira, Neuza de Pina e Diva Barros.

E para o fim ficou a revelação mais aguardada da noite. “Primavera” de Dynamo foi eleito pelo público a Melhor Música do Ano. O prémio foi entregue ao artista pelo presidente da CV Telecom, João Domingos, e pela Dilza Soulé, da organização dos CVMA, que agradeceu a todos e recordou os antigos mentores do evento.

A XI edição dos CVMA chegou ao fim por volta das 03h00 da madrugada ao som de Primavera de Dynamo, que este ano celebra 10 anos de carreira e que convidou todos os artistas presentes ao palco. 

Durante a gala, a representante do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, parceiro do evento, confirmou que o MCIC vai apoiar a próxima edição.

 

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