Escritor José Cabral defende urgência na promoção do hábito de leitura em Cabo Verde

O escritor cabo-verdiano José Cabral, distinguido com o Prémio Literário Arnaldo França, disse hoje que o prémio é um “estímulo” para prosseguir, mas defendeu uma “certa urgência” na promoção do hábito de leitura no País.

Em declarações à Inforpress, José Cabral, que venceu o galardão com o romance “Destino Aziago”, atribuído pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, com a Imprensa Nacional de Cabo Verde, começou por dizer que o prémio o incentiva a não parar e sim, continuar, não obstante as dificuldades para publicar.

“Como é sabido, lê-se muito pouco em Cabo Verde e por se ler pouco não se consegue vender livros para rentabilizar uma obra, consegue-se tirar tiragens de 500, no máximo, e este número não rentabiliza a obra, patrocínios não há então é uma grande dificuldade que não incentiva e um prémio deste estimula a não parar”, afirmou o escritor sanicolauense.

A seu ver, este arquipélago tem “muita coisa para destapar”, tendo mencionado que o livro “Destino Aziago” é um pouco a história recente de Cabo Verde ficcionada.

Por isso, José Cabral diz sentir “honrado” e “grande satisfação” por receber esta distinção, já que, enfatizou, a sua pretensão era esta, contribuir para o conhecimento de Cabo Verde porque, argumentou, “não é bem verdade” que a história de Cabo Verde desde antes da independência “esteja bem contada”.

Conforme tem observado, os jovens de agora não conhecem nada da história da independência nacional, porque não se ensina nas escolas, daí que, sublinhou, a ficção é uma forma de explicar os ocorridos antes e depois da independência sendo o livro “Destino Aziago” uma referência, já que vai desde a independência [1975] até a abertura política [1991].

“Então, é uma honra e prestígio à ilha que produziu grandes escritores – São Nicolau – alguns conhecidos e outros nem tanto e depois paramos, então é uma forma de edificarmos a memória daqueles que nos antecederam”, aclarou.

José Cabral revelou ter vários projectos na gaveta, tendo mencionado que há mais de 10 anos escreveu uma obra infantojuvenil, numa altura em que, sendo também ambientalista, estava muito envolvido com a protecção das tartarugas marinhas.

Entretanto, segundo o escritor, para tirar obras da gaveta precisa-se sair a “mendigar”, bater de porta em porta para conseguir financiamento para publicações, no entanto, avistou que se um escritor conseguisse vender, por exemplo, 10 mil exemplares em Cabo Verde não havia necessidade de pedir apoio, ia directamente à banca e depois pagava a dívida.

Mas, reiterou, em Cabo Verde não se lê, e não está muito motivado para bater às portas.

Todavia, disse, por outro lado, que a obra “Acushnet Avenue – Pelos caminhos de Chiquinho”, que é a continuação do “Chiquinho”, de Baltasar Lopes da Silva, tem sido um caso “excecional”, e atribuiu as vendas “à boleia que pegou no Chiquinho, de Baltasar Lopes da Silva”.

Para José Cabral, as pessoas compram as obras por serem continuação da obra Chiquinho, e, por terem curiosidade em saber o que se “passou com o senhor Chiquinho”, provavelmente o “Destino Aziago” poderá vender.

Em outras ocasiões, se vende no dia da apresentação e depois os livros ficam a “mofar” nas prateleiras, uma vez que, reiterou, há necessidade de promover “urgentemente” o hábito de leitura em Cabo Verde.

Nesta senda, admitiu ter “muito mais” expectativas no exterior do que dentro do País, tendo alegado que os seus livros têm muita saída nos EUA, Holanda, países onde são levados por “meios próprios” porque as editoras nacionais “não têm grandes capacidades” de exportar livros para o estrangeiro.

Inforpress

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