“Escritos Ucranianos” pode ser o título da próxima obra literária de Jorge Carlos Fonseca

 O escritor e poeta Jorge Carlos Fonseca anunciou, em Luanda, Angola, que a sua próxima obra literária poderá ser “Escritos Ucranianos”, um título ainda provisório.

“Pode parecer estranho um cabo-verdiano escrever escritos ucranianos. Mas são textos que me são suscitados pela invasão russa da Ucrânia e faço uma ligação com o meu país, os nossos problemas, a maneira como os cabo-verdianos reagiram a isso ou não”, observou o ex-Presidente da República de Cabo Verde.

Jorge Carlos Fonseca fez esta revelação, em entrevista ao Jornal Angolano de Artes e Letras (JAAL), por ocasião do lançamento, na capital angolana, no domingo, 28, da sua mais recente obra literária “A Grua e a Musa de Mãos Dadas”.

“São textos imaginativos, já são 28 fragmentos, quem sabe um dia venha publicar um livro com esse título “Escritos Ucranianos”, adiantou.

Nesta entrevista, o escritor confessou que, quando exercia as funções de Presidente da República, escrevia sobretudo à noite e durante as madrugadas.

“Escrevo em qualquer momento. Mas quando exercia função de Presidente da República, num dia normal, podia não ter tempo para pegar a escrita literária, por isso escrevia sobretudo à noite e durante as madrugadas”, disse o ex-chefe de Estado ao JAAL, durante a sua recente visita a Angola, onde participou na I Conferência Internacional sobre políticas públicas e administração pública, a convite da Fundação Piedoso.

Nesta entrevista, Jorge Carlos Fonseca explica como surgiu “A Grua e a Musa de Mãos Dadas”.

“Esta grua podia não existir, mas existe. Tentei recriá-la, humanizá-la”, começa por explicar o escritor e ex-Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, a uma vasta plateia que se deslocou à sede da UEA para apresentação do seu mais recente livro.

Conta que como Presidente a trabalhar na cidade da Praia, no Palácio, tomava café num hotel próximo. E pelo caminho avistava sempre uma construção com uma “grua monstruosa”, que se tornou uma companheira quase diária das fugas que fazia ao hotel para tomar o café.

“Comecei a registar o diário da grua, nas diferentes posições. O manuseio dos trabalhadores, as cores, foi como se criasse uma personagem, com vida própria”, diz Jorge Carlos Fonseca.

Referindo-se à sua trajetória política, indicou que desde sempre esteve à procura da liberdade que, para ele, “é o valor fundamental, mais do que a democracia propriamente dita”.

“A democracia para mim é um sistema, é um instrumento para realizar a liberdade. O que me move é batalhar para que os homens sejam livres. E as sociedades sejam de pessoas livres. Essa liberdade para a escrita é fundamental”, acentuou Fonseca.

“E é por causa desse valor que fui militante clandestino pela luta de independência de Cabo Verde e Guiné Bissau, foi por isso que depois fui dissidente do PAIGC em 1979, tive problemas políticos, fui obrigado a sair do país”, sublinhou Fonseca, acrescentando que, movido pela liberdade, regressou e criou grupos políticos de oposição ao PAIGC, tendo mais tarde participado na criação do Movimento para a Democracia (MpD) e depois dissidente do mesmo partido.

E depois saí dos partidos políticos desde 1998. Eu candidatei-me a Presidente como independente.

Inforpress

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