Faleceu poeta cabo-verdiano Nuno Miranda aos 97 anos de idade

O poeta, romancista e ensaísta mindelense Nuno Álvares de Miranda faleceu esta terça-feira, 12, aos 97 anos, em Lisboa, Portugal, país onde viveu quase toda a sua vida.

Nuno Álvares de Miranda era natural da ilha de São Vicente, onde nasceu a 23 de outubro de 1924, mas viveu quase toda a sua vida em Portugal, que acabou por ser o lugar também da sua morte.

O escritor, conforme informações da Porto Editora, evidenciou-se no panorama literário cabo-verdiano através da revista Certeza (1944) – projeto literário social e ideológico de relevo, que este autor depois “renegaria”, partindo para uma poesia muito própria, escrita e sentida longe de Cabo Verde, em Lisboa.

“Na sua poesia pode constatar-se a curiosa existência de duas formas ambientais, dois cenários, dois meios, afastados entre si por diversos pormenores (pessoais e gerais), ligados apenas pela mão de um poeta que, mesmo estando numa grande cidade, sentia e pensava como um insulado, um ilhéu”, sublinhou a mesma fonte.

Licenciou-se em Ciências Histórico Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e como profissional exerceu como jornalista e pivot na emissora nacional portuguesa RTP e foi diretor do jornal de imprensa regional Notícias de Oeste.

Nuno de Miranda foi editor e colaborador da revista Claridade, co-fundador e redator do movimento literário Certeza, colaborador da revista Arte e Letras e autor de inúmeros artigos publicados na imprensa portuguesa e cabo-verdiana.

Esteve como colaborador da Junta de Investigações Científicas do Ultramar e membro da Academia Cabo-verdiana de Letras.

Entre os prémios que recebeu durante a sua vida, foi por duas vezes distinguido com o Prémio Camilo Pessanha (poesia) em 1961 e 1964.

Foi galardoado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por atividades no âmbito da Cultura afro-luso-brasileira e também galardoado pela Associação Brasileira de Antropologia da Amazónia, de Manaus, Brasil.

Na área cultural, foi responsável pela organização de atividades culturais de divulgação de vários artistas plásticos.

Na sua bibliografia conta com várias obras, entre estas poéticas, como “Cais de Ver Partir”, “Gente da Ilha”, “Cancioneiro da Ilha”, “40 Poemas Escolhidos”; de ensaios, exemplos de “Epiderme em alguns textos”, “Compreensão da Ilha”; de contos como “Gente da Ilha”, e de romances, entre os quais, “Caminho Longe” e “Cais de Pedra” e muitos outros poemas e artigos ao longo dos anos

Inforpress

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