Fundação quer que Governo assuma candidatura dos escritos de Amílcar Cabral a programa da Unesco

A Fundação Amílcar Cabral quer que o Governo assuma todo o processo de candidatura dos escritos de Amílcar Cabral ao programa da Unesco “Memórias do Mundo” como um elemento de valorização política, cultural e intelectual.

A intenção foi manifestada pelo presidente da Fundação Amílcar Cabral, Pedro Pires, depois de se reunir com o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, onde assegurou que existe um interesse nacional em torno desta candidatura.

Trata-se, segundo o comandante Pedro Pires, de um dos assuntos “mais importantes” da fundação que vai permitir ao País ganhar um elemento de valorização política, cultural e intelectual, porque os escritos de Amílcar Cabral são estudados em centenas de universidades do mundo.

“Agarrar do símbolo de Amílcar Cabral como meio de promoção cultural e intelectual é importantíssimo tendo em conta o facto da pessoa que é, do conhecimento que se tem dele lá fora e da personalidade que ele é”, referiu o ex-Presidente que considerou que é algo que se deve valorizar para a promoção do arquipélago.

Para o comandante, o Governo devia assumir todo esse processo de candidatura uma vez que é algo nacional do qual “Cabo Verde ganharia muito”.

“Precisamos da colaboração do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, mas o que queremos é que o Estado de Cabo Verde e o seu Governo assumam essa missão da candidatura dos escritos de Amílcar Cabral ao programa da Unesco “Memórias do Mundo”, apontou.

Segundo disse, para além dos recursos financeiros necessários, serão precisos também recursos políticos do Governo.

Por outro lado, estão a trabalhar na comemoração do centenário de Amílcar Cabral, que pode ser um acontecimento extraordinário que poderá trazer ao País pessoas de diversos interesses e de origens.

Pedro Pires assegurou que a Guiné Bissau é uma “parte indispensável” nesses dois projectos, mas sublinhou que o seu engajamento não depende só de Cabo Verde.

Por seu turno, Abraão Vicente, assegurou que o Governo já está a dar passos e afinar o alinhamento deste processo e em Maio deste ano terá uma resposta sobre o financiamento desta candidatura.

“A Fundação Amílcar Cabral fez o trabalho benevolente e voluntário de investigação prévia, e toda a investigação feita até agora serve como anexo ou base de suporte ao preenchimento do formulário guia base padrão de qualquer candidatura a património mundial da humanidade”, explicou.

Tendo em conta que toda a investigação terá de ser sistematizada e compilada, afirmou que foi solicitada uma consultoria à Unesco no valor de 25 mil dólares para financiar a vinda de especialistas internacional para a assessoria, e para formatar e formar a Comissão Nacional Memórias do Mundo para cumprir a sua missão não só na candidatura dos escritos de Amílcar Cabral, mas de qualquer outros escritos.

“Devemos ter até Junho/Julho a concretização do workshop com a participação da Fundação Amílcar Cabral, mas o objectivo aqui é ter um dossiê com possibilidade de ser aceite e inscrito”, acrescentou o ministro.

Amílcar Cabral, que é considerado o “pai da nacionalidade cabo-verdiana”, nasceu a 12 de Setembro de 1924 e é o intelectual e político revolucionário cada vez mais lido, respeitado e referenciado em África e no mundo, sendo que se estivesse vivo, completaria 100 anos em 2024.

Inforpress

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