Gamboa 2024 encerra sem atuações de Lejemea, Chando Graciosa e Herderos di Codé Di Dona por falta de tempo

No último dia, 19, estava previsto também o regresso de Paulinha ao palco do festival, mas devido a motivo de viagens aos Estados Unidos da América não foi possível.

O terceiro e último dia da 30.ª edição do Festival da Gamboa que aconteceu neste domingo, 19 de maio, na cidade da Praia, terminou por volta das duas horas da manhã desta segunda-feira, 20 de maio, sem as atuações do Lejemea, Chando Graciosa e Herderos di Codé Di Dona.

O festival, que estava previsto arrancar às 19h00, teve o seu alinhamento alterado. O grupo Tabanka Djaz era o primeiro a subir ao palco, mas foram substituídos pela atuação do artista praiense Vhabulla, que fez o público cantar as suas músicas conhecidas por suas letras de intervenção social.

A banda guineense só conseguiu fazer o soundcheck por volta das 21h40. Dezassete minutos depois, a primeira música foi cantada e só assim conseguiram animar o público que se deslocou à praia da Gamboa para prestigiar os artistas.

“Estamos contentes por um lado e tristes por outro. Nós viemos com um espetáculo de uma hora e acabamos por fazer vinte e sete minutos. Tínhamos saudades de Cabo Verde, há quanto tempo que não vínhamos cá e queríamos brincar com o nosso público e fazer coisas diferentes. O mais importante é que se gostaram do pouco que fizemos já é bom”, disse o representante do grupo.

Questionado sobre o que teria condicionado a atuação da banda, o mesmo considerou serem os atrasos e defendeu que “o grupo já se encontrava pronto para fazer os testes de som desde às 14h deste domingo”.

“O espetáculo de ontem (sábado) terminou hoje (domingo) às onze da manhã, se não me engano, então os técnicos estão cansados e acabam por chegar mais tarde. Eu acho que quando é assim, devem ter duas equipas a trabalhar, uma durante a noite e outra durante o dia, para pelo menos fazer o soundcheck das bandas”, considerou.

Seguida aos ritmos da Guiné- Bissau, o rapper Ga D Lomba, também levou as letras “reflexivas” de suas músicas para os presentes, no intuito de “quebrar os paradigmas atuais da sociedade”, com é o caso da música “Dor de corno” cantada em parceria com Josslyn.

“Hoje contamos inúmeros casos de feminicídio ligados aos comportamentos alheios, em que temos uma sociedade muito machista, onde um homem pode ter várias companheiras e é considerado normal, mas se a mulher fizer o mesmo, ela pode pagar com a vida”, sublinhou.

Outros artistas como Ste Mandela e banda, subiram e fizeram o público dançar ao som do reggae. 

A 30.ª edição da Gamboa estava prevista encerrar à meia-noite, momento em que Cjey Patronato, o quinto artista entre os 12 que estavam confirmados, terminou o espetáculo. Depois seguiram-se os shows de Jonatthon, Eddu e Zé Delgado que entraram em palco e tiveram de reduzir o número de músicas que tinham para apresentar, seguindo “as ordens da organização”.

Após a atuação de Zé Delgado, deu-se lugar ao último artista, Mika Kutubelada, que encerrou os shows do último dia do Festival da Gamboa ao ritmo do Funaná.

Já se contavam duas horas da manhã quando os artistas Lejemea e Chando Graciosa, presentes no areal, não puderam prestigiar o público e prometeram voltar em outras ocasiões.

“Estávamos disponíveis para dar o nosso máximo, tivemos dias de ensaios para finalmente virmos dar o nosso espetáculo, após cinco anos sem vir ao Gamboa. Mas, contra força não há resistência, a organização entrou em contacto connosco, explicaram as razões e entendemos”, comentou Lejemea, que lamentou o facto de não ter se apresentado para os fãs.

Já Chando Graciosa disse que “é uma situação pouco agradável, mas todos entendemos. Tanto a organização como os representantes da Câmara mostraram os seus esforços em nos fazer subir ao palco, mas não foi possível”.

“Tendo em conta o número do público presente antes e agora, viu-se que não valia a pena atuar. Mas prometeram que dentro em breve, estaremos cá para cumprir com o esperado”, completou.

Além dos dois artistas, o grupo Herderos di Codé di Dona também não atuou, mas a equipa do Balai não conseguiu localizar para prestar declarações.

A cantora Paulinha, que também ia fazer o seu retorno aos palcos da Gamboa, não conseguiu marcar presença no festival por questões relacionadas com a viagem feita para os Estados Unidos da América (EUA) onde apresentou recentemente o seu primeiro show após uma pausa na carreira.

Ainda no final do evento procuramos o vereador da Cultura da Câmara Municipal, Jorge Garcia, para prestar declarações à imprensa e explicar as razões por detrás dos atrasos que levaram à não atuação dos artistas, o mesmo explicou que “não teria mais a comentar”.

ARTIGO ATUALIZADO A 20 DE MAIO DE 2024 ÀS 17:58

Nélida Vaz

Nélida Vaz

Jornalista e editora de conteúdos do Balai Cabo Verde.

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