Jacira da Conceição acredita que se está a assistir um novo momento para cerâmica de Cabo Verde

A artista ceramista e escultora cabo-verdiana Jacira da Conceição considerou esta quinta-feira, em Lisboa, que ao participar numa exposição com mais 12 artistas de vários países, representa um novo momento para a cerâmica de Cabo Verde.

Em declarações à Inforpress em Lisboa, à margem da exposição “O Estado do Mundo: Museu do Atlântico Sul”, promovida pelas Galerias Municipais de Lisboa, no Pavilhão Branco, que vai ficar patente ao pública de 22 de Setembro a 15 de Janeiro de 2023, em que a cabo-verdiana participa, ela disse estar “orgulhosa e lisonjeada”.

“Para mim, estar nesta exposição representa um novo momento para a cerâmica de Cabo Verde. Para mim é um orgulho, sinto-me lisonjeada e trazer a nossa cerâmica, não num contexto artesanal, mas num contexto da arte contemporânea e fazer parte da história é importante”, frisou.

A artista cabo-verdiana que participa com cinco peças, contou que a sua inspiração e o seu trabalho é “tudo a volta da mulher cabo-verdiana” e tendo sido “criada no meio das mulheres”, elas são uma fonte de inspiração, como a avó e a mãe, que considera uma “mulher empoderada”, ou outras cabo-verdianas.

“Quando falamos de arte, temos grandes artistas em várias áreas, mas se formos ver uma mulher escultora, são muito poucas”, referiu a artista que nasceu em Chão Bom, concelho do Tarrafal, interior da ilha de Santiago, insistindo que é preciso começar a olhar a mulher cabo-verdiana numa outra perspetiva, “porque não é preciso ser doutora para ser empoderada”.

Jacira da Conceição iniciou a sua atividade como escultora na relação que estabeleceu com a comunidade de oleiras da localidade de Trás os Montes, também no Tarrafal, e agora a viver em Portugal com a família, em Montemor-o-Novo, tem o seu ateliê a partir do qual recebe vários convites para exposições.

Tem trabalhado e criado esculturas e outras peças para várias entidades cabo-verdianas, como a Embaixada de Cabo Verde em Portugal, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, mas também o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, o Museu Nacional de Arte Contemporânea, entre outras.

Para além da Jacira da Conceição, os artistas Assaf Gruber, Charbel-joseph H. Boutros, Gisela Casimiro, Rodrigo Ribeiro Saturnino, Jonathan Monk, Juraci Dórea, Luísa Mota, Marcelino Santos, Márcio Carvalho, Maxim Malhado, Tenzin Phuntsog e Tuti Minervino participam na exposição “O Estado do Mundo: Museu do Atlântico Sul”.

A exposição conta ainda com obras de coleções de carácter etnográfico e uma diversa documentação sobre processos emancipatórios em nações africanas e publicações que registam o pensamento do filósofo e educador português Agostinho da Silva (1906-1994).

“A exposição explora o projeto imaginado pelo filósofo e educador português Agostinho da Silva durante os seus anos de exílio no Brasil: um museu dedicado ‘à capacidade fraternal de entrelaçamento do diverso’ numa ordem pós-independências”, explica o curador da exposição, Marcelo Rezende.

Segundo ele, conceitualizado por Agostinho da Silva em 1965, o “Museu do Atlântico Sul” deveria estar localizado na fortaleza de São Marcelo, em Salvador da Bahia (Brasil), com uma coleção organizada a partir de objetos históricos e etnográficos, e peças artísticas provenientes de todos os países que integrariam o que o pensador português definia como o “Novo Equador”.

No entanto, de acordo como a mesma fonte, o “Museu do Atlântico Sul” nunca foi efetivamente construído, permanecendo como uma ideia e possibilidade para novas formas de interação cultural e política.

Inforpress

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