Jacira da Conceição participa na exposição “O Estado do Mundo: Museu do Atlântico Sul” em Lisboa 

A artista cabo-verdiana Jacira da Conceição é uma das convidadas para participar na exposição “O Estado do Mundo: Museu do Atlântico Sul”, promovida pelas Galerias Municipais de Lisboa, no Pavilhão Branco, a partir de hoje.

De acordo com informações disponibilizadas pelos promotores, a exposição, que vai ficar patente ao pública de 22 de Setembro a 15 de Janeiro de 2023, terá em exibição obras de 13 artistas e coleções de carácter etnográfico.

Para além da Jacira da Conceição, os artistas Assaf Gruber, Charbel-joseph H. Boutros, Gisela Casimiro, Rodrigo Ribeiro Saturnino, Jonathan Monk, Juraci Dórea, Luísa Mota, Marcelino Santos, Márcio Carvalho, Maxim Malhado, Tenzin Phuntsog e Tuti Minervino participam com os seus trabalhos na exposição.

A exposição vai contar ainda com obras de coleções de carácter etnográfico e uma diversa documentação sobre processos emancipatórios em nações africanas e publicações que registam o pensamento do filósofo e educador português Agostinho da Silva (1906-1994).

“A exposição explora o projeto imaginado pelo filósofo e educador português Agostinho da Silva durante os seus anos de exílio no Brasil: um museu dedicado ‘à capacidade fraternal de entrelaçamento do diverso’ numa ordem pós-independências”, explicam os promotores.

Segundo o curador da exposição, Marcelo Rezende, conceitualizado por Agostinho da Silva em 1965, o “Museu do Atlântico Sul” deveria estar localizado na fortaleza de São Marcelo, em Salvador da Bahia (Brasil), com uma coleção organizada a partir de objetos históricos e etnográficos, e peças artísticas provenientes de todos os países que integrariam o que o pensador português definia como o “Novo Equador”.

No entanto, de acordo como a mesma fonte, o “Museu do Atlântico Sul” nunca foi efetivamente construído, permanecendo como uma ideia e possibilidade para novas formas de interação cultural e política.

A artista ceramista e escultora Jacira da Conceição nasceu em Tchom Bom, concelho do Tarrafal, interior da ilha de Santiago, e a sua actividade como escultora teve início na relação que estabeleceu com a comunidade de oleiras da localidade de Trás os Montes, também no Tarrafal.

A viver em Portugal com a família, em Montemor-o-Novo, tem o seu ateliê a partir do qual recebeu vários convites para exposições, tendo já trabalhado e criado esculturas e outras peças para várias entidades cabo-verdianas, como a Embaixada de Cabo Verde em Portugal, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, mas também o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, o Museu Nacional de Arte Contemporânea, entre outras.

Inforpress

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