Língua Materna: Ministro da Cultura considera que problemática das variantes do crioulo é uma falsa questão

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, considerou hoje, na Cidade da Praia, que a problemática das variantes do crioulo é uma falsa questão.

Abraão Vicente fez esta afirmação, à imprensa, quando convidado a pronunciar-se sobre a língua materna cabo-verdiana, no dia em que se comemora o Dia Internacional da Língua Materna, realçando que “continuaremos a ser uma nação incompleta” enquanto não reconhecemos a nossa língua materna como língua oficial.

Segundo o ministro, quando se fixa na problemática das variantes do crioulo para não o oficializar e dar o seu estatuto, será apenas um “escape”.

“Tenho estado a acompanhar todo o debate entre uns que parecem ser mais nacionalistas, porque defendem que o crioulo deve ser oficializado, e outros, que tem o argumento de que o crioulo não precisa ser oficializado para ganhar o estatuto de língua oficial”, referiu.

Entretanto, o governante afirma que este é um debate que tem de ser feito de maneira mais aberta e descomplexada, defendendo que a academia, os investigadores, os especialistas têm um papel fundamental a dar.

Conforme apontou, todo o relatório, todo o parecer que vem das academias, dos especialistas, é que o crioulo já tem o estatuto para ser ensinado, oficializado e ter maior dignidade no seu tratamento. 

“Defendo a inclusão de todas as variantes, aliás só ataca o ALUPEC quem nunca o estudou intensamente, não é um sistema perfeito, mas dá para escrever em todas as variantes, de todas as línguas, de maneira correcta”, sublinhou.

Abraão Vicente acrescentou que o importante agora não é adiar para um futuro determinado um trabalho que tem de ser feito agora, que é o início do ensino, tendo informado que o Ministério da Educação está a dar um passo crucial através da introdução de um período experimental do ensino da língua cabo-verdiana.

Por isso, defende que já é altura de oficializar o crioulo e espera que, sem radicalismo, sem um debate desinformado, mas através de um debate com serenidade, o Estado de Cabo Verde possa tomar uma decisão baseada na ciência e não na opinião de pessoas que “provisoriamente ocupam alguns cargos”.

Inforpress

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