Luna Cruz, a menina que se apaixonou pela morna

Canta morna, toca viola e guitarra e quer aprender a tocar piano. Por ocasião do Dia das Crianças, o Balai traz a história de Luna Cruz, uma cantora de morna de apenas 11 anos que vem conquistando o público praiense com a sua prestação nos palcos.

Natural da cidade da Praia, Luna Cruz estuda a 6ª classe na Escola da Capelinha, na Fazenda, e nos tempos livres é cantora de morna, tendo já atuado em vários palcos da capital do país. Influenciada pela mãe Gorete Cruz, uma professora do ensino básico que é formada em Educação Artística e amante de morna, Luna começou a se interessar pela música ainda em tenra idade quando a mãe lhe ofereceu uma viola de brinquedo.

“Certo dia, no Natal, Luna tinha apenas 4 anos, fomos comprar um presente e ela deparou-se com uma viola e não quis saber de outra coisa. Era o único instrumento musical que havia na loja e estava com uma das cordas estragadas. Ela fez de tudo para levá-la para casa e acabei por ceder. Em casa, ela pegava sempre na sua viola para tocar e depois aprendeu a cantar várias músicas em inglês, inclusive tenho um vídeo dela a tocar e a cantar com apenas 4 anos”, conta a mãe com um sorriso estampado no rosto.

Luna canta em todos os estilos, mas a paixão da mãe pela morna foi crucial para ganhar o gosto por esse género.

“A minha mãe costuma fazer as tarefas domésticas a cantar morna, ficava sempre ao pé dela a ouvi-la e fui ganhando o gosto. Certo dia, pedi-lhe para me ensinar a cantar morna”, diz Luna em entrevista ao Balai.

“Por mim, cantávamos todas as horas. Estou sempre a pedir-lhe para escutarmos uma morna e para aprender a letra. Mas o nosso dia a dia não é apenas música. Temos o nosso momento para brincar, estudar e para fazer algumas tarefas domésticas”, salienta a mãe.

Luna fez a sua estreia em palco aos seis anos. “Pedi à minha mãe para me colocar num palco de verdade e assim fez. Pôs-me a cantar num palco na minha escola no Dia das Mães e cantei a minha primeira morna “Mãe Querida” de Ildo Lobo em sua homenagem”, recorda a cantora que tem o falecido cantor como uma referência.

Foi um dia especial para ambas, principalmente para a mãe. “Fiquei muito feliz, porque quando eu era criança gostava de cantar. Faziam o concurso Pequenos Cantores no Parque 5 de Julho – na altura tinha 11 anos e estudava – e pedi à minha mãe para me deixar participar, mas nunca deixou. (…) Fiquei com essa vontade até hoje, mas não pretendo cantar. Mas quando a Luna me disse que queria cantar decidi realizar o seu sonho, algo que me foi recusado quando criança. Decidi apoia-la”, diz emocionada.

Como forma de melhorar as aptidões da filha, Gorete decidiu matricular a menina na Escola de música Pentagrama, onde Luna diz que despertou ainda mais o gosto pela música.

“Quando íamos ao Hotel Vulcão, na Cidade Velha, a Luna pedia-me para cantar. As pessoas começaram a gostar e decidi matriculá-la numa aula de música para aprender as técnicas que eu não sabia ensina-la”, diz Gorete.

Luna tem aulas de técnica vocal com o professor Isael Lopes e instrumental com Tó Tavares.

“Aprendi a tocar viola e o gosto pela música despertou ainda mais. Agradeço o professor Tó Tavares por me ter ajudado imensamente”, salienta e diz que a música é muito importante na sua vida. “É uma forma de distração e diversão. Traz-me muitos sentimentos ao mesmo tempo, de alegria, tristeza, etc.”.

Gorete, por sua vez, reforça o contributo da escola Pentagrama na formação da filha. “O professor Tó Tavares tem apoiado a Luna em tudo. (…) A escola Pentagrama foi algo bom que surgiu na nossa vida”, diz e acrescenta que os pais devem incentivar os filhos sempre. “Temos que preparar os nossos filhos para a vida. (…) Às vezes, os filhos perdem muitas oportunidades por causa dos pais, portanto, temos que trabalhar no sentido de prepará-los para a vida”.

Luna já atuou em vários palcos da cidade da Praia, como por exemplo no Hotel Vulcão, na Assembleia Nacional, no Palácio da Cultura Ildo Lobo e na Noite Branca. Hoje, 1 de junho, será a vez de Quebra Canela embalar nas mornas desta pequena cantora.

“Os meus irmãos têm muito orgulho de mim e os meus colegas de escola gostam de me ouvir a cantar”, diz com um sorriso.

“Estou muito contente porque vejo que Luna está a fazer coisas que gostaria de ter feito e não me foi dada essa oportunidade”, diz emocionada sobre ver a filha a pisar os palcos.

No que se refere aos projetos para o futuro, Luna pretende continuar a conciliar os estudos com a música. “Tenho horários para me dedicar a cada um. Quero ser arquiteta e continuar com a minha carreira na área da música”, revela e diz que um dia gostaria de cantar com Mayra Andrade. “Inspiro-me muito na Mayra Andrade e gosto da sua forma de cantar”.

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