Manguieditora recolhe assinaturas para a oficialização do crioulo

A Manguieditora apresentou uma carta aberta dos artistas para recolher assinaturas visando a oficialização do crioulo de modo a preservar a tradição oral que é um legado histórico, anunciou hoje o promotor da iniciativa N´Gosi Nelly.

N´Gosi Nelly, que falava esta manhã, na Cidade da Praia, durante uma conferência de imprensa, revelou que a ideia é recolher 500 assinaturas e apresentar oficialmente aos decisores políticos ainda no decorrer deste ano.

Segundo disse o promotor da iniciativa, Cabo Verde encontra-se numa “encruzilhada linguística” devido à necessidade da consolidação da política linguística e existe uma tendência para a perda das variedades do crioulo em Cabo Verde.

Adiantou que neste momento estão a trabalhar para promover novos escritores assim como a valorização da língua materna, sendo que a oficialização se apresenta plasmada na Constituição da República e caberá ao Estado criar as condições para a sua oficialização plena em paridade com a língua portuguesa.

“Podemos dizer que estamos perante a clara necessidade do reforço do bilinguismo em Cabo Verde, e atualmente, existe uma sobreposição de uma língua usada mais num contexto formal versus uma outra língua materna de uso corrente, mas que, ao mesmo tempo, pouco se fez para ser formalizada, o que em nada abona o reconhecimento pleno da língua materna, criando assim uma situação de “confusão linguística”, sublinhou.

N´Gosi Nelly, que é cofundador da Maguieditora, considerou que a oficialização do crioulo vai permitir a preservação de uma tradição oral, de um legado histórico e terá ainda uma influência de forma positiva nos fazedores da cultura.

Afirmou ainda que o reconhecimento oficial poderá permitir uma maior alocação de recursos financeiros dentro de um quadro legal bem definido, melhorar a autoestima de todos os intervenientes na produção da arte e cativar um maior interesse da juventude cabo-verdiana na língua materna.

“Parabenizamos o Ministério da Educação por introduzir a língua materna no 10º ano de escolaridade, mas defendemos que a introdução deveria ser desde a 1ª classe, em paridade com a língua portuguesa, seguindo a prerrogativa constitucional porque só assim vamos conseguir melhorar o ensino de qualquer língua estrangeira”, referiu.

N ‘Gosi Nelly, que é também investigador e escritor, revelou que neste momento já dispõem de 150 assinaturas.

Por outro lado, a linguista e defensora da oficialização da língua materna, Augusta Évora Tavares Teixeira mostrou-se satisfeita com esta iniciativa e disse acreditar que esses jovens vão continuar a lutar como forma de resistência, mas também de conservação da memória, identidade e de expressão enquanto cabo-verdiano.

Para a linguística, os governantes e os decisores não estão consciencializados e sensibilizados sobre a importância da oficialização da língua crioula e defendeu que uma percentagem das verbas dos festivais poderia ser alocada para a investigação e publicação de obras.

Criada em 2020, a Manguieditora surgiu com o propósito de apoiar os criadores de arte que, de uma certa forma, viram os seus rendimentos a diminuir devido aos efeitos devastadores da pandemia da covid-19.

Inforpress

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