Mary Tavares, a mindelense que sonha em ser um dia uma grande escritora

A mindelense de 30 anos é autora de um E-book e dois livros físicos - “Amar e Poesia” e o mais recente “No meu apartamento ou no teu?”, que se encontra esgotado no mercado. Em entrevista ao Balai, Mary Tavares diz que o maior desafio de um escritor é encontrar uma editora que aposte nele.

Mary Tavares é uma escritora mindelense, radicada em Portugal, que desde muito cedo já mostrava aptidão para a escrita. A mãe Francelina Tavares e o seu professor de português Roberto Ramos foram os primeiros a descobrir o seu potencial.

“Quando criança gostava de escrever e elaborar textos, sentia-me genuinamente feliz com as perguntas de produção escrita, pois podia deixar a minha imaginação ocupar o palco principal. Eu, como muitos, comecei a ler os textos e poesias dos grandes (Jorge Barbosa, Eugénio Tavares, etc.), achei as suas produções lindíssimas e inspirei-me assim, para fazer as minhas próprias”, conta.

A sua primeira obra, um E-book que escreveu em parceria com uma amiga, foi divulgada há dois anos em plena pandemia da covid-19. Em janeiro de 2021, lançou o seu primeiro livro físico denominado “Amar e Poesia” com a produtora Portuguesa Chiado. A sua mais recente obra “No meu apartamento ou no teu?” foi apresentada recentemente e já se encontra esgotada no mercado.

“Foram três produções muito diferentes. Embora tenha sido o segundo a ser publicado, é o primeiro a ser produzido, diria que “Amar e Poesia” é o resultado do tempo, de diversos momentos em que a inspiração ocorria e a documentava. Depois veio ‘Emary’ (o e-book), uma colaboração muito frutífera e gratificante com a Emeline David, onde pude mostrar o meu talento e “No meu apartamento ou no teu?”, a minha primeira obra de ficção (romance adulto) é uma produção resultante da disciplina, de sentar e escrever, mesmo sem a tão desejada inspiração”, explica.

Questionada sobre quais são as vantagens e as desvantagens de lançar um E-book ou uma obra física num mundo cada vez mais digital, a mindelense, que está a terminar um mestrado em Comunicação Digital, diz que “as vantagens de um estão interligadas as desvantagens do outro.”

“Um e-book não requer um custo do autor, já para um (livro) físico é necessário um certo investimento. Estamos num mundo cada vez mais tecnológico como disse, mas sinto que ainda sejamos muito românticos no sentido de querer ler um livro sentindo-o. De folhear as suas páginas, sentir o cheiro de um livro novo, nesse sentido o e-book peca.”

Segundo Mary, a ideia de escrever um romance adulto surgiu após ler vários romances. “Um onde podia identificar-me com a personagem principal, onde veria elementos da nossa cultura.”

O feedback dos leitores sobre a obra “No meu apartamento ou no teu?” tem sido “positivo”. “Recebi algumas mensagens positivas dos que já leram, por isso estou bastante grata e satisfeita com a resposta. Neste momento, o livro encontra-se esgotado, mas faremos uma nova encomenda de exemplares em breve”, salienta e diz que escreve para todos os leitores, no entanto, no momento há uma maior adesão do público cabo-verdiano.

Questionada sobre quais são os maiores desafios para um escritor, a mindelense nomeia alguns: “Encontrar uma editora que aposte nele e que seja responsável; cultivar o seu público, tem sido difícil uma vez que existem poucos românticos que ainda queiram ler um livro existindo muitas outras distrações sensoriais, aliados à atenção dos leitores, cada vez menor; Ser paciente, não desistir, saber que as coisas não acontecem da noite para o dia, mas que a jornada vale a pena.”

Como qualquer outro escritor em início de carreira, Mary sonha com uma adesão maior, com várias pessoas a lerem os seus livros e que se sintam representados e inspirados pela sua escrita. “Sonho em ser um dia uma grande escritora, e se não, que esta viagem tenha sido grande para mim (posso dizer que sim)”, conclui.

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