Maura Delgado: “Mesmo que não consiga seguir uma carreira como cantora, já ganhei por tudo que já vivi”

Com uma vivência entre Cabo Verde e os Estados Unidos da América, Maura Delgado descobriu a sua essência na música durante a sua jornada académica. Em entrevista ao Balai, afirma que quer conciliar a carreira na música com a sua área de formação em Economia e Finanças.

Filha de pais cabo-verdianos, Maura Delgado nasceu nos Estados Unidos da América, cresceu em Cabo Verde e com 16 anos voltou para o país de origem. Desde criança, Maura sempre teve uma forte ligação com a música, mas por influência da família acabou por deixar este hobby de lado.

Formada em Economia e Finanças, a jovem conta que durante a licenciatura, envolveu-se num projeto musical e percebeu que a música é algo que realmente gosta, e por isso decidiu apostar, em paralelo com a sua área de formação, numa carreira artística.

Em 2022, participou do projeto musical “Voz e Versu” com outros artistas cabo-verdianos e a sua carreira como cantora começou a ganhar forma.” Sempre digo que a música veio buscar-me porque antigamente não estava nos meus planos seguir esta carreira e por ter amigos que estão envolvidos na música acabei por ser influenciada nesse sentido. Hoje estou decidida que quero seguir este caminho.“

Com dois anos de carreira, Maura já participou de vários projetos e lançou três singles a solo. O primeiro, “Mas um Bes”, contou com a participação de Big Dy e Queency Barbosa e foi lançado em junho de 2022. Um ano mais tarde, lançou “Cego”, e o seu mais recente single intitulado “Momento”, foi lançado também em junho, deste ano, e já se encontra com 3,2 mil visualizações no YouTube. Neste single, que foi gravado em Cabo Verde, Maura contou com a ajuda de amigos na produção.

“Nos videoclipes de “Momento” e “Cego”, não usei nenhum personagem no vídeo para não limitar a conexão do público com a música porque o meu foco era demonstrar amor. Tentei deixar o público mais livre para ouvir e sentir da maneira que eles quisessem, tanto que estes dois trabalhos só eu que participei dos videoclipes”.

Estreia no Atlantic Music Expo

Atuar pela primeira vez no Atlantic Music Expo (AME) em abril deste ano foi uma experiência sensacional, segundo Maura. Antes de participar neste evento já tinha pisado em outros palcos, mas que não se comparam com o AME.

Antes de receber a notícia da sua participação, Maura recorda que estava a passar por uma situação delicada na sua vida pessoal e pediu a Deus um sinal se deveria persistir na música. “Após alguns dias recebi a notícia de que fui selecionada”. Foi a resposta para as suas dúvidas.

No dia da sua atuação no Palácio de Cultura Ildo Lobo, na cidade da Praia, a cantora disse que estava tão aberta e descontraída em palco e que o público foi muito receptivo com a sua atuação, o que fez com que todo o momento fosse mágico. Aliás, o apoio do público tem sido fundamental para a sua persistência na música.

Questionada se vai deixar de lado a sua área de formação para se focar na música, Maura diz que não, até porque ainda não vive da música. A jovem tem por objetivo trabalhar na área de Economia e Finanças para ter rendimentos para investir na carreira musical.

Residente nos EUA, onde a maior parte do público não fala nem crioulo nem português, Maura acredita que com o tempo vai conseguir adaptar o seu estilo e conquistar novos públicos, sem mudar o idioma dos seus temas e planeia também explorar estilos populares como o afrobeat e amapiano.

A nível de artistas que admira, Maura cita a cabo-verdiana Mayra Andrade que é uma grande inspiração desde criança quando fazia covers de músicas da cantora e imitava-a em palco.

A cantora de 23 anos diz que o que a faz continuar a cantar é a experiência de viver esta arte, porque a música transmite-lhe boas energias. “Hoje digo que mesmo que não consiga seguir uma carreira como cantora, já ganhei por tudo que já vivi até agora com a música”.

Aos que agora estão a começar, a jovem diz para terem fé e acreditarem no seu potencial. Ressalta que Deus fornece as ferramentas para trabalhar e atingir metas, mas que cabe a cada pessoa gerir as oportunidades e as habilidades que possuem.

Cidália Semedo/ Estagiária

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