Mon na Roda celebra 12 anos ‘Do Avesso’ em espetáculo com convidados de quatro países

A VI Gala Internacional de Dança em Cadeira de Rodas acontece a 8 de outubro e vai contar também com a participação de três grupos nacionais.

Em entrevista ao Balai, a presidente e fundadora do Mon na Roda, Miriam Medina, explica que com a pandemia, o grupo teve que parar por dois anos, dedicando-se apenas a campeonatos internacionais, entretanto, o Mon na Roda está de volta, retornando aos poucos aos palcos.

Depois de seis anos, o grupo volta a realizar uma gala desta natureza na Praia, cidade onde o Mon na Roda surgiu.
O título ‘Do Avesso’ se deve ao facto da vida dos integrantes do grupo ter virado do avesso duas vezes e Miriam Medina explica porquê.

“Quando escolhemos este tema para a comemoração do 10 aniversário do grupo, em 2020, ainda não tínhamos a covid. (O tema) Era para mostrar que durante aqueles 10 anos, a vida daquelas pessoas que ficaram com uma deficiência devido a um acidente, a uma amputação, etc. voltou de avesso. (…) A vida voltou do avesso, mas eles conseguiram dar a volta por cima. No nosso grupo, existe um pré-requisito para entrar: tens de estar disponível para estudar ou trabalhar. Sabemos que só dançar em Cabo Verde não dá nada, então tem de ser um pré-requisito, todos estudam ou trabalhar (…) agora a Gala é Do Avesso duas vezes, já que queremos também mostrar a questão da pandemia, que veio e parou o mundo em dois anos, e depois veio a crise. A vida voltou-nos do avesso no duplo sentido”.

A gala acontece em comemoração ao 12º aniversário do grupo e vai contar com a participação de 4 países nomeadamente: Brasil, Bélgica, Argentina e Holanda. Está prevista igualmente a atuação de três grupos nacionais: a Escola Dança & Arte, o grupo Acroart e ainda Enigma.

O evento está agendado para o dia 8 de outubro, sábado, na Assembleia Nacional, pelas 20 horas. Os bilhetes para a gala já se encontram à venda, sendo que o preço é de mil escudos para os adultos e 500 escudos para crianças e estão à venda nos locais habituais.

“Há que combater o preconceito dentro do seio da família”

Natural de Santo Antão, Miriam Medina, 44 anos, a socióloga e fundadora do grupo Mon na Roda, explica que é preciso trabalhar a educação e a família, por que o preconceito para com as pessoas com necessidades especiais começa, muitas vezes, dentro da própria família e com a falta de informação.

“Há famílias que têm vergonha de mostrar que têm filhos com necessidades especiais”, explica e acrescenta que, por vezes, os pais acabam por afastar estas crianças do mundo exterior, com vergonha de as expor, o que, a seu ver, acaba por prejudicar ainda mais a criança, limitando-a no seu o contato com o exterior.

Além do preconceito, a acessibilidade e a mobilidade continuam a ser um desafio para as pessoas com necessidades especiais, explica Miriam Medina.

Segundo Miriam Medina, um dos grandes desafios que o Mon na Roda tem enfrentado é facto do apoio por parte de algumas organizações acabar por chegar em cima da hora, algo que gera um grande stress para o grupo.

Miriam Medina diz sentir-se orgulhosa do grupo pela dedicação e esforço que cada um têm demostrado durante os trabalhos realizados e “que apesar de todas as barreiras, eles não desistem”.

Cátia Gonçalves/ estagiária

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