Multiplicidade de ritmos e boas vibrações marcam encerramento da 8ª edição do AME na Praia

Oito atuações, metade das quais nacionais marcaram a última noite do Atlantic Music Expo que terminou na Praça Luís de Camões ao ritmo da banda da ilha da Reunião Grén Semé.

A língua cabo-verdiana foi a mais ouvida no último dia do AME não só porque metade dos shows foram de artistas nacionais, mas também porque quase todos os artistas presentes tentaram dizer algumas palavras em crioulo.

O último dia começou com as boas vibrações de Marinu no palco da Rua Pedonal e que entrou a cantar “Nha Namorada” de Gil Semedo. Durante a sua atuação, o jovem deu uma roupagem nova a alguns temas simbólicos como Tunuka, Bulimundo e Raboita, mas também interpretou cancões do primeiro álbum “Kontributo”.

“Para mim, a música é vida e faço o meu melhor para entregar o máximo de energia que o público precisa, acho que consegui tocar cada promotor que está cá”, afirmou emocionado com a sua primeira atuação no AME.

De seguida, na Praça Luís de Camões, foi a vez do americano Alex Dennis, conhecido com o nome artístico Dutch Kalus, de cantar para os presentes alguns temas de vários géneros musicais desde o reggae às sonoridades com toque de jazz, mas também com influências latinas.

Habituado a atuar na noite praiense, o artista, que reside atualmente em Cabo Verde por motivos laborais, revelou que o AME foi o maior palco que já pisou até então na capital e mostrou-se agradado com a reação do público.

Os seus dois singles de estreia que vão sair agora (Never Know e The Weekend) contaram com a participação do cabo-verdiano Khaly Angel com o qual tem por hábito trabalhar, revelou ainda o artista.

Numa performance muito artística Bruno Capinan levou o público ao Brasil através do mar. “Esperei dois anos para estar com vocês”, afirmou aos microfones do palco da Rua Pedonal.

E não foi por acaso, não estivesse a carreira deste artista ligada ao nosso arquipélago, mais concretamente à Cesária Évora, já que foi quando Bruno Capinan ouviu a Diva dos pés descalços cantar pela primeira vez que tomou uma importante decisão.

Cesária Évora foi quem me inspirou a ser quem eu sou, a ser cantora. Quando eu cheguei no Canadá em 2002 e escutei Cesária Évora eu disse: “Meu Deus, eu quero ser isso, quero representar o meu país como Cesária Évora representou (o seu)”.

Com menos dois elementos na banda por terem testado positivo para a covid-19, o artista explicou que teve de improvisar em palco e mostrou-se feliz com a reação do público. “Eu não estou aqui para me vender (no AME), estou aqui para me conectar com o povo da Praia e de Cabo Verde”.

Regressando ao palco da Pracinha foi possível encontrar o canadense de origem tunisina, King Abid que confessou que esta era a primeira vez que estava a atuar num país africano para além da Tunísia. “Obrigado, morabeza”.

King Abid que confessou ter recuperado a voz recentemente já que na viagem para Cabo Verde ficou afónico, levou o público até à Jamaica numa atuação muito enérgica que animou os presentes. O performer que é também DJ também trouxe ritmos do norte de África e não deixou de tocar tambor.

O registo alterou-se completamente com o Scúru Fitchádu e seu funaná em registo punk na voz enigmática de Sette Sujidade, nome artístico do artista de origem cabo-verdiana, mais concretamente da ilha do Fogo, Marcos Veiga. Este projeto artístico que veio de Portugal trouxe momentos de muita intensidade na Rua Pedonal e levou o público à euforia com a batida acelerada e rimas revolucionárias em crioulo.

Este é o show mais importante da minha carreira”, afirmou Sette em palco onde também dançou, tocou ferro e gaita, para surpresa dos presentes.

“Scúru Fitchádu é um nome cujo significado me representa na minha vivência em Portugal. É uma mensagem de força, de animação e de empoderamento”, explicou o músico que diz ir beber no funaná de Santiago e por isso ficou mesmo contente com a receção que teve no AME.

O músico que prometeu voltar para uma temporada de inspiração em Cabo Verde disse que a próxima sonoridade que quer explorar é o talaia baxu e salientou a importância de dar crédito aos artistas tradicionais, principalmente, tendo em conta o fenómeno de apropriação cultural.

Novamente na Pracinha, Trakinuz juntou uma plateia significativa e animou o público com um show que fez questão de salientar que foi pensado num registo diferente do habitual, inclusive “sem tanto rap”. “Este palco é um sonho”, afirmou o rapper antes de fazer uma homenagem à Cesária Évora.

O show prosseguiu ao som de vários hits e onde não poderia faltar o mais recente tema Judite, para alegria dos presentes que cantaram em uníssono todos os temas.

Já perto do final, coube a June Freedom encerrar o palco na Rua Pedonal perante uma vasta plateia nesta que foi a primeira apresentação com banda ao vivo dos temas do álbum Anchor Baby. “Preta”, “Si Ki Min Kré” e o mais recente “Simplicity” foram algumas das canções interpretadas e que os fãs cantaram também do início ao fim.

Foi uma energia incrível. Vocês sentiram? Não estava à espera, porque lancei as músicas recentemente. Gosto de fazer música e gosto de saber que as pessoas estão a apreciar. Foi o meu melhor show”, afirmou aos microfones dos jornalistas no final.

Ainda para este mês, June promete um novo trabalho musical e diz estar muito grato com o impacto do Anchor Baby junto do público. Questionado sobre futuros shows em Cabo Verde, June afirma que está aberto a convites.

Os acordes finais ficaram nas mãos dos Grém Semé, da Ilha da Reunião, que regressaram ao AME depois de terem estado no evento em 2016. A banda de cinco elementos que se “apresentam cautelosamente como autores de “Progressive Maloya””, trouxe temas do mais recente álbum Hors Sol para o público mais resistente quando já passava das 00h00.

A noite de quarta-feira terminou na Quebra Canela ao som da Dj MD para os mais resistentes.

Cai assim o pano sobre a 8ª edição do Atlantic Music Expo que pela primeira vez teve uma edição na ilha de São Vicente.

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