NGS, o rapper salense em ascensão que almeja alcançar palcos nacionais e internacionais

O rapper salense estreou-se na carreira a solo há seis anos e aos 26 anos já é detentor de dois galardões na gala Dja D’Sal Awards - Melhor Hip Hop e Melhor Mixtape. Recentemente, após vários anos de luta, realizou o sonho de pisar o único palco que lhe faltava na ilha do Sal – o Festival Santa Maria. Em entrevista ao Balai, NGS diz que a sua ambição agora é expandir a sua música para Cabo Verde e Diáspora.

Wagner Luís Lopes do Rosário, de nome artístico NGS, que é uma abreviação de Nigga Show, é um rapper salense de 26 anos que começou a dar os primeiros passos na música em 2011 no grupo de YoungPC do qual foi um dos fundadores. “Sempre tive esse lado do hip hop”, diz.

Em 2016, quando se separou do grupo, deu início à sua carreira a solo e, juntamente com o artista plástico Aldair “Adi” Neves, criou o Young Hood, um movimento de música e arte plástica, que ainda almeja implementar.

“Nessa altura lancei o meu primeiro single denominado Kont D’Fadas em parceria com Djimms Rode. (…) A música teve uma boa aceitação por parte do público e esteve durante quatro meses na liderança do “Top às Dez Mais” da rádio nacional.”

Kont D’Fadas rendeu-lhe o prémio de Melhor Hip Hop na gala Dja D’Sal Awards 2016. Segundo NGS, o galardão foi o reconhecimento do seu trabalho. “Como digo num trecho de uma música ganhei um prémio com todo o meu mérito. Foi merecido.”

Em 2017, o rapper lançou o seu primeiro trabalho discográfico denominado “Real e Transparente” composto por oito faixas e voltou a ser distinguido na mesma gala com o troféu de Melhor Mixtape.

Apesar do sucesso, o jovem sentia-se frustrado e, no mesmo ano que foi galardoado, decidiu fazer uma pausa de três anos na carreira.

“Não soube assimilar várias coisas. Comecei a minha carreira a solo e em menos de dois anos estava a ter uma boa repercussão em termos de aceitação. E nisso fiquei frustrado e revoltado porque achava que devia estar no palco do Festival de Santa Maria. Depois fiz uma análise e vi que tudo na vida é um processo”, explica e diz que a pausa foi boa, uma vez que, evolui a nível de maturidade e espiritualmente. “Sinto-me um artista mais maduro. Agora faço tudo como planejado. (…) Como diz o Djimms ‘Somos amadores, mas trabalhamos de uma forma profissional’.”

Regresso à música

Em 2020, em plena pandemia da Covid-19, NGS decidiu regressar ao ativo, tendo escrito várias músicas entre as quais “Monalisa”, lançado em 2022 nas plataformas digitais, o seu single com mais visualizações no YouTube.

“A pandemia foi positiva para um lado, mas por outro foi negativa. Não havia shows. (…) Ocupei o meu tempo a escrever músicas e participei num projeto do produtor e teclista salense Ivandro Vieira, que faz parte da minha banda, que contou com a participação de vários artistas salenses de idades e géneros diferentes”, diz.

No ano passado, NGS fez a abertura do show de lançamento do álbum “Independent” de Dynamo, um artista que admira pelo percurso que trilhou na música, na ilha do Sal. “Admiro pelo seu trabalho”, diz e conta que já partilhou o palco também com Kino Cabral, Zê Delgado, Grace Évora e Beto Dias.

Há menos de um ano criou a sua equipa composta por Aldair “Adi” Neves, Samuel “Samu” Miranda e Djimms Rode. “A minha equipa é formada pelos meus amigos e são eles que me dão sempre o suporte.”

Este ano (2022), o rapper lançou o single Monalisa que já conta com mais de 13 mil visualizações no YouTube. A letra e a melodia são da autoria de NGS e a produção musical esteve a cargo do jovem salense Majin Beatz.

“É uma música que está a tocar tanto em Cabo Verde como na Diáspora. As pessoas estão a gostar do tema. Está a ter uma aceitação mesmo espetacular”, salienta.

De acordo com o jovem, que trabalha como operador de caixa num supermercado na cidade de Espargos, o seu maior desafio neste momento é não ter um estúdio próprio. “O Sal tem uma carência de estúdios de gravação”, afirma e revela que o tema Monalisa foi produzido entre Sal e Mindelo.

Festival Santa Maria, um sonho concretizado

Após vários anos de luta, em setembro deste ano, NGS fez a sua estreia no Festival Santa Maria, o único palco do Sal onde lhe faltava atuar.” Percorri tanto que finalmente subi ao palco sem entrar em nenhum coletivo. Subi com o meu nome e com o fruto do meu trabalho e da minha equipa. (…) O Festival Santa Maria foi até agora o ponto alto da minha carreira”, afirma.

Devido aos atrasos que culminaram com a redução da sua performance no palco, o rapper diz que ficou um pouco frustrado, mas mostra-se feliz por ter atuado no festival. “Sou uma pessoa que gosta de interagir com o público e não tive tempo para interagir com os festivaleiros. Mas o feedback foi totalmente positivo.”

“A nossa ambição é expandir a nossa música para Cabo Verde e a Diáspora. (…) Já temos o Sal na nossa ‘mão’, todos já sabem o que valemos. Santa Maria foi o melhor palco que já pisei, mas foi só mais um palco porque a energia é sempre a mesma”, conclui.

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