Num dia como hoje e num intervalo de 9 anos Cabo Verde perdia Cesária Évora e Celina Pereira

Completam-se hoje 10 anos que faleceu a “diva dos pés descalços”, Cesária Évora, e um ano do passamento da cantora Celina Pereira, ambas destacadas como embaixadoras da morna e figuras incontornáveis da cultura cabo-verdiana.

Cesária Évora, que nasceu na cidade do Mindelo, São Vicente, foi a cantora de maior reconhecimento internacional do país, também conhecida pelo apelido de Cize, e lembrada como a “diva dos pés descalços”.

Pertencente a uma família e a um ambiente musical, desde cedo ela começou a cantar em bares e hotéis e, com a ajuda de músicos locais, ganhou maior notoriedade em Cabo Verde com a interpretação de mornas e coladeiras, sendo proclamada a “Rainha da Morna” cabo-verdiana.

Após um período de dificuldades pessoais, foi seleccionada pela Organização das Mulheres Cabo-verdianas (OMCV) para gravar várias músicas de uma compilação em 1986, em Portugal.

Encorajada pelo cantor e empresário cabo-verdiano Bana, deu início à sua carreira internacional, com apresentações, além de Portugal, nos Estados Unidos e em Paris, onde gravou o álbum “La diva aux pieds nus” (A diva dos pés descalços), porque era assim que ela se apresentava nos palcos.

Aclamado pela crítica, este álbum contribuiu para que Cize se firmasse no cenário artístico como uma estrela internacional aos 47 anos de idade.

Entre os anos 1965 e 2011 a artista gravou vinte e cinco álbuns distribuídos em diversos países. No início do século XXI recebeu diversos prêmios, como o Grammy de melhor álbum de world music e em 2007, o presidente francês Jacques Chirac distinguiu-a com a medalha da Legião de Honra de França.

Cesária Évora morreu a 17 de Dezembro de 2011 no Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, três meses depois de ter anunciado o fim de uma carreira de mais de cinquenta anos e vários problemas de saúde.

Por sua vez, a cantora Celina Pereira, de 80 anos natural da ilha da Boa Vista, sobrinha de Aristides Pereira, primeiro Presidente de Cabo Verde, morreu vítima de doença prolongada a 17 de Dezembro de 2020 em Lisboa, onde vivia.

Começou a cantar aos oito anos como solista do orfeão, na igreja protestante. Seguiu-se o “Eden Parque”, no Mindelo, e os seus Serões para Trabalhadores. A sua primeira actuação profissional foi em 1968, com 25 anos, a convite do Grupo Ritmos Cabo-verdianos.

Em Portugal, a sua primeira actuação na televisão foi no programa “Arroz Doce” de Júlio Isidro, onde conheceu Eunice Muñoz e Marina Mota que actuavam como residentes.

A cantora viu o seu primeiro ‘single’ “Bobista, Nha Terra/Oh, Boy!”, editado em 1979, mas só em 1986 lançou o primeiro disco “Força di Cretcheu” (Força do Meu Amor), que inclui histórias e cantigas de roda, brincadeira, casamento e trabalho.

Seguiu-se depois “Estória, Estória… No Arquipélago das Maravilhas” (1990), “Nós Tradição” (1993), “Harpejos e Gorjeios” (1998) e “Estória, Estória… do Tambor a Blimundo” (2004).

Em 2003, Celina Pereira foi condecorada com a medalha de mérito – grau comendadora – pelo Presidente português, Jorge Sampaio, pelo trabalho na área da educação e da cultura cabo-verdiana. Em 2014, foi galardoada com o Prémio Carreira na 4.ª edição do Cabo Verde Music Awards (CVMA).

Desde sempre preocupada com as questões da preservação da memória colectiva e, consequentemente, da própria identidade do povo cabo-verdiano, Celina Pereira cumpriu desde o seu primeiro LP “Força di Crêtcheu”, a aventura de tentar recuperar a riqueza e diversidade da cultura musical do povo cabo-verdiano.

 

Inforpress

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