Organização considera edição do Kontornu em Águeda como “marco histórico” para o festival

A 4.ª edição do festival de dança acontece este ano pela primeira vez em Portugal, estando agendada para os dias 27, 28 e 29 de março na cidade de Águeda.

A apresentação do festival de dança Kontornu na cidade de Águeda, em Portugal, é considerada um marco histórico para a companhia de dança cabo-verdiana, até porque esta é a primeira apresentação a nível internacional, conforme informações avançadas hoje, dia 12, em conferência de imprensa na cidade da Praia, pela organização.

Segundo o diretor artístico do festival, Djam Neguin, esta edição resulta de uma parceria com o município de Águeda onde pretendem levar uma pequena amostra de algumas atividades, com uma programação mais voltada para o público infantil, assim como duas sessões de workshop onde vão abordar práticas afro-diaspóricas e afro-urbanas.

“Este é um marco histórico para o festival (…) a partir do momento que nos apresentamos além-fronteiras marca logo o reconhecimento do trabalho que estamos a desenvolver. O festival também é uma plataforma para dar visibilidade ao trabalho feito no país”, disse o também coreógrafo sobre a 4.ª edição do festival que acontece nos dias 27, 28 e 29 de março.

Para Djam Neguin, o evento vai ser um pontapé de saída para outras parcerias com outros municípios de Portugal e até com outros países. O responsável acredita que a parceria vai ser de longo prazo e “é um movimento que vai abrir portas para outros artistas nas próximas edições”.

A programação do festival vai contar com a participação de artistas da CPLP, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com forma de valorizar principalmente a cultura africana.

“(…) vamos levar artistas da CPLP e artistas de ascendência africana como uma forma de valorizar os nossos”, enalteceu o responsável.

A mesma fonte explicou ainda que pretendem continuar com uma visão virada para a infância, com foco em peças destinadas ao público infantil, salientando que “desde cedo se deve despertar o gosto pela arte e que a arte também é o motor da pedagogia”.

Cabo Verde marca presença no evento com Lucieny Kaabral e Djam Neguin, que vai apresentar o espetáculo infantil da sua autoria intitulado “Buluku”, mas também os moçambicanos Dinis Quilavei e Jalane. Fazem parte ainda da programação Inés Sybille Vooduness, artista com origens do Haiti, e a luso-brasileira Wura Moraes.

A organização teve a preocupação de manter o equilíbrio do género e escolheu três artistas homens e três mulheres, todos selecionados a partir do reconhecimento do trabalho que vêm desenvolvendo ao longo do tempo.

“Já conheço o trabalho de todos os convidados na qualidade de diretor artístico (…).Também como é um festival focado na dança contemporânea escolhemos artistas com uma linguagem mais moderna e urbana (…)” explicou Djam.

Quanto às expectativas para o festival, Djam Neguin acredita que “vai ser incrível e vai permitir fazer algo fora da zona de conforto”.

De salientar que o Kontornu vai decorrer em simultâneo com o Kriol Jazz Festival que este ano tem a sua segunda edição internacional em Águeda.

Segundo o diretor, a edição em Portugal é um pequeno “aquecimento” para a edição nacional que acontece no mês de maio, entre os dias 11 e 16.

A mesma fonte avançou ainda que está prevista mais uma edição nacional do Kontornu para o mês de setembro que vai contar com participação de uma companhia brasileira, resultante de uma parceria com artistas daquele país.

Keila Rodrigues/Jornalista Estagiária

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