Responsáveis do AME e do Kriol Jazz prometem maior qualidade e dignidade dos dois eventos após receber incentivo financeiro anual do Estado

No total, os dois eventos vão receber 20 mil contos do Estado anualmente, sendo que o protocolo tem a duração de cinco anos.

Vinte mil contos, sendo 12 mil para o Atlantic Music Expo (AME)  e 8 mil para o Kriol Jazz Festival (KFJ), é o montante anual que o governo, através do Fundo do Turismo, vai dar em forma de incentivo financeiro aos dois eventos culturais que acontecem anualmente em Cabo Verde. A formalização do protocolo de cinco anos aconteceu esta quarta-feira, dia 10, no Palácio do Governo, na cidade da Praia.

Presente no ato, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, reforçou que um dos critérios para a escolha de atribuição deste incentivo prende-se com o facto destes dois eventos com projeção internacional permitirem “o posicionamento de Cabo Verde no mundo da arte, da cultura e da música”.

São eventos que já são referência, nacional e internacional, e que conseguem posicionar Cabo Verde no seu maior produto cultural que é a música com impacto nos palcos internacionais, quer para os artistas, quer para os produtores.”

Outro ponto salientado pelo chefe do Governo é o facto do incentivo permitir “previsibilidade e estabilidade” para estes eventos de modo a que os promotores não tenham que “andar atrás de recursos todos os anos sem ter a certeza nem a garantia dos valores, nem prazos o que dificulta a programação e o financiamento”.

Ulisses Correia e Silva afirmou ainda esperar que este compromisso traga maior motivação para melhorar ainda mais a qualidade quer do Kriol Jazz Festival quer do AME que já são marcas maduras no mercado e que são produtos de exportação. “Exportamos cá dentro. Quem assiste a estes eventos vê o que temos, não só artistas e produtores, mas a media internacional que vem e projeta a imagem de Cabo Verde.”

O primeiro-ministro deixou o repto para que as empresas privadas também apoiem estas iniciativas de modo a garantir estabilidade.

“Esta assinatura de protocolo garante a continuidade do projeto por mais cinco anos e a estabilidade financeira do mesmo pois representa mais de 50 por cento dos nossos últimos orçamentos e vai permitir a equipa trabalhar com mais tranquilidade para o futuro”, afirmou Augusto ‘Gugas’ Veiga, diretor do AME, enaltecendo a assinatura deste protocolo com “o seu maior parceiro e responsável pela sua génese”, o ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, MCIC.

O responsável do AME salientou ainda que o “evento é uma mais valia para a economia e turismo de Cabo Verde, para além da parte cultural, com provas dadas a nível de retorno a todos os níveis”. Por outro lado, Gugas Veiga afirmou que o incentivo “exige mais responsabilidade para elevar a fasquia nos próximos anos, a começar já na próxima edição de 7 a 10 de abril de 2025”.

Paralelamente José ‘Djô’ da Silva, diretor-geral do Kriol Jazz Festival,  mostrou-se satisfeito com o aumento do financiamento ao KJF que é uma marca internacional. “Imaginem um país pequeno como Cabo Verde ter a ousadia de fazer um festival de jazz de nível internacional. Não é fácil, os festivais de jazz são dos mais caros no mundo. Este financiamento vai ajudar a melhorar o festival, promover o KJF lá fora cada vez mais, o que quer dizer promover Cabo Verde também”.

Djô da Silva deixou a promessa de que a organização vai melhorar o festival, a programação e a comunicação e afirmou ainda esperar um maior financiamento do setor privado para chegar ao orçamento anterior à pandemia da covid-19. 

“Perdemos cerca de 10 mil contos e com este financiamento estamos quase a chegar ao que tínhamos antes, o que vai permitir fazer uma festival mais digno, valorizar Cabo Verde, trazer mais estrangeiros para ver o festival e espero que consigamos levar o festival a outras ilhas de Cabo Verde”.

Em declarações aos jornalistas no final do evento, o vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, também presente no ato, afirmou que este incentivo é uma forma de valorização da cultura do país, sendo que o governo deve ser o primeiro a promover a cultura de Cabo Verde. 

Se nós não falarmos de Cabo Verde, quem vai falar? Temos de ser nós a promovermos o nosso país em África e no mundo, sobretudo através dos marcos que são fundamentais e identitários, que é ver com a cultura e com a música Cabo Verde.”

O momento serviu também para anunciar o aumento do financiamento público anual ao Carnaval, ‘um outro produto cultural importante’, em mais 50 por cento da verba atual, que passa de 10 mil contos para 15 mil.

De recordar que o Kriol Jazz Festival é um evento anual que teve este ano a sua 13.ª edição e o Atlantic Music Expo é um mercado da música que antecede anualmente o KJF sendo que já acontece há 10 anos. Ambos os eventos acontecem geralmente em abril, na cidade da Praia.

Artigo atualizado

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