Pequenos empreendedores aproveitam Baía das Gatas para reforçar vendas

Dezenas de pequenos comerciantes marcam presença no festival Baía das Gatas para vender produtos variados.

Há vários anos, o Festival Baía das Gatas atrai milhares de pessoas a São Vicente para assistir aos concertos de artistas nacionais e internacionais. Mas, para além da música, o festival representa também uma oportunidade de negócio para dezenas de pequenos comerciantes e empreendedores, que aproveitam o aumento do movimento para reforçar as vendas e conseguir algum rendimento extra.

É o caso dos amigos Thierry Fonseca e Fredson Dias, que, pelo segundo ano consecutivo, apostam na venda de pulseiras e acessórios refletores para os festivaleiros.

Segundo Fredson, a ideia surgiu em 2024 e, até agora, tem compensado. “Mando vir os produtos online”, explica em declarações ao Balai na noite de sábado, dia 8, acrescentando que os preços variam entre 50 e 250 escudos, dependendo do artigo.

As vendas de sexta-feira ficaram, no entanto, abaixo das expectativas. Para este sábado, a esperança é de maior movimento e, consequentemente, de melhores resultados.

Entre os clientes está Ivan Bangu, que comprou um par de óculos fluorescentes. O jovem garante que não falha uma edição do festival, afinal, é um “boyzin d’Soncent”.

“Adorei ontem (sexta-feira), mas hoje também parece que vai estar muito bom”, afirma.

Investimento de 70 mil escudos nas bifanas

Mais à frente, junto ao areal, encontra-se Vanda Silva, que vende bifanas “d’kel bom”. A mindelense investiu cerca de 70 mil escudos para estar presente no festival, mas conta que o primeiro dia ficou aquém das expectativas.

Na sexta-feira, as vendas foram fracas e Vanda acabou por ficar com sobras de pão. Na sua perspetiva, um dos fatores que pode ter contribuído para o menor movimento foi o encerramento do palco principal às 5h00.

“Este ano o movimento está muito inferior aos anos anteriores. Em anos anteriores, o palco estava com aquela vibe até às 7h00 da manhã. Ontem o palco encerrou às 5h00. Ainda bem que estes lugares, como a tenda eletrónica, fecham mais tarde”, comenta.

No mesmo calçadão está o artesão Tedi Manuel Gonçalves, que produz pulseiras, colares, brincos e outros acessórios. Chegou este ano ao areal da Baía das Gatas para vender os seus produtos, mas a relação com o festival é mais antiga já que desde 2009 que frequenta o evento, inicialmente por lazer.

Nos últimos anos, contudo, diz ter notado uma diminuição das vendas.

“Antigamente, o festival movimentava mais pessoas”, constata.

Para Tedi, não só o movimento do festival diminuiu, como também o artesanato passou a ser menos valorizado.

De Santo Antão para vender caldo de cana

Já perto do palco está Helder Monteiro, que viajou propositadamente de Santo Antão para montar, pela primeira vez, uma barraca no festival. A principal aposta é o caldo de cana, acompanhado por outros produtos derivados e produtos típicos da ilha das montanhas.

“O meu pai tem um pequeno trapiche e, com este calor, achei uma boa ideia apostar na venda de cana no festival”, explica.

A estratégia parece estar a resultar. Segundo Helder, as vendas têm sido razoáveis. “Quem experimenta um, volta para comprar outro”, afirma.

O jovem diz que tem contado com o apoio dos companheiros para manter o negócio durante o festival. “Eu e os meus companheiros nos juntamos e temos aguentado. Como dizem, a união faz a força.”

Depois da primeira experiência, Helder já pensa em regressar a São Vicente para futuras edições do Baía das Gatas.

A 1 de agosto, a Câmara de São Vicente anunciou que distribuiu lugar para 14 rouletes e 32 balaios.

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