PROCULTURA encerra primeira fase com mais de 100 entidades culturais financiadas durante sete anos

Cabo Verde vai assumir agora a segunda fase na coordenação técnica do programa.

Com o lema “Tradição em Movimento”, foi feito nesta quinta-feira, dia 26, o encerramento da primeira fase do programa PROCULTURA após sete anos de cooperação entre os Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste. Segundo a gestora do programa, o balanço é positivo tendo sido financiadas mais de 100 entidades culturais na implementação de projetos culturais e criou ou ajudou a manter mais de 800 empregos.

Implementado entre 2019 e março de 2026, o programa, financiado pela União Europeia e cofinanciado pelo Camões, I.P., e pela Fundação Calouste Gulbenkian, contou com um orçamento de 19 milhões de euros e teve como foco o desenvolvimento do setor cultural e criativo nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste.

Segundo a gestora do projeto Procultura, Mercedes Pinto, no âmbito deste programa que tem como objetivo contribuir para a criação de emprego em atividades geradoras de rendimento no setor cultural e criativo do PALOP e Timor-Leste, houve duas abordagens: o reforço de competências e o financiamento de projetos.

Conforme a mesma, apostou-se no reforço das competências artísticas, técnicas e de gestão, através da criação de cursos em áreas técnicas da cultura, em parcerias com instituições de ensino nacionais.

”A segunda abordagem foi através do financiamento de projetos, com a atribuição de subvenções e assistência técnica a projetos e negócios potencialmente geradores de rendimento e de transformação do setor cultural(…)”.

Entre os principais resultados alcançados, segundo Mercedes Pinto, o programa “criou ou manteve mais de 800 empregos”, apoiou mais de 100 entidades culturais na implementação de projetos, criando nove cursos técnicos superiores e atribuindo cerca de 100 bolsas de estudo. O programa apoiou ainda 50 artistas com bolsas de mobilidade internacional, capacitou 460 gestores culturais e contribuiu para a criação de 49 obras de literatura infantojuvenil.

Mercedes Pinto destacou ainda a recente aprovação do Estatuto do Artista pela Assembleia Nacional como sendo um dos ganhos para o país.

Cabo Verde assume coordenação do PROCULTURA II

Presente no encerramento, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga, destacou o impacto do programa no fortalecimento das capacidades nacionais e anunciou que Cabo Verde vai assumir a coordenação do Procultura II, considerando a decisão um sinal de confiança na liderança do país no domínio cultural.

“A PROCULTURA contribui de forma significativa para o reforço das capacidades nacionais, nomeadamente através da realização de cursos de gestão de projetos e de instituições artísticas e culturais, bem como de cursos de produção cultural, nos quais o ministério atribui 14 bolsas a um universo de 30 formandos. Estes números representam mais do que estatísticas, representam oportunidades criadas, talentos valorizados e um futuro mais sólido para o setor cultural cabo-verdiano”, destacou.

O governante também destacou a recente aprovação do Estatuto do Artista, que visa reforçar a proteção e a valorização da classe e o seu papel fundamental no desenvolvimento social, económico e identitário.

O ministro anunciou ainda que Cabo Verde vai acolher a coordenação do PROCULTURA II, um sinal de confiança nas instituições cabo-verdianas e na capacidade do país, e enalteceu a iniciativa “Tradição em Movimento”.

PROCULTURA II financiada em 10 milhões de euros

Perante os resultados da primeira fase, a embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, Sylvie Millot, confirmou o financiamento de 10 milhões de euros para a nova fase do programa, que pretende reforçar as redes já criadas e ampliar as oportunidades de cooperação cultural entre os países parceiros.

Augusto Veiga considerou que o montante disponibilizado pela União Europeia é um “valor muito bom e substancial”, defendendo que vai ajudar o setor da indústria criativa de forma “estruturante”.

Enquanto coordenador da próxima edição, o ministro afirmou que Cabo Verde vai continuar a trabalhar com “transparência” como tem feito ao longo destes anos.

Por sua vez, a embaixadora Sylvie Millot destacou o papel da cultura como elemento de aproximação entre povos.

“A cultura é aquilo que define as nossas sociedades, que conta as nossas histórias e que também nos aproxima uns dos outros. É por isso que valorizamos tanto esta parceria cultural com os PALOP e Timor-Leste(…) Este programa tem permitido ser este espaço de encontro entre pessoas, países e culturas que se reconhecem, se inspiram e criam em conjunto”, disse.

Já o embaixador de Portugal, João Queiroz, sublinhou os resultados alcançados com o projeto e o trabalho conjunto realizado junto das instituições, dos artistas e dos países parceiros.

“O PROCULTURA deixa assim resultados tangíveis, mas deixa sobretudo bases sólidas e escala para a continuidade e a prosperidade das iniciativas culturais e artísticas, seja na esfera nacional, mas também regional e internacional, cumprindo com a diversificação de setores e a continuidade do pilar do desenvolvimento, também socioeconómica”, ressaltou

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