Professor santantonense desenvolve projetos para impulsionar artistas de Monte Trigo

Licenciado em Ciências da Educação, Osmar Silva é natural do Porto Novo, Santo Antão, e reside atualmente em Monte Trigo, onde trabalha como professor. É nesta localidade que desenvolveu dois projetos musicais que visam impulsionar os jovens talentos de Monte Trigo.

Osmar Silva, ou Mack como é conhecido no mundo da música, é professor, rapper e mentor dos projetos “Monte Trigo também é música” e “Dó, Mi, Sol”. Em conversa com o Balai CV, conta que “Monte Trigo também é música” é um projeto virado aos jovens talentos da localidade de Monte Trigo.


O docente de 31 anos recorda que o primeiro projeto surgiu em meados de 2018, algum tempo após ter-se mudado para a localidade.


“Alguns jovens desta comunidade já me tinham visto a cantar em shows e os meus videoclipes, daí começaram a aproximar-se de mim e demonstrar-me o seu interesse em ingressar no mundo da música. Como tenho alguns equipamentos de estúdio e conhecimento na área de gravação, produção, mixagem e masterização, decidi criar este projeto e apoiar os jovens desta comunidade”, explica.


Para Mack, o objetivo do projeto é mostrar que para além da pesca, Monte Trigo também pode ser reconhecido por ter grandes artistas, em todas as áreas.


O projeto iniciou apenas com um grupo de rappers, constituído por cinco jovens locais, intitulado por “Rappers MT”, que possuem uma mixtape com dez faixas musicais intitulada “Nova Era”.


Após algum tempo juntou-se ao projeto Tony Delgado, um jovem que aposta em Zouk/Kizomba e que já tem dois trabalhos no mercado.


“Os temas são compostos em conjunto. Temos um estúdio improvisado que é uma sala de aulas, que aproveitamentos fora do horário escolar, como nos fins de semanas, feriados e férias. Nestes períodos, montamos os equipamentos na sala, começamos a falar sobre algum tema e a esboçar algumas letras, assim surge as músicas”, conta o rapper e professor.


Ambos os projetos têm a colaboração de parceiros como Elanik ArtVídeo Produções, Marvin Beats e a Escola do Ensino Básico do Monte Trigo e as músicas dos projetos encontram-se disponíveis no Youtube.

Projeto “Dó, Mi, Sol”


O segundo projeto – “Dó, Mi, Sol” – é mais virado para os alunos de Osmar Silva.


“Na disciplina de Educação Artística senti a necessidade de criar algo ligado à música e despertar o interesse dos meus alunos nesta área”, diz o professor.


O projeto já permitiu produzir dois videoclipes: “Feliz Natal” e “Nós viemos aqui”, ambos os temas compostos por Osmar.


Com o projeto “Dó, Mi, Sol”, o professor Osmar foi nomeado para o Leciona – Prémio Professor Cabo-verdiano, promovido pela Associação para a Promoção do Património Educacional (ASPPE), no ano passado, o concurso acabou por ser cancelado devido à pandemia.


O Leciona “visa “premiar as melhores práticas pedagógicas e experiências inovadoras, desenvolvidas por professores do ensino básico público”, onde o docente vencedor tem direito a um financiamento para o seu projeto e um ano de licença para se dedicar ao mesmo.


“Já tinha o meu plano de atividade feito e caso fosse o vencedor iria dar continuidade a este projeto e fazer com que chegasse ao maior número de escolas deste país”, explica o professor.


Osmar diz que o feedback tem sido espetacular, não só em Monte Trigo, mas também em algumas comunidades vizinhas.


“Temos recebidos muitas mensagens de incentivo dos montriguenses residentes ou não nesta comunidade e até mesmo de pessoas de outros lugares o que é muito gratificante”.


O docente aponta a falta de energia elétrica nesta comunidade como a maior dificuldade enfrentada nos projetos.


“Como a energia nesta comunidade é fornecida através de painéis solares e estes já estão obsoletos, passamos um bom período sem eletricidade em que não conseguimos produzir”, lamenta o professor.


“Pretendemos continuar a trabalhar e a fazer o que mais gostamos de modo a elevar o nome de Monte Trigo e tentar tocar mais pessoas com a nossa música” afirma o jovem que ainda deixa uma mensagem aos que estão a ingressar na música: “Se realmente gostas de música, é preciso ir mais a fundo. Vais encontrar algumas barreiras, mas no final tudo valerá a pena, pois não existe nada mais gratificante do que ser reconhecido por aquilo que mais gostas de fazer”.


Rosiane Sales/Estagiária

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