Queency Barbosa está de volta e aposta na fusão do tradicional com o moderno

Depois de uma pausa, a cantora cabo-verdiana Queency Barbosa, que reside nos EUA, tem apostado novamente na carreira musical e para este ano promete novos temas que vão conciliar o moderno com o tradicional.

Parece cliché, mas Chantal (Queency) Barbosa descobriu a música ainda em criança. Cresceu numa família de músicos e amantes da música. “A música sempre esteve presente em minha casa. Quando ia para a casa dos meus avos em São Vicente, o meu avô tinha álbuns de todos os artistas possíveis e imagináveis, desde a música cabo-verdiana à brasileira, passando pelo Frank Sinatra”.

Trisneta do compositor e poeta cabo-verdiano Pedro Cardoso, a jovem recorda que foi influenciada de várias formas para a música. Foi na escola primária que, incentivada por um professor, Chantal começou a dar asas à sua voz e a cantar em público.

Já na adolescência aventurou-se a cantar numa espécie de festival familiar dos Barbosa. “Eu era uma das crianças da família que teve oportunidade de cantar um dos temas da autoria de Djinho (Barbosa) que se intitula “Névoa” e depois gravei um sample no estúdio do Zeca Nha Reinalda que entrou no álbum dele”.

Chegou a gravar com amigos enquanto corista, dentro de géneros como hip hop e zouk, contudo Chantal salienta que “sempre quis fazer música tradicional”.

Este percurso musical não foi linear e teve uma pausa. A jovem que nasceu nos EUA e cresceu em Cabo Verde, regressou aos Estados Unidos aos 16 anos, em 2010, para
concluir os estudos no secundário e mais tarde entrar na universidade. Durante a sua vida académica, recorda que foi animadora de eventos, coreógrafa, mas a música acabou por ficar um pouco de lado.

A melodia voltou a entrar na vida de Chantal em 2020. Foi durante o confinamento derivado da pandemia que participou de um campo criativo, The Camp, com outros artistas e amigos da Islandz Sounds, produtora fundada por jovens cabo-verdianos nos EUA. Este acontecimento acabou por lhe abrir portas para colaborações e atuações em eventos da diáspora nos EUA e não só. “Cantamos no concerto dos 25 anos dos Ferro Gaita (…) A música está a voltar para a minha vida. Ainda estou no início e tenho ainda muito por fazer”.

Apesar das recentes colaborações trazerem sonoridades mais eletrónicas e dançantes, o estilo tradicional, o seu predileto, não está esquecido. “Acho que muita da minha resistência em voltar a fazer música é porque eu pensava que no tradicional já não havia saída. Mas a Elida Almeida, por exemplo, provou o contrário. Depois perguntava-me se ainda há espaço para mais mulheres fazerem música tradicional? (…) Eu gosto da música tradicional e vejo que agora há muita fusão entre o tradicional e moderno”, diz a jovem e cita o último EP da cabo-verdiana Kady.

“Um dos projetos em que estou a trabalhar agora é um sample de uma música tradicional com um RnB (…) Já encontrei o meu nicho, onde não fujo da tradição, mas não me afasto do hoje (atual). Os ouvintes de hoje ouvem a música tradicional, mas o mundo digital, as plataformas, e o mercado da música levam-te para o que é mais popular. Eu quero trazer os dois (lados) para a Queency”.

Quanto a este nome artístico o mesmo surgiu na adolescência. Conta que depois de atuar num show do Tito Paris lhe perguntaram pelo nome e ela respondeu: A Beyoncé é Queen B, eu já sou a Queen C (mais tarde com uma adaptação para Queency)”, recorda entre risos. Até recentemente, a mãe lhe perguntava o porquê de usar um nome artístico se à partida poderia usar Chantal. Mas a jovem explica que o nome ficou porque retrata a sua criança interna: “Quero que essa criança que ainda vive em mim, que continue viva, porque a música me fez muito feliz nestes últimos anos, principalmente durante a covid-19, quando a minha saúde mental não estava muito bem (…) então para mim, a Queency é esta criança que está de volta, numa versão melhorada”.

No ano passado lançou o single Sabi, que se transformou em uma grande lição, como frisa a artista. “Tinha muita pressa (para lançar)”. Apesar de quase um ano depois se questionar o porquê de ter lançado este tema, Queency diz que tem “muito orgulho nesta música, porque durante muito tempo ia ao estúdio com outras pessoas (e não a atual equipa) e nada acontecia”.

Este registo inclusive não faz tanto o seu estilo, afirma sem pudores, mas serviu de aprendizagem. “Foi uma porta que abrimos”, salienta e declara que este ano está focada em fazer algo com mais calma. “Estou muito feliz com este 2023”. O próximo trabalho vai ser dentro do género rap drill, mais virado para o RnB, e fusão. O trabalho conta com colaborações e traz temas em língua cabo-verdiana.

Para já vai focar-se em singles, mas não descarta a hipótese de lançar um EP no início de 2024.

Entre os artistas que admira cita à partida a Sara Tavares, cujo tema “Borboleta” marcou a sua infância. Admira também outras artistas cabo-verdianas como a Elida Almeida, a Kady e a Mayra Andrade. “São mulheres que me inspiram”.

Atualmente, procura conciliar as várias facetas, nomeadamente a carreira artística com o trabalho na edilidade de Boston. “No meu trabalho eles me apoiam bastante (…) o que alivia a pressão, mas do meu lado tenho de saber gerir o meu tempo (…) e também não me posso sobrecarregar”.

Chantal também desenvolve um trabalho de voluntariado na associação KPA (Kriola’s Professional Association), uma associação profissional de mulheres, de origem cabo-verdiana, que surgiu nos EUA em 2019 e da qual Chantal é uma das fundadoras.

Futuramente, não exclui a possibilidade de vir a dedicar-se exclusivamente à música ou pelo menos dentro dessa área, já que também faz trabalhos como apresentadora de eventos diversos, nos EUA.

Para marcar o regresso à música, no final das férias em Cabo Verde, Queency apresentou, neste mês de janeiro, um concerto intimista num dos espaços da capital, onde contou em palco com amigos como Rango, Patrícia Correia e Maura Delgado.

 

ARTIGO EDITADO

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest

Agenda