São Vicente: Crítico de arte insta autoridades a pensar num catálogo para preservação da obra de Manuel Figueira

O crítico de arte português António Pinto Ribeiro exortou hoje as autoridades cabo-verdianas a pensaram na produção de um catálogo que possa preservar a obra do artista plástico de “referência internacional” Manuel Figueira.

O também investigador fez a consideração hoje, no Mindelo, na sequência da sua participação no painel de “Grandes conversas” da Feira de Artesanato e Design – URDI e que teve por tema o “Universo criativo de Manuel Figueira”.

Para António Pinto Ribeiro, o co-fundador do antigo Centro Nacional de Artesanato (CNA) é um “artista múltiplo” de referência não só em Cabo Verde mas também na costa oeste africana e em Portugal.

Sendo assim, asseverou, é preciso tomar a iniciativa enquanto ainda há possibilidade de trabalhar com Manuel Figueira, já com 84 anos, na recolha, identificação, inventário das obras e da sua biografia.

“De alguma forma, fazer um catálogo que tenha uma componente crítica, mais detalhada possível, é o que acho imprescindível”, sustentou António Pinto Ribeiro, adiantando que tal projeto “vai fazer jus ao artista, que merece, e ao património histórico de Cabo Verde”.

Daí, reiterou, é necessário fazer com urgência este “trabalho lento, longo, trabalhoso, mas, absolutamente imperativo”.
Por seu lado, o antropólogo cabo-verdiano Manuel Brito Semedo, outro dos oradores do painel, classificou Manuel Figueira como uma “grande figura” a quem se pode fazer uma homenagem ao ouvir falar da sua obra.

Até porque, segundo a mesma fonte, para além de tudo o que Manuel Figueira fez em termos de artes plásticas e de tecelagem, ele tem uma exposição que montou sobre os contos do tio Manuel Bonaparte Figueira transformados em quadros.

O artista plástico, que esteve presente durante todo o debate, assegurou não estar mais apaixonado pela sua profissão, mas, ainda continua a trabalhar.

Confirmou ainda ser um “observador” de pessoas e de coisas retratadas na sua obra.

Manuel Figueira nasceu no Mindelo, em 1938, e viveu em Portugal entre 1960 e 1974 onde concluiu o curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.

Regressou a Cabo Verde em 1975 para colaborar com a revitalização da cultura popular do arquipélago e em 1976 fundou a Cooperativa Resistência, juntamente com a esposa Luísa Queirós e a colega Bela Duarte com o objetivo de manter viva a tecelagem tradicional cabo-verdiana.

Entre 1978 e 1989 foi diretor do Centro Nacional de Artesanato.

Fez a sua carreira desde 1963 com exposições em mostras coletivas e individuais, com destaque para exposições na Áustria, Bélgica, Brasil,
Espanha, França, Estados Unidos da América, Portugal e, naturalmente, Cabo Verde.

A sua obra está representada em inúmeras coleções públicas e privadas de diversos países, com destaque para as peças incluídas nas coleções do Museu de Ovar, Banco Fomento, Banco Totta & Açores (Portugal), Assembleia Nacional (Cidade da Praia, Cabo Verde), Embaixada de Cabo Verde para a ONU (Nova Iorque), Fundação Pró-Justitae e Palácio da Cultura (Cabo Verde).

Inforpress

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