São Vicente: IX do Kavala Fresk Feastival arranca “valorizando o que é nacional”

São Vicente: IX do Kavala Fresk Feastival arranca “valorizando o que é nacional”

A nona edição do Kavala Fresk Feastival arrancou hoje, no Mercado Municipal da cidade do Mindelo, com momentos de culinária com o “mestre” Bau e ainda palestra, que pretendem “valorizar o que é nacional”.

Conforme Conceição Delgado, da empresa organizadora MariVentos, o Kavala Fresk “nunca parou, e até o início da pandemia fez-se o “Kavala Solidário” para distribuição de cestas básicas para os mais necessitados.


Agora em 2021, voltam à cidade do Mindelo “com um novo formato, mas a mesma essência”, para “mostrar a importância da economia nacional”, desde a produção, até chegar à mesa, com a “cavala rainha e acompanhamentos de legumes e verduras”.


“O objectivo é mostrar esta economia de uma forma sustentável e toda a cadeia, desde o produtor que não parou, mesmo com a pandemia, e conseguiu colocar comida no nosso prato”, sustentou Conceição Delgado, para quem é importante consumir produtos “com menos agro-tóxicos e de confiança” encontrados no mercado municipal e produzidos por agricultores de São Vicente e de outras ilhas.


“Como dizem, o que é nacional é bom, e se comprarmos o nacional, de certeza, que o nosso País ficará muito mais forte e teremos uma economia muito mais sustentável e podemos até exportar”, considerou uma das organizadoras do festival que pretende alavancar sectores como restauração, que foram “muito afaectados” pela pandemia.


Acostumado a ter a presença de grandes chefes de cozinha, também de renome internacional, nesta nona edição o Kavala Fresk convidou alguns “anónimos” do Mindelo, como o “mestre das cordas” Bau Almeida e o jovem Kevin, da área da moda e com formação na área de alimentação, para mostrarem os dotes culinários.


Bau Almeida, no seu caso, disse que desde criança aprendeu a estar na cozinha e sente-se “relaxado” quando está a cozinhar e levou para o mercado o prato atum com leite de coco e com todos os outros ingredientes, cenoura e batata-doce, comprados nas vendedeiras do mercado.


Algo que as vendedeiras Matilde e Tanha Santos dizem ter sido uma “boa ideia” para divulgar os seus produtos e incrementar as vendas.


O arranque do certame contou ainda com uma conversa aberta “Para uma economia alimentar sustentável”, liderada pela nutricionista Josiane Custódio e pelo presidente da associação ambiental Amigos da Natureza, Aguinaldo David.


Aguinaldo David falou sobre a experiência da associação na produção agrícola sutentável, já que a alimentação é um “direito” e que precisa ser visto em Cabo Verde, considerado agora como “País em transição alimentar”, que já está sendo “afectado por problemas derivados da má alimentação como as diabetes tipo II e sobre-peso”.


“Tudo isso é consequência de uma alimentação desregrada e que desvinculou um bocado daquilo que é nossa cultura produtiva”, sublinhou o ambientalista, apontando o exemplo da cachupa que era um prato tradicional e “hoje é um luxo” às vezes feito com “ingredientes importados, cheios de conservantes e prejudiciais à saúde”.


“É preciso pensar sistemas alternativos de produção mais sustentáveis e mais amigas do ambiente e que usam de forma racional os recursos naturais que temos”, apelou Aguinaldo David.


O Kavala Fresk Feastival acontece por três dias, até domingo, com outras actividades na praia da Laginha, o tradicional passeio “Kavala na Mei d’mar” e ainda um roteiro gastronómico de 16 restaurantes situados na Avenida Marginal, centro da Cidade do Mindelo e até em São Pedro.

 

Inforpress

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