Sony Music France adquire Lusafrica e Africa Nostra, editoras históricas da música africana e lusófona

A Lusafrica foi fundada por José ‘Djô’ da Silva em 1998 e foi o selo responsável por dar a conhecer ao mundo a falecida diva Cesária Évora.

A Sony Music France e a Sony Music Publishing France anunciaram esta quarta-feira, dia 2, a aquisição das editoras Lusafrica e da Africa Nostra, dois selos dedicados ao desenvolvimento de artistas lusófonos e africanos em todo o mundo. A informação avançada em nota de imprensa pela produtora cabo-verdiana Harmonia.

Fundada em 1998 pelo José ‘Djô’ da Silva, a Lusafrica foi o selo responsável por lançar a falecida diva Cesária Évora a nível mundial. Além de Cize, gravou com Bau, Lura, Elida Almeida, Tcheka, Ildo Lobo, além de artistas como Bonga e Boubacar Traoré, e artistas latino-americanos como Polo Montañez.

“Criada em 2000, a Africa Nostra possui um catálogo editorial que coincide em cerca de 75% com o da Lusafrica. Hoje, com um catálogo de mais de 4.000 títulos, incluindo toda a discografia de Cesária Évora — com sucessos internacionais como “Petit Pays”, “Sodade”, “Bésame Mucho” , todos os álbuns de Polo Montañez, como “Un Montón de Estrellas” , “Guitarra Mía”, a Lusafrica e a Africa Nostra ocupam uma posição central na transmissão da música lusófona e africana no mundo”, conforme explica a mesma nota.

Para o fundador da Lusafrica, “a escolha não foi fácil, mas tornou-se evidente”, mas lembra que a Sony Music France é um parceiro de longa. “ (…) Com o tempo, percebi que já não tinha a energia necessária para acompanhar a Lusafrica e a Africa Nostra como gostaria. No entanto, estou convicto de que é a melhor decisão: o grupo Sony tem os recursos e o know-how para continuar esta aventura e, acima de tudo, conhece o nosso catálogo e a nossa identidade musical graças a mais de 20 anos de colaboração”, afirmou e acrescentou que a “a Lusafrica desempenhou um papel essencial na difusão das músicas africanas, latinas e lusófonas pelo mundo, especialmente com a trajetória incrível de Cesária Évora”.

“Hoje, esta passagem de bastão marca o fim de um ciclo, mas também a continuidade de um legado musical que me é muito querido”, finalizou.

Já mais adiante a presidente da Sony Music France, Marie-Anne Robert, avançou que a aquisição representa uma aposta estratégica na diversidade musical global e que mantém “o compromisso de preservar e desenvolver o legado construído pela Lusafrica, criando pontes entre mercados e gerações, em benefício dos artistas e dos fãs”.

“A nossa experiência no desenvolvimento de audiências internacionais permitirá que ouvintes do mundo inteiro descubram ou redescubram este tesouro essencial da world music. Continuaremos a honrar a visão de José Da Silva e a apoiar os artistas para que alcancem novos patamares.”

A presidente da Sony Music Publishing France, Antoine Dathanat, salientou que o catálogo editorial da Africa Nostra é vasto e diversificado, com títulos emblemáticos visando alcançar públicos internacionais. “Acreditamos que essas obras têm um enorme potencial de reinterpretação,sobretudo junto às novas gerações”.

Daimara Furtado / Estagiária

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