Soraia Ramos e Neyna repetem feito de 2023 e vencem galardões mais ambicionados da noite nos CVMA

As cantoras venceram os prémios de Música do Ano e Música Popular do Ano, sendo que nesta última Neyna dividiu o troféu pelo tema Bu Ka Speraba com o Djodje.

Uma noite de emoção, homenagens e conquistas, no caso das cantoras Soraia Ramos e Neyna, um “déjà vu”, quase, pois voltaram a repetir o feito de 2023 ao vencer nas mesmas categorias. Os artistas Soraia Ramos, Djodje e Dino d’Santiago foram os únicos que levaram para casa dois galardões, tendo sido a distribuição dos prémios por categoria bastante equilibrada entre os nomeados.

Eram por volta das 22h00 quando, depois da habitual passadeira vermelha, se deu início à 13.ª edição dos Cabo Verde Music Awards no Terminal de Contentores, do Porto da Praia. Com uma plateia bem composta, a gala arrancou com atuação da bailarina de origem cabo-verdiana Athena Andrade e um momento dedicado ao Dia da Criança assinalado este sábado, 1 de junho. O palco contou com a presença dos mais pequenos, que cantaram e dançaram sob os aplausos do público.

A festa da música cabo-verdiana teve como apresentadores a cabo-verdiana Kathy Moeda e o português José Carlos Malato que animaram o público com a sua simpatia e humor.

A dupla Supa Squad com o tema “Minha Terra”, ao lado da cantora portuguesa Mariza e do Apollo G, o prémio Colaboração do Ano e o estreante Alberto Koenig venceu o Videoclipe do Ano com o tema Totoloto.

Por falar em estreante, a Artista Revelação do Ano é Nessa Onda que também estava nomeada na categoria Outro Ritmos mas onde o vencedor foi Ga Da Lomba ao lado de Gil Ŝemedo com o tema “Omi Tambe Ta Txora”. Para o rapper este prémio é “um combustível para continuar a trabalhar e acreditar que é possível ir mais longe”, afirmou o cantor que acrescentou que tinha vontade que a cantora Nessa Onda vencesse o prémio. “ (…) gosto da forma como ela canta, mas o que não significa que não fiquei feliz por receber o prémio, visto que sou muito competitivo e dedico este prémio para Gil Semedo e para a comunidade de Granja de São Filipe”.

“Este prémio é gratificante e tem um sabor especial”, avançou o Lejemea após vencer o prémio da Música Tradicional do Ano com o tema “Si bu dam” em colaboração com o grupo Freirianas Guerreiras. “Quem me conhece sabe que o meu estilo de música é diferente e ganhar este prémio, sendo a minha primeira vez a apostar na música tradicional de Cabo Verde que é o funaná, é gratificante e dedico este prémio às cantoras do grupo”.

Os rappers PCC, Boy Game e Loreta KBA levaram para casa o prémio de Hip Hop do Ano com a música “Buli Mundo”. Em declarações ao Balai, PCC disse que se sente realizado por vencer esta categoria e que este prémio é “para todos os artistas que se dedicam ao rap”. “Devemos colocar este estilo de música em outros palcos como as outras músicas porque precisamos quebrar essa barreira que existe no mundo do rap”.

Em declarações ao Balai após a premiação na categoria Coladeira do Ano, a foguense Neuza explicou que o tema Dixam bai ”significa muito porque representa a sua essência” e que a composição é da sua autoria, inspirada na sua história.

O cantor Garry venceu o prémio Kizomba do Ano, com o tema Bum Bum na Peto, sendo que o artista era um dos que não estavam presentes, mas o prémio foi entregue a familiares.

Este ano os CVMA juntaram-se à União Europeia e com o lema “Desdi Mininu Nu Cuida de Nos Planeta” têm por objetivo associar os artistas com as crianças para combater as mudanças climáticas. E o artista Dino d’Santiago levou o Prémio de Ação Social deste ano. Segundo o artista, este é o melhor prémio recebido esta noite, sendo que Dino venceu ainda na categoria Artista em Palco do Ano.

CVMA

Funaná do Ano foi para os artistas Titio de Belo e Kamoka no tema “Ami é de Mundo”, ao lado de Zeny Gaita, que agradeceram pelo título e prometeram continuar a fazer este trabalho.

Cremilda Medina subiu ao palco emocionada para receber o prémio da Morna do Ano com a música “Nova Aurora”. A cantora agradeceu aos participantes que participaram do novo trabalho e apelou aos artistas da música tradicional para continuarem a apostar nessa área.

O cantor e produtor Nelson Freitas, um dos artistas mais premiados da história dos CVMA, levou para casa o prémio de Afrobeats/Afrohouse do Ano com a música “Hero” que o mesmo interpretou em palco.

 Já os títulos de Intérprete Masculino e Feminino do Ano foram para os cantores Djodje e Soraia Ramos, respectivamente. Ambos arrecadaram dois galardões na noite de premiações.

“Neste momento é um conjunto de emoções, mas quero dizer que a minha missão é continuar a cantar as músicas de Cabo Verde sempre que Deus permitir e prometo continuar esta jornada com muito orgulho e viva a nossa música tradicional”, foram as palavras de Assol Garcia ao receber o prémio do Álbum do Ano com o trabalho “Ecos de Mim”.

A categoria Música Popular do Ano, que é um dos prémios mais aguardados da noite e é da responsabilidade do público, foi para os artistas Djodje e Neyna com a música “Bu ka speraba”. Lembrando que “a liberdade de expressão artística sempre vence”, Djodje elogiou a parceira nesta música pelo trabalho que Neyna tem estado a fazer. “Espero que este tema abra portaz para que os artistas expressem o que sentem”. Já para a cantora, todas as críticas à volta do tema ajudaram a vencer nesta categoria.

Soraia Ramos venceu pela segunda vez o prémio de Música do Ano, desta vez com o tema “Nha Terra”. A cantora dedicou o prémio aos avós, à equipa e aos seus fãs. “Não tem sido fácil mas a melhor coisa que fiz na minha vida foi levantar a bandeira de Cabo Verde. O tema “Nha Terra” é para todos os Cabo Verdianos que estão espalhados por todos os cantos do mundo à procura de melhores condições de vida”.

Homenageados da noite

A gala dos CVMA teve como destaque uma homenagem feita pelos artistas Alberto Koenig, Ceuzany, Boy Game e os cantores portugueses Diogo Piçarra e Jimmy P à malograda cantora cabo-verdiana Sara Tavares, um momento de emoção que comoveu a plateia.

A gala contou ainda com mais homenagens, nomeadamente para o mítico grupo Os Tubarões que recebeu o Prémio Carreira. O grupo subiu ao palco e atuou juntamente com o Dino d’Santiago. O prémio foi entregue pelo ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, que se mostrou honrado por entregar este prémio para o grupo.

Os instrumentistas cabo-verdianos Palinh Vieira, Djim Job e Kalu Monteiro, Morgadinho e Tey Santos foram também os homenageados da noite em que receberam menções honrosas. Os troféus foram entregues pelo Presidente da República, José Maria Neves.

A gala contou com várias atuações, entre os quais, o rapper português Jimmy P, que dedicou uma música a todas as mulheres, e ainda a cabo-verdiana Neyna que teve uma entrada inusitada em palco dentro de uma carrinha Hiace, onde gravou a música “Nu ka sa Para”, uma colaboração com o MC Acondize.

Ainda para animar a noite o cantor português Diogo Piçarra fez a sua estreia em Cabo Verde no palco dos CVMA. A música tradicional fez-se ouvir na voz de Nancy Vieira acompanhada pela banda residente Cartel.

Pouco antes do final do certame, Beto Dias subiu ao palco para cantar músicas que marcaram a sua carreira e fez o público levantar-se para cantar e dançar.

Gala passa a acontecer na primeira semana de junho

No final, a CEO dos CVMA, Dilza Soulé, disse que mesmo sendo um projeto desafiador, este ano, o balanço é ‘muito positivo’. “Realizar esta edição teve um sabor diferente e encantador, foi satisfatória a reação de cada um dos artistas e do público”, afirmou.

“O balanço é extremamente positivo por todo trabalho, esforço e dedicação. Tudo foi magnífico e superou totalmente as nossas expectativas. Este ano temos um espaço diferente que é o Porto da Praia e foi muito atrevimento da nossa parte mas o objetivo é tentar inovar. A montagem facilitou-nos porque a maior parte envolve a Enapor que é um parceiro maravilhoso e recebeu-nos de uma forma tão incrível que permitiu montar toda esta estrutura”, afirmou e acrescentou que a partir de agora “todo o ano a gala vai ser realizada na primeira semana de junho”.

Durante a cerimónia, o PCA da Enapor, Irineu Camacho, deixou o desafio para que a próxima gala seja realizada em São Vicente.

A 13.ª edição dos CVMA encerrou por volta das duas da manhã e a noite prosseguiu com a after party com o grupo Mi Casa e vários DJ.

Aline Oliveira/

Cidália Semedo/ Estagiária

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