“Terra d’Soded”, um projeto que visa promover a arte e a cultura santantonense

Natural da cidade do Porto Novo, Santo Antão, Carlos Lopes é artesão e mentor do "Terra d’Soded", um projeto de arte e cultura. Em entrevista ao Balai, o empreendedor diz que o projeto "visa promover a cultura da ilha das montanhas e fazer com que marca Terra d'Soded seja uma referência no país".

O nome Terra d’Soded foi inicialmente adotado por Carlos Lopes para o seu projeto próprio, mas em 2017, a marca foi formalizada numa iniciativa que envolveu outros jovens também eles de Santo Antão: Elanik Fonseca, Adelino Fonseca, Mizlenne Rodrigues e Miria Cristina.

“Criei a marca Terra d’Soded há mais de oito anos para a minha própria produção de artesanato, mas em 2017 decidimos registá-la como uma empresa de arte e cultura. O logótipo é constituído por um cesto que representa artesanato e o nome Terra d’Soded que remete a nossa cultura, a linguagem de Santo Antão”, explica o mentor.

Além da vertente cultural, o projeto tem atuado em diferentes áreas de carácter social e de ensino.

“Temos levado a arte educativa para várias escolas da ilha de Santo Antão, com intuito de aproximar os jovens da arte. Também homenageamos pessoas dos noventa aos cem anos, nos municípios de Porto Novo e Ribeira Grande, através de pintura mural com os seus retratos”.

Segundo o mentor, “Terra d’ Soded”, em parceria com a ArtVídeo Produções, tem divulgado o trabalho de vários artistas santantonenses. É o caso de Didi Romântico, Nigga Fire, Gustavo Fortes, entre outros.

O projeto tem sido a voz de várias comunidades de Santo Antão, que através dos seus vídeos têm conseguido chamar atenção sobre várias problemáticas da ilha, avança o mesmo.

“Fizemos alguns vídeos das localidades de Ribeira dos Bodes, Ribeira Fria, Casa de Meio, Bolona e Planalto Leste, onde demonstramos as condições precárias que os moradores destas povoações têm enfrentado. Algumas destas comunidades não têm acesso à água canalizada, eletricidade, rede móvel e quando chove essas zonas ficam ‘isoladas’ porque as estradas ficam obstruídas”.

“Durante a pandemia da covid-19, fizemos uma onda solidária, onde recolhemos e distribuímos várias peças de roupas e materiais escolares na zona de Bolona, uma localidade que dantes não tinha nem rede móvel e até agora não tem eletricidade. Depois da nossa reportagem já se fala em levar energia elétrica para a comunidade”, diz Carlos.

Para o artesão, a maior dificuldade do projeto tem sido a falta de envolvimento das câmaras municipais da ilha e diz que a maior ambição é transformar a marca “Terra d’soded” em um símbolo da cultura e fazer com que o projeto chegue em todas as ilhas do arquipélago.

O empreendedor diz que o feedback do público tem sido positivo e que os conteúdos por eles produzidos têm agradado muito os santantonenses residentes na ilha e não só.

Segundo o mentor, este projeto tem sido possível levar à frente também porque conta com a colaboração de vários parceiros como ArtVídeo Produções, Padaria Ideal, Associação de Fonte Felipe, etc.

Rosiane Sales/Estagiária

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest