Vadú Rodrigues, o fotógrafo que usa a arte para influenciar pela positiva as narrativas sobre os países africanos

O jovem que este ano integrou o grupo de cabo-verdianos que participaram no programa de intercâmbio YALI chegou a apresentar o projeto Positive West Africa nos EUA e o projeto deve agora ganhar uma nova dimensão, segundo explica o fotógrafo.

Natural da cidade da Praia, Vadú Rodrigues, 34 anos, cresceu no bairro da Achada S. António, mais concretamente na zona do Brasil. Depois de sete anos a viver em Portugal, este Engenheiro Informático de formação e fotógrafo por vocação, regressou a Cabo Verde em 2019 para um mês. De lá para cá, acabou por ficar definitivamente no arquipélago onde continua a desenvolver trabalhos na área da fotografia.

No regresso ao país, Vadú redescobriu Cabo Verde e se apaixonou novamente pela terra que o viu nascer. “O objetivo é fazer de Cabo Verde, ou pelo menos de África, casa”.

Este ano foi um dos 700 jovens que foram abrangidos pelo programa de intercâmbio Mandela Washington Fellowship, ao abrigo da Iniciativa para Jovens Líderes Africanos (YALI) que este ano contou com a participação de 7 cabo-verdianos que estiveram nos EUA para um programa de intercâmbio e formação de seis semanas durante este verão.

Vadú Rodrigues foi selecionado com o seu projeto Positive West Africa que segundo explica, trata-se de uma iniciativa onde o objetivo é “usar a arte, e a fotografia em concreto, para influenciar pela positiva as narrativas sobre os países africanos”.

O jovem já tinha abordado esta temática na sua apresentação na terceira edição do TEDx Praia, bem como numa exposição intitulada “Pé na Txada” que esteve patente durante alguns meses no Palácio da Cultura Ildo Lobo (PCIL), na cidade da Praia.

No âmbito do programa YALI, de junho a julho deste ano, Vadú teve oportunidade de fazer uma formação ao lado de 25 colegas africanos na Michigan State University (Universidade estadual de Michigan), localizada na cidade de East Lansing, onde foi desafiado a fazer uma exposição de 12 fotografias no College of Human Arts and Letters.

Como o fotógrafo tinha levado consigo alguns materiais acabou por facilitar a instalação, explica em entrevista ao Balai.

“Foi uma instalação interessante porque joguei um pouco com as palavras para falar sobre a forma como os media e a sociedade ocidentais representam o continente africano e como nós africanos vemos o continente. É uma diferença enorme. Nós africanos vemos como um lugar positivo. É claro que temos os nossos desafios, o objetivo da exposição nunca foi esconder os desafios, mas pensar nos desafios e nas soluções (…) como o sensacionalismo dos media que só olha para um lado (…)”.

Daí que, outro aspeto salientado por Vadú é a importância de fotografar África pelas lentes de fotógrafos africanos, e não com os óculos do Ocidente.

O jovem destaca que uma das mais-valias do YALI foi conhecer pessoas com outras mentalidades e abordagens e destaca três conceitos sobre esta experiência: conexão, irmandade e responsabilidade.

O programa também possibilita o contacto com mentores, entre professores universitários e especialistas, e neste momento o fotógrafo cabo-verdiano continua a estruturar o projeto Positive West Africa ao lado de uma mentora americana.

“Quero levar este projeto a outros patamares. Este foi sempre um projeto Vadú Rodrigues, que foi para a costa de África e começou a fotografar, mas este é um projeto para além do Vadú Rodrigues”, diz este artista que já visitou nove países da África Ocidental no âmbito do Positive West Africa.

O jovem ambiciona igualmente publicar uma compilação de 365 fotografias de Cabo Verde. “O objetivo é começar a lançar a partir do próximo uma imagem de Cabo Verde por dia, imagens com narrativa”, diz e explica que está à procura de financiamento para o “365 Positive Cabo Verde”.

Em setembro próximo vai estar em Portugal onde vai levar a exposição “Pé Na Txada” ao Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa, mas também a outros países onde reside a diáspora cabo-verdiana, nomeadamente Luxemburgo e Suíça. Paralelamente, pretende realizar pequenas residências artísticas.

Ainda este ano gostaria de regressar à Guiné-Bissau onde quer passar uma temporada.

Vadú salienta que para realizar todos estes planos é preciso alguma gestão financeira e estar consciente das oportunidades que vão surgindo

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