Zé Rui de Pina regozija-se com valorização dos direitos de autor no país

O músico, intérprete e compositor Zé Rui de Pina acredita que comemorar o Dia Mundial do Direito de Autor em Cabo Verde contribui para a valorização dos autores e criadores, num país catalogado como terra de música.

Considerando que esta efeméride simboliza o reconhecimento dos fazedores, sobretudo da música enquanto expressão máxima da cultura cabo-verdiana, Zé Rui disse que este marco “simboliza algo especial para os compositores”, ressalvando, contudo, que espera que medidas sejam tomadas para o seu verdadeiro funcionamento em Cabo Verde.

Autor de uma panóplia de composições e com seis discos a solo no mercado, este artista de referência no panorama folclórico nacional fez questão de destacar a iniciativa da Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM) com a institucionalização da I edição do Prémio, recentemente criado para coroar a efeméride.

“Espero que isto venha a contribuir para que os autores sejam, deveras respeitados e valorizados por todos, já que em regra geral os intérpretes ficavam na clandestinidade. Agora com este reconhecimento, o intérprete está a valorizar o autor que será recompensado, monetariamente, pela sua criação”, explicou este artista.

Zé Rui sustenta a sua tese em como os autores são determinantes para a música, ressaltando mesmo que são conhecidos no país casos de vários artistas de renome que cantaram toda a sua vida sem que tivessem escrito uma única composição, razão pelo qual considerou que este “dom de autor, terá de ser valorizado, até como um grande incentivo e valorização da sua capacidade intelectual”.

O prémio SCM é para Zé Rui a demonstração de que Cabo Verde já está a dar os primeiros passos nesta ordem, ao mesmo tempo que, atestou, vai certamente contribuir, não só para o incentivo dos autores já conhecidos, mas também para a descoberta de novos talentos, sobretudo junto da camada jovem.

A nível do pessoal, de Pina adiantou à Inforpress que vai lançar a 11 de Junho, por altura do seu aniversário natalício, um novo single, denominado “Tchoro de Alegria”, um trieto com vozes de Nádia e Tatiana, duas jovens residentes nos EUA, com letra e música de Tó Alves.

Gravado nos EUA, “Tchoro de Alegria”, segundo o seu mentor, trata-se de uma coladeira que já se encontra na sua fase final, aguardando apenas pela finalização do videoclipe, de forma a que o artista possa, essencialmente, presentear-se, assim como partilhar este momento de alergia com todo o país, neste que já vem sendo uma prática de Zé Rui de Pina nos últimos anos.

Para a concretização deste álbum, o mentor do projecto conta com a intervenção de artistas outros como o percussionista Carlos Monteiro “Calú”, o baixista Jim Job e o multi-instrumentista Kim Alves de entre vários outros, empenhados na divulgação do folclore cabo-verdiano.

O músico, bastante conhecido pelas acções de carácter social que tem vindo a promover, tanto em Cabo Verde como nos Estados Unidos da América, afiançou que nos últimos tempos tem estado a apostar sobretudo em duetos com jovens, de forma a proporcionar-lhes oportunidades para gravarem as suas obras no “Studio Comunitário” edificado em Achada de Santo António.

Zé Rui, que produziu a mais recente obra discográfica de “Lutchinha”, explicou, que gosta de trabalhar na rectaguarda de forma a desafiar os jovens, ao mesmo tempo que se contenta por ter ajudado uma senhora de 70 anos, D. Mena, a gravar duas músicas de uma assentada.

Daí considerou que “Studio Comunitário” está a proporcionar oportunidades para jovens entrarem no estúdio sem custos financeiros, numa altura em que tem na manga um projecto para ajudar Olímpio, tocador de rabeca, na concretização do seu sonho em gravar uma obra discográfica.

A celebração do Dia Mundial do Direito de Autor em Cabo Verde, vai ser assinalado esta sexta-feira, 22, com a gala musical “Noite de Autores e I edição do prémio SCM na Praça Dom Luís, na cidade do Mindelo, São Vicente.

Inforpress

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