Do macramé ao chocolate, Ileise Varela transforma lazer em fonte de renda

Apesar de ter ficado desempregada com a pandemia, a jovem natural da ilha de Santiago conseguiu transformar a sua paixão pelos doces numa ideia de negócio e criou a marca Natuxok. Além do chocolate, Ileise Varela também é artesã e faz macramé.

Quando a empresa onde trabalhava fechou as portas devido à pandemia em 2020, Ileise Varela que confessa ser amante de ‘fatiotas’ decidiu apostar na confeção de doces à base de chocolate e não só.

Começou a apresentar as suas iguarias aos amigos e familiares e perante o feedback positivo surgiu a ideia de criar uma marca que transmitisse a essência do que estava a fazer – a Natuxok. “Fizemos uma lista de nomes (…) surgiram muitas ideias e entre todos os nomes escolhemos o Natuxok. Porque é natural, é chocolate (escrito em crioulo), e porque também nos doces que faço tento ligar com a nossa natureza e o nosso dia-a-dia com frutas da época, por exemplo”.

No que diz respeito à matéria-prima, tenta sempre fazer um stock e aposta em frutas da época como a goiaba, a manga, o caju, que congela em quantidade para usar mais tarde.

“O meu objetivo é agradar todos os paladares”, diz e acrescenta que faz também, sob encomenda, doces com menos açúcar. Salienta também que chocolate que usa tem 43% de cacau na sua composição e não é muito doce.

Entre as iguarias que faz estão bombons, brigadeiros diversos, cones recheados, barras de chocolate de sete sabores diferentes, doces e geleias artesanais, iogurte caseiro com geleia, cestas e caixas surpresa de aniversário, chocolates recheados, bolachas e cookies diversos e ainda bolos.

Além de vender mediante encomenda, Ileise disponibiliza os seus produtos nalguns espaços comerciais e cantinas de instituições públicas na cidade da Praia.

“Todos os que experimentam, mesmos os que são amantes de chocolate, dizem “Uau”’, garante. Entre os sabores mais inovadores está o chocolate com doce de ‘coco di terra’, com bissap (hibisco), com maracujá.

Pretende exportar produtos da Natuxok para a diáspora, apesar de salientar que já há emigrantes que compram e levam consigo. Ambiciona igualmente um dia conseguir adquirir cacau nos países vizinhos da CEDEAO. “Como ainda estou no início, não consigo sozinha, precisaria de apoio, mas chegaremos lá, passo a passo”.

Além de doceira autodidata, a jovem também se dedica periodicamente à venda de marisco e peixe e tem outra grande paixão para além dos doces – o macramé.

É sob o nome de Makra Mitsa que Ileise confeciona as peças que produz em macramé. Estreou-se nesta arte em 2017 quando aprendeu a técnica com uma cabo-verdiana residente no Equador e que estava em Cabo Verde de férias.

Mais tarde, em 2018, executou pela primeira vez alguns dos trajes, nomeadamente de Rainha, Mestre sala e Porta-bandeira, para o Bloco Afro Abel Djassi, no tradicional desfile de Carnaval na cidade da Praia.

Desde então, o macramé entrou para a sua vida. “Por causa das peças que faço em macramé fui convidada para ir para a URDI 2021”, explica sobre a sua participação na Feira do Artesanato e do Design de Cabo Verde, em S. Vicente.

O tempo de execução de uma peça depende, segundo explica Ileise. Tanto pode ser 30 minutos como um mês, depende da complexidade da peça.

Para elaborar as suas peças usa corda de sisal, de algodão e de malha.

“As pessoas acabam por ver a peça já feita, mas tu que fazes essa peça sabes quantos rolos (de sisal) gastastes. Por exemplo, uma corda de algodão (mais suave do que o sisal) custa 750 escudos por rolo e para fazeres uma peça (pequena) podes gastar dois ou três rolos. Quando acrescentas as horas de trabalho, o cansaço, outros materiais que usaste (…) depois quando pões o valor, as pessoas dizem que está caro, mas isso é porque veem apenas a peça finalizada”, lamenta.

“A ideia é fazer roupas em macramé. Adoro (…) só que ainda não dá para fazer porque o valor da corda não compensa. Vou fazendo peças mais pequenas que não ficam tão caras”. Outra alternativa encontrada pela jovem é a corda de malha, um material que lhe foi apresentado por uma colega da URDI.

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