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Natural de São Vicente, Marlene Lima conta que trabalhou durante sete anos no ramo de hotelaria em Lisboa e para fugir do ‘stresse’ do dia a dia, dedicava-se à confeção de bijuterias.
“Comecei a produzir algumas peças para mim. As minhas amigas e colegas de trabalho viam-me com elas e pediam-me que confecionasse algumas para elas. Comecei a faturar algum dinheiro com isso” conta a empreendedora.
Com a pandemia em 2020, Marlene acabou por ficar sem trabalho, o que antes era tido como um passatempo, transformou-se em um negócio.
“Desde sempre sonhei em abrir um negócio próprio. Em 2016, criei a página Marls Biju no Facebook e comecei a vender os meus produtos online. Em 2017, criei o meu site. Quando no início da pandemia fiquei desempregada, decidi investir mais no meu projeto e viver somente da minha arte. Comecei a pesquisar sobre o mercado e as tendências e em dezembro de 2020 dei um passo à frente, inaugurei a minha loja física em Lisboa” conta.
Se nas vendas online a maioria dos seus clientes eram cabo-verdianos residentes tanto em Cabo Verde como na diáspora, com a abertura da loja física os números se alteraram. “Atualmente, o meu site encontra-se disponível para compras em qualquer canto do mundo”.
Vende tanto peças para mulheres como para homens. A maioria, 80%, são peças que compra para revender e os restantes 20% são confecionadas pela Marlene, “conforme as tendências e gostos dos clientes”.
Costuma trabalhar com aço inoxidável, missangas, pedras zircônias, entre outros. Para além de comercializar bijuterias, também vende óculos, malas, etc.
O preço das peças varia entre os 400 e os cinco mil escudos.
Diz que o feedback do público tem sido positivo. “Felizmente, desde o lançamento da minha marca tenho recebido várias encomendas. As pessoas gostam da versatilidade e durabilidade dos meus produtos. É muito satisfatório”, diz e explica que devido à sobrecarga de encomendas muitas vezes não consegue dar conta de tantos pedidos.
Para a jovem empreendedora a sua maior dificuldade tem sido lidar com todos os departamentos que o projeto exige.
“Sou a responsável por todos os sectores do projeto, sou atendedora na loja, faço a gestão das redes sociais, vou ao banco quando é preciso, sem contar da minha vida pessoal, sou mãe, dona de casa, fico sobrecarregada, mas em breve penso em colocar uma pessoa a trabalhar comigo”.
Impacto da covid-19
“Na pandemia houve algumas restrições ao comércio aqui em Portugal, por isso, a loja esteve fechada durante alguns meses e neste período não houve vendas”.
Graças à produção e venda dos acessórios, Marlene diz que tem uma vida financeira estável e sonha em expandir o seu negócio.
“Tenho uma pessoa em São Vicente que vende os meus produtos, mas o meu maior sonho é abrir filiais em Cabo Verde, mais precisamente na cidade da Praia e no Mindelo, ampliar o site de modo a que a minha marca alcance a todos e alargar a loja em Portugal”.
Rosiane Sales/Estagiária





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