“É preciso comemorar também o Dia da Mulher Africana, não apenas o 8 de março”, diz ativista Lenise Vaz

Várias atividades que visam assinalar o Dia da Mulher Africana acontecem na capital este fim-de-semana, 30 e 31, e são promovidas por jovens que querem enaltecer a identidade africana.

Uma das promotoras das atividades comemorativas do Dia da Mulher Africana, que se assinala a 31 de julho, é a jovem Lenise Vaz, engenheira civil de formação e mentora do projeto Dread Kriolus.

Natural de São Lourenço dos Órgãos, Lenise vive na cidade da Praia desde 2013, trabalha com dreadlocks (também conhecido por rasta) e com a promoção e valorização das pessoas que usam este tipo de penteado.

A jovem que já sofreu preconceito por causa do dread, quer no seio familiar, quer na procura de emprego e em outras circunstâncias, diz hoje não sentir tanto preconceito por parte das pessoas, mas salienta que ainda “há uma crise de identidade” por parte das mulheres cabo-verdianas em assumir a sua africanidade.

No seu caso, Lenise decidiu assumir sua própria identidade e começou a usar o dread desde os 18 anos.

“Somos africanos, precisamos mostrar a nossa força, a nossa beleza, o nosso valor. Aceitar a nossa identidade “, defende em declarações ao Balai.

Lenise Vaz afirma que já havia realizado outras atividades para algumas comunidades, visando divulgar trabalhos feitos pelos jovens, e que este ano pensou em realizar um projeto maior.
Daí, juntou-se ao amigo Éder Fortes para organizar um evento em comemoração ao Dia da Mulher Africana, com o intuito de “promover a africanidade, mostrar o valor das mulheres e (incentivar) a aceitar a identidade”.

A jovem faz questão de realçar o valor da mulher africana e de enaltecer a importância de celebrar a data. “É preciso comemorar também o Dia da Mulher Africana, não apenas o 8 de março”.

“Falar da mulher africana é falar da força, da garra, da resistência e da luta, uma luta constante desde a sua nascença até à morte. A mulher tem um papel fundamental na humanidade, para além de ser um único caminho da origem da vida humana, tem o papel de estruturar a sociedade”, lê-se no comunicado sobre as atividades em causa. 

Para além da mentora do Dread Kriolus e de Éder Fortes, outros jovens estão envolvidos na realização do evento. É o caso de Taylor Fernandes, mentora da iniciativa Kriola ku Kriolu, Astrid Monteiro, coordenadora do movimento federalista Pan-africano de Cabo Verde, Tânia Teixeira, criadora da agência X Plus Size, Natiela Mendes, estilista e fundadora de África On Top, Josybel Borges, fundadora da empresa Bell Make Up, Joana Correia, fundadora da Djahana Hairlines.

Música, dança, moda e artesanato durante dois dias de atividades na cidade da Praia

Segundo Lenise Vaz, um evento em comemoração ao Dia da Mulher Africana voltado para África é “uma forma das pessoas apresentarem os seus trabalhos e mostrarem que são capazes de fazer muito mais do que aquilo que as pessoas pensam”.

Quanto as atividades vão decorrer no espaço Kebra Cabana durante dois dias. No sábado, 30, haverá exposição e feira de artesanato com Afuraka, Filha de Socorrinho, Ulisses Pereira, Afros afins por Deiart e Jacira Pereira; feira de produtos locais com a Badia cosméticos, Natuxok e Kakau Shop; além da presença de outras marcas nacionais.

No dia 31 domingo, o evento conta com a apresentação de música tradicional: Batuku e Tabanka do Grupo de Achada Grande e Batukada dos jovens de Tira-chapéu. Na dança vai apresentar-se o África Sabá 7. Quanto à moda, o evento conta com Modelos da agência X Plus Size, Maquiagem da Bell Make Up, Penteados da Djahana Hairlines e Trajes da África On Top, entre outras atividades.

“Também o evento conta com a participação de um grupo de dança africana do Senegal, Som System, desfile com trajes, sapatos, penteados e maquiagem africanos. No meio da atividade, haverá sorteio com brinde surpresa.

Cátia Gonçalves/ estagiária

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