Educação é a melhor prevenção para os doentes diabéticos, diz Emília Monteiro

Cabo Verde tem uma taxa de prevalência de diabetes à volta de 3,7 por cento (%), sendo que o maior número é encontrado nos adultos, apesar de o aumento estar a verificar-se, também, na camada jovem.

A afirmação é da responsável do programa de diabetes, Emília Monteiro em declarações à imprensa, à margem do workshop sobre a “Prevenção e controlo de diabetes, longevidade e qualidade de vida: sacrifícios”, promovido pelo Instituto Nacional da Saúde Pública (INSP), no âmbito da celebração do Dia Mundial da Diabetes assinalada anualmente a 14 de Novembro.

A data, que este ano foi marcada sob o lema “Diabetes: educar para proteger o futuro”, foi ainda referida pela coordenadora do Programa Prevenção e Controlo da Diabetes Mellitus como uma das doenças que mais está crescendo no mundo, apesar de se poder controlar e prevenir com uma educação rigorosa tanto a nível do uso dos medicamentos como do hábito alimentar.

“Apesar da taxa, a nível do País, estar abaixo da média mundial temos de continuar a preocupar visto que os fatores de risco estão presentes na nossa sociedade como a alimentação, a obesidade e o sedentarismo”, disse, chamando a atenção da população para os riscos, a importância do diagnóstico precoce e as formas de prevenção.

Tudo isso, segundo disse, tem uma função educacional para que os diabéticos e não diabéticos possam optar por um estilo de vida saudável já que, no País, a diabetes tipo 2 se encontra em pessoas acima dos 45 anos enquanto que a diabetes tipo 1 em crianças de 3 anos.

A diabetes, por ser uma doença comportamental, de acordo com a médica e responsável pelo programa no País, pode ser controlada com uma educação rigorosa a nível da alimentação e exercícios.

“O que nos dificulta mais é consciencializar as pessoas de que a diabetes é uma doença crónica e que, por isso, devem mudar os hábitos e estilo de vida”, afirmou, sublinhando que o programa tem tentado a todos os níveis de saúde, centros e hospitais, fazer essa consciencialização com a atenção primária.

Quando não se consegue com a atenção primária, realçou, o doente é transferido para atendimento por especialidades, que é constituído por uma equipa multidisciplinar, que depois orienta e consciencializa o doente quanto à prevenção e tratamento.

A diabetes mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia), pode ocorrer devido a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelas células beta.

A função principal da insulina é promover a entrada de glicose nas células do organismo, de modo que possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares, sendo que a falta da insulina ou um defeito na sua acção resulta em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia.

A diabetes tipo 1 pode ser detetado em exames de sangue e costuma atacar crianças e adultos jovens, mas pode ser desencadeado em qualquer faixa etária e é caracterizada pela produção insuficiente de insulina

A diabetes tipo 2 é a forma mais comum dessa doença na população, sendo que nesses pacientes, a insulina é produzida pelas células beta pancreáticas e está ligada ao uso ineficaz da insulina pelo corpo.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, estima que 10% dos adultos vivem atualmente com diabetes em todo o mundo. Entre 2000 e 2019 a alta nas taxas de mortalidade foi de 3,0%, e em países de renda média-baixa, as mortes por diabetes aumentaram 13%.

A orientação da OMS para a Região Africana, quanto à diabetes, foi no sentido de os Estados membros priorizarem investimentos em produtos essenciais, como a insulina, os glucómetros e as tiras de teste e exorta ainda a se adotar as metas mundiais por forma a reforçar e monitorizar a resposta.

“Às populações africanas, acho que nunca realçaria demasiado a importância de uma dieta saudável e equilibrada, reforçada com uma atividade física regular, com o não consumo de tabaco, a manutenção de um peso saudável e um consumo moderado do álcool. Todas estas medidas contribuirão para proteger as pessoas com diabetes de tipo 2 e outras doenças não transmissíveis”, disse na sua mensagem a directora regional da OMS para a África.

Inforpress

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