Especialista parental alerta para importância de vínculo seguro entre pais e filhos

A especialista cabo-verdiana em desenvolvimento parental Érica Correia defendeu hoje que a construção de um vínculo seguro entre pais e filhos é essencial para criar confiança e facilitar a partilha de situações e procura de orientação.

Em entrevista à Inforpress, à margem do workshop “Compreender para Educar: o que está por trás do comportamento da criança?”, a especialista considerou que, perante a crescente exposição das crianças à internet e a diferentes influências externas, a construção de uma relação segura com os pais assume particular importância.

Segundo Érica Correia, o vínculo entre pais e filhos não se resume ao amor, estando também relacionado com a segurança que a criança sente para procurar os pais quando enfrenta uma situação que não compreende ou perante uma eventual situação de risco.

“O meu dever é construir um vínculo seguro com a minha criança”, afirmou, explicando que uma criança que se sente segura deve conseguir chegar a casa e contar aos pais o que aconteceu sem receio de ser imediatamente castigada ou agredida.

A especialista considerou que essa relação de confiança pode contribuir para que a criança procure orientação familiar antes de tomar determinadas decisões.

“Se a criança tem essa segurança de chegar em casa e falar o que aconteceu, sem medo de que o pai vai bater, a mãe vai castigar, não vai tomar nenhuma decisão sem consultar os pais”, explicou.

Érica Correia chamou igualmente a atenção para a influência da internet na formação das crianças, observando que actualmente existe uma grande quantidade de conteúdos acessíveis e que os pais nem sempre conseguem controlar aquilo a que os filhos estão expostos.

Neste contexto, defendeu que a resposta dos pais deve passar pelo fortalecimento da relação com os filhos, através da construção de confiança e segurança emocional.

A especialista relacionou ainda a falta de escuta, validação e empatia com o desgaste emocional das crianças, defendendo que os pais devem procurar compreender aquilo que os filhos estão a sentir, em vez de desvalorizar ou rotular determinados comportamentos.

Ao abordar a importância da atenção às crianças, Érica Correia partilhou uma experiência pessoal da adolescência, período em que, segundo contou, enfrentou pensamentos suicidas e tentou tirar a própria vida aos 13 anos.

A especialista atribuiu parte dessa experiência ao modelo de educação tradicional em que foi criada e defendeu que os padrões familiares podem ser reproduzidos entre gerações quando não existe reflexão sobre as práticas educativas.

“É a mesma forma que ela foi educada que ela me educou”, afirmou, referindo-se à sua mãe e ao modo como os padrões educativos podem passar de uma geração para outra.

Para Érica Correia, a construção da identidade, autoestima, autonomia e segurança emocional deve fazer parte do processo educativo, permitindo que a criança desenvolva referências e maior capacidade para enfrentar diferentes fases da vida.

Residente na Suíça, a especialista é formada em Psicologia, possui especialização em desenvolvimento infantil e várias formações na área da orientação parental, incluindo parentalidade consciente avançada e controlo emocional aplicado à parentalidade.

Inforpress

Escreveu o conto “A Minha Idade” especialmente para o concurso, mas ao longo da sua criação Néliciete criou uma paixão pela personagem Neila e não queria deixá-la.

“Quem sabe mais tarde posso vir a transforma o conto em um romance. Neila é uma história que não queria terminar. A propósito, o fim da personagem Neila escrevi depois que participei numa conversa aberta no Palácio da Cultura, onde um dos integrantes da ONG Laço Branco me disse que fazem reuniões com homens que antes praticavam Violência Baseada no Género (VBG)”.

Questionada sobre se o conto é uma forma de alertar os jovens sobre a gravidez precoce e a Violência Baseada no Género (VBG), a jovem escritora não hesita em dizer que sim.

“Com certeza, porque na descrição que faço de Marco, que é o personagem pelo qual a Neila apaixona, fiz questão de descreve-lo de uma forma encantada. No início, quando achamos alguém atraente é uma maravilha, mas temos que ver que as coisas vão para além da aparência e que ainda temos muito para viver. Tudo tem o seu tempo. Para nós, os adolescentes, é um pouco difícil colocar na mente que tudo tem o seu tempo, mas fiz questão de demonstrar no conto que é preciso escutar os conselhos das pessoas”.

Néliciete quer ir além do conto “A Minha Idade”. A jovem ambiciona lançar um livro, mas enquanto isso não acontece vai disponibilizando algumas das suas histórias no aplicativo Whattpad.

“Desde pequena que digo que o meu plano é ser imortal. Quero fazer coisas para entrar na história. Publicar um livro com certeza é uma meta que quero atingir e espero que não dure muito tempo (risos)”, diz a jovem escritora que está a escrever um romance denominado “Geração 2020”.

“A obra é sobre vários aspetos da sociedade, concretamente sobre a visão da minha geração que, infelizmente, está a ser caracterizada como uma catástrofe”.

No futuro a jovem, que está a cursar o primeiro ano do curso de Comunicação Social na vertente Jornalismo, que está localizado no novo campus da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), quer fazer carreira nas áreas de comunicação social, literatura e/ou social.

“Pretendo terminar a minha licenciatura, fazer um mestrado fora do país e conseguir avançar na carreira e trabalhar na área social como ativista. Estou inscrita na Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV), mas o objetivo é um dia criar a minha própria associação”, conclui.

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