Guanela Neves é a Fada dos donetes de Cabo Verde em Portugal

Deram-lhe o nome de Fada dos Donetes e a cabo-verdiana Guanela Neves honrou o apelido ao disseminar estes doces de Cabo Verde em Portugal. “Divulgar a gastronomia e a cultura cabo-verdiana fora de Cabo Verde é uma vitória”, afirma em entrevista ao Balai onde explica como surgiu este projeto há cerca de um ano.

Guanela Neves nasceu em Cabo Verde e cresceu em Portugal, país para aonde emigrou ainda em criança. Os donetes Guanela aprendeu a fazer com a mãe que fazia para venda, mas até abril do ano passado, a jovem nunca pensou em se dedicar à pastelaria.

 

“Sempre fiz donetes para amigos e familiares. Mas nunca pensei que as pessoas fossem valorizar e comprar os nossos donetes de Cabo Verde”.

 

Durante o período de lay-off em 2020, Guanela, de 34 anos, que trabalha numa loja num centro comercial em Portugal, não conseguia estar parada em casa e lembrou-se de fazer algo.

 

“Estava a ver um filme e deu-me um clique. Foi como se fosse a Deus dar-me uma palmada. Pensei: “Chegou a tua hora””, foi assim que iniciou esta aventura que se revelou ser uma boa oportunidade de negócio.

 

Primeiramente, começou a divulgar os donetes junto de amigos, colegas de trabalho e familiares, entretanto após a divulgação nas redes sociais, os doces tornaram-se virais e várias pessoas começaram a entrar em contacto para comprar.

 

Começou por fazer apenas duas variedades: o tradicional sabor de canela com açúcar e também coco.

 

O sucesso deixou Guanela perplexa. “Foi completamente inesperado, comecei a receber pedidos até de outros países”.

 

O marido da cabo-verdiana fazia as entregas, mas acabou por fazer um acordo com uma empresa de delivery para dar resposta às solicitações.

 

Um dia, ficou muito tocada com uma mensagem que recebeu de uma senhora que morava longe e que lhe contou que os donetes tinham sido a primeira alegria do filho que estava triste há algum tempo. “Disse-lhe que quando for assim basta pedir à fada dos donetes que eu lhe fazia mais”.

 

Foi assim que surgiu o nome para o projeto e, rapidamente, o negócio evolui. Surgiu o logo da Fada dos Donetes, Guanela apostou em novos sabores, como doce de leite, chocolate e chocolate branco, etc.

 

“Chamaram-me para dar entrevistas na televisão, nas revistas. Fico orgulhosa por ser a cabo-verdiana que está a destacar os donetes de Cabo Verde em Portugal”.

 

E como os pedidos fora de Portugal não paravam de surgir, a jovem resolveu apostar num tour pela Europa. “Em cada país tenho uma pessoa amiga ou um familiar que me recebe e me empresta a sua casa para fazer os donetes”.

 

Até então já esteve em várias cidades em França e na Suíça, e já tem agendadas idas ao Luxemburgo e Holanda.

 

Mas afinal qual é o segredo para o sucesso dos donetes de Guanela? “Quando fazemos com amor sai sempre ‘sabi’”, responde.

 

Ambiciona vir a Cabo Verde apresentar o seu projeto e dar a conhecer os donetes da Fada. “Divulgar a gastronomia e a cultura cabo-verdiana fora de Cabo Verde é uma vitória para mim”, afirma.

 

Além dos sabores tradicionais, como doce de leite, coco e chocolate, apostou em novos como rede velvet, cenoura, nozes, chocolate e ainda, recentemente, deu a conhecer ao público no Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa sabores como lima, maracujá e bolacha maria.

 

“Não vendo por unidade, mas por caixa de 15 donetes, mas vou passar a vender caixas de 12 e de 6 unidades”.

 

Chega a ter 40 a 50 pedidos por dia, principalmente aos fins-de-semana, por isso atualmente, tem duas pessoas a trabalhar consigo na confeção dos donetes, mas salienta que faz questão de fazer a sua massa no dia. “Tem sido bastante cansativo, porque trabalho 8 horas no centro comercial e depois tenho de me dedicar à Fada”.

 

O projeto cresceu de tal forma que já pensa em abrir um espaço para a confeção e degustação dos donetes à moda da Fada Guanela em Lisboa e por conseguinte dedicar-se exclusivamente à ideia que surgiu no início da pandemia da covid-19.

 

“O meu objetivo é expandir o negócio e gostaria, inclusive, de ter um espaço em Cabo Verde”, diz a confeiteira autodidata que se mostra feliz por ter o apoio de vários cabo-verdianos em Lisboa, inclusive artistas.

 

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