Histórias na primeira pessoa: Danielson Barros

Este testemunho faz parte de um leque de histórias inspiradoras originalmente publicadas na página Sem Tabus.

Meu nome é Danielson Barros, tenho 31 anos de idade, nasci na ilha do Fogo mais concretamente em Santa Catarina, mas cresci na capital do país -Praia, mais concretamente na zona do Di Nos (Achada S. António).

 

Desde os meus 4 anos, estudei na escola primária denominada Escola Grande, em Achada Santo António, uma escola composta por três salas de aula, em que éramos uma família, já que toda a gente se conhecia. Tinha planos de vida de criança  claro, morávamos com a minha mãe, já que o meu Pai emigrou para os Estados Unidos e quando recebeu a cidadania americana deu entrada nos documentos para que eu pudesse emigrar para os Estados Unidos.

 

Quando toda papelada chegou, minha irmã tratou de tudo com a Embaixada, e, posteriormente, chamaram-me para ir acompanhado da minha mãe. Ela recusou a minha ida para os Estados Unidos e aí foi a minha frustração.

 

Eu já estava no 5° ano para entrar no 6° ano, e frustrado, tornei-me num jovem rebelde, conhecia alguns colegas que faziam uso de canábis e comecei a usar também.

 

Frustrei mais AINDA, no 6° ano decidi deixar os estudos e passei a dedicar-me mais ao consumo, e passei para as drogas mais pesadas. Lamento, mas para ser sincero cheguei aonde ninguém gostaria de chegar, fui ao fundo do poço, comi o pão que o diabo amassou, sofria transtorno, cada vez mais consumia mais drogas pesadas.

 

A esquadra não me podia segurar, eu era terrível, lamento dizer isso, mais era a verdade. Os policiais na altura sempre estavam à minha procura, a Polícia Nacional e a Polícia Judiciária.

 

Até que um dia fui ao tribunal encontrei um Juiz, que me perguntou a minha idade (eu já estava com quase 19) e eu disse que tinha 15 anos. O juiz mandou pesquisar todas os meus antecedentes criminais, e enviou-me para a cadeia central da Praia, no dia 30 de julho de 2008.

 

Foram momentos terríveis, passei por situações terríveis, suportei e dediquei o meu tempo a ganhar mais conhecimento, pouco tempo depois fui julgado e condenado a 8 anos de prisão efetiva, eu era um dos mais jovens na prisão na altura.

 

Comecei a dedicar mais ao autoconhecimento, fiz um tratamento dentro da prisão num espaço terapêutico que tem excelentes profissionais, Unidade Livre de Drogas, fiz quatro formações, eu era treinador e ganhei muito títulos de futebol de quatro e em 2015 ganhei a liberdade depois de sete anos.

 

Com a liberdade tudo era novo e diferente, praticamente ninguém acreditava em mim, mas eu estava decidido a mudar o rumo da minha vida.

 

Afastei-me totalmente de tudo que é errado, mesmo dentro da prisão parei de usar drogas, porque para quem não sabe na prisão existe de tudo.

 

Em liberdade a minha ambição e objetivo era conquistar tudo que tinha perdido durante anos. E minhas conquistas foram uma questão de tempo.

 

O meu pai começou a enviar-me pequenas mercadorias e vendia, porque ele já era comerciante tinha uma empresa, mas por motivos pessoais teve de regressar aos Estados Unidos.

 

Então do nada, veio a ideia de eu ser o novo gerente da empresa de nome Firma Barros Alves Importação Exportação, sede em Terra Branca. Assumi a empresa no ano de 2016, um ano após a minha saída da cadeia, ainda muitas pessoas me criticavam. A verdade é que essas pessoas não conheciam o meu interior, mas eu estava decidido na mudança. Comecei com pequenas mercadorias, cresci e amadureci, o que me ajudou a integrar-me bem na sociedade.

 

Passei por várias formações de liderança transformacional. Em 2018, fui à Guiné Bissau fazer mais uma formação de liderança, capacitei-me e hoje posso dizer que sou muito feliz ao lado da minha esposa dos meus dois filhos.

 

A nossa empresa tem crescido e tem ajudado os funcionários, hoje temos carros comerciais de venda a grosso e a retalho, lido tranquilamente com bebidas alcoólicas, porque faço a venda e o mais importante, é que eu não consumo.

 

Já estou há seis anos “limpo” de todo tipo de drogas. Lidero formações na cadeia, onde tento motivar mais jovens e tenho orgulho de ser o espelho dos ex-presidiários. Não tenho vergonha de dizer que um dia estive preso, mas que hoje sou um homem de caráter e exemplo, não apoio quem comete delitos, aconselho e dou exemplo com a minha história.  Hoje posso dizer que sou muito feliz e realizado.

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