Este testemunho faz parte de um leque de histórias inspiradoras originalmente publicadas na página Sem Tabus.
Foto cedida

“Olá, o meu nome é Dilva Marques, tenho 36 anos, sou natural da ilha da Boa Vista e vivo na cidade da Praia.

Em outubro de 2014, após fazer o exame de toque, senti um caroço na mama e poucos dias depois marquei uma consulta com a minha ginecologista. Esta solicitou vários exames e passadas algumas semanas recebi o diagnóstico de cancro de mama. Foi a pior notícia que recebi em toda a minha vida, pois em nenhum momento esperamos que isto possa acontecer connosco.

Em Janeiro de 2015, fui evacuada para Portugal, onde fiz todos os tratamentos. Primeiro fizeram-me a mastectomia radical da mama, ou seja, retiraram-me a mama e após um mês comecei a fazer quimioterapia.

A quimioterapia é o tratamento mais agressivo para o cancro. Para além de outros efeitos causados por este tratamento, duas semanas após a primeira sessão, o meu cabelo começou a cair e, para evitar mais sofrimento, fui logo raspar a cabeça, ficando carequinha.

Confesso que inicialmente foi estranho ficar sem cabelo, principalmente para alguém que sempre teve o cabelo longo. Procurava ver o lado positivo em tudo e neste caso pensava: por um tempo não tinha que me preocupar em pentear, fazer aquele ritual que nós mulheres fazemos, de lavar, hidratar… enfim.

Fiz também a radioterapia, mas esta foi menos agressiva e durou menos tempo.
Durante todo este processo todas as vezes que me apetecia sair, colocava-me bonita, isto é, fazia arranjos com lenços e maquiava-me. O meu batom não faltava.

Algumas vezes, senti os olhares nas ruas, mas, sinceramente não dava importância, pois o julgamento dos outros era o que menos me preocupava.

Em Portugal, as mulheres mastemizadas têm o direito de escolher fazer ou não a reconstrução mamária após os tratamentos. Eu tinha somente 32 anos e por isso optei por fazer por uma questão de estética e também porque ajuda a auto-estima.

Foram dois anos em Portugal, apesar de adorar aquele país, estar longe da minha família, dos meus amigos, do meu aconchego foi a parte mais difícil, pois nos momentos que mais precisava deles, encontravam-se longe. Foram momentos muito difíceis e algumas vezes pensei em desistir. Graças a Deus, não sei de onde, mas a força vinha e sempre procurava evitar pensamentos negativos.

Apesar de todas as transformações que o meu corpo passou não me tornei menos mulher, muito pelo contrário, tenho enorme orgulho da mulher que sou hoje.

Hoje faço a minha vida normalmente, com algumas restrições é claro, mas grata por esta nova oportunidade. Tenho cicatrizes no meu corpo que simbolizam a minha luta e são a prova da batalha que travei e venci.

A vida ganhou outro sentido, muita coisa perdeu a importância que eu outrora dava, pois, o mais importante é estar com saúde para poder correr atrás daquilo que sonhamos e acreditamos.

Muitas vezes pensamos que não podemos encarar certos desafios que a vida nos reserva, mas acreditem que Deus não nos dá nada que não podemos carregar. Para vencer cada batalha temos que lutar até o fim sem nunca perder a fé.

Estar vivo é uma dádiva. Devemos agradecer todos os dias ao abrir os olhos, pois muitos não tiveram este privilégio. Valorizemos o que temos!

Cuidem-se e estejam atentos aos sinais que o nosso corpo dá.”

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